Home TVEpisódio Crítica | American Gods – 3X10: Tears of the Wrath-Bearing Tree

Crítica | American Gods – 3X10: Tears of the Wrath-Bearing Tree

por Ritter Fan
5531 views (a partir de agosto de 2020)
  • spoilers. Leiam, aqui, a crítica dos episódios anteriores.

Ah, não, não, não e NÃO. Por todos os deuses antigos e novos, não é possível que tenham feito isso no final da 3ª temporada de Deuses Americanos!!! O que Charles H. Eglee quer, afinal? Que mesmo os mais fieis e resolutos seguidores da série baseada no livro homônimo de Neil Gaiman sequer se importem se ela será renovada para uma 4ª temporada? Que, se houver renovação – o que já começo a duvidar fortemente – ninguém tenha o menor interesse em voltar para saber o que acontecerá com Shadow Moon companhia?

Porque é isso que pareceu em Tears of the Wrath-Bearing Tree, episódio que, considerando a fraca primeira metade da temporada e a esperançosa subida de qualidade na segunda, tinha a obrigação de encerrar muito bem esse terceiro ano da série. Mas não. O que temos, no lugar, é um episódio que é a definição do anticlímax e da necessidade doentia de se criar uma sucessão de cliffhangers sem a menor preocupação em encerrar arcos, em oferecer convergência narrativa significativa ou sequer de empolgar o espectador.

Não consigo dizer com veemência nem que foi bacana ver Shadow Moon seguindo a vontade do pai e sacrificando-se em Yggdrasil, o eixo do mundo na Mitologia Nórdica. Sim, a árvore se beneficia de um CGI que a faz ficar esplendorosa mesmo desfolhada pelos rigores do inverno e sim, é interessante a abordagem onírica do que Shadow passa em seu tormento de nove dias, inclusive a revelação de que tudo não passou de um plano do próprio Odin – o protagonista sequer desconfiar de algo assim mostra o quão pouco ele se desenvolveu na série – para não só ressuscitar, como ressuscitar com força total, já que o sacrifício filial é o mais potente de todos. Toda essa sequência, na verdade, pareceu apenas morna, interessante apenas de maneira perfunctória, pois em momento algum a construção da narrativa consegue estabelecer um senso de tensão ou perigo ou invocar imagens ou sequências – com exceção do twist de Wednesday, claro – realmente memoráveis.

E o pior é que esse clímax, se é que podemos chamá-lo assim, vem depois de uma lenta, cansativa e consideravelmente inútil sequência interminável de representantes dos deuses em território neutro – mais um hotel! – para velar Odin. Mr. World oferecendo paz já cansou assim como o Pai de Todos prometendo guerra e Crispin Glover, antes sinistro, agora parece uma caricatura mal desenhada de seu personagem, um verdadeiro pastiche. Laura Moon, adúltera uma hora, zumbi na outra, amante de Leprechaun em mais outra ainda, frequentadora de Purgatório em seguida e assassina de deuses, finalmente, parece uma barata tonta sem muito o que fazer que não seja arrastar-se por dutos, esconder-se embaixo de mesas, ser traída por Mr. World e poupada por seu ex-marido, com direito a sonho libidinoso com Bilquis – e quem não teria um sonho libidinoso com ela, não é mesmo? – que a leva a outro cliffhanger misterioso com a deusa orixá.

Até mesmo a fuga do Garoto Técnico e sua descoberta do que é o Artefato nº 1, algo sem dúvida interessante por representar a inovação humana, o que dá outra dimensão ao personagem mesmo que não explique como ele “pulou” de humano para deus, pareceu anticlimática, com uma direção não mais do que burocrática de Russell Fine que não faz mais do que depender das caras e bocas de Bruce Langley para conseguir alguma emoção, mesmo que não seja a emoção minimamente desejada pelo espectador. A incapacidade de o roteiro oferecer algum tipo de fechamento mesmo nessa subtrama é algo que diz muito da posição de Eglee a frente da temporada, já que ele basicamente decidiu empurrar tudo para o próximo ano e sequer se deu ao trabalho de justificar todo o foco em Salim em The Rapture of Burning, já que o personagem simplesmente desapareceu depois de ganhar os holofotes.

Resumindo a ópera, Tears of the Wrath-Bearing Tree, episódio de título pomposo, mas vazio, é um cansativo, desnecessário e frustrante dénouement que simplesmente não precisava existir para além de deixar Shadow pendurado em Yggdrasil, o que poderia ter sido feito muito facilmente em The Lake Effect que, agora está claro, deveria ter sido o verdadeiro encerramento da temporada. Não sei se American Gods será renovada e certamente não vou gastar rezas e sacrifícios a deuses tornados desinteressantes para que isso aconteça…

American Gods – 3X10: Tears of the Wrath-Bearing Tree (EUA, 21 de março de 2021)
Showrunner: Charles H. Eglee
Direção: Russell Fine
Roteiro: Laura Pusey, Ryan Spencer
Elenco: Ricky Whittle, Ian McShane, Emily Browning, Yetide Badaki, Bruce Langley, Omid Abtahi, Ashley Reyes, Eric Johnson, Julia Sweeney, Lela Loren, Andi Hubick, Cloris Leachman, Erika Kaar, Denis O’Hare, Herizen F. Guardiola, Devery Jacobs, Iwan Rheon, Crispin Glover, Peter Stormare
Duração: 52 min.

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39 comentários

Vanessa Sales 30 de março de 2021 - 15:32

Passando pra dizer
É só isso / Não tem mais jeito / Acabou, boa sorte!
Eu fico feliz com o cancelamento no sentido de já saber que uma 4 temporada não seria melhor. Eu fiquei curiosa com o caminho que a serie iria tomar mais ao mesmo tempo não iria prestar

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Daniel Duarte 28 de março de 2021 - 19:56

Fizeram um ep daqueles (Ep9) e terminam assim?! sabe?! 3 Temporadas de uma série labirinto. se lascar, mano…

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planocritico 29 de março de 2021 - 01:38

Pois é. Uma tragédia isso!

Abs,
Ritter.

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vinland 27 de março de 2021 - 23:34

Assisti a 2 temporada tinha pensado em largar. Me arrependi de não ter feito isso. Essa terceira é uma das coisas mais ridículas que já assisti.

Não vou continuar se tiver uma quarta.

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planocritico 28 de março de 2021 - 01:07

Triste isso, não é? Eu queria não continuar, mas agora eu vou até o fim, torcendo para que a 4ª temporada SEJA o fim.

Abs,
Ritter.

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vinland 29 de março de 2021 - 14:10

Ultimamente ando muito sem paciência, e quando o negócio começa a desandar tão cedo eu desisto sem pensar duas vezes. Sou bem desapegado rsrs

Responder
planocritico 29 de março de 2021 - 16:36

Eu te entendo perfeitamente!

Abs,
Ritter.

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Rodolpho 26 de março de 2021 - 11:07

Bom, estava esperando a série acabar para vir aqui comentar.
Comecei AG sem nenhuma expectativa, e fui surpreendido com um bom roteiro, fotografia maravilhosa e personagens cativos.
Qualquer fã de uma série “ 3 temporadas a diante” espera que haja crescimento. Mas parece que American Gods está no sentido oposto. Cada temporada Shadow, Laura e Wednesday brincam com uma guerra que ninguém sabe o que é, Shadow vai literalmente nevar e wtf, e Mr. World em personagens diferentes não usa 10% da narrativa que poderia ter para ser um vilão decente. Aliás, wtf ele está fazendo?
Eu termino os episódios frustrado, pensando aqui “que diabos esses caras por de trás das cadeiras e papéis estão fazendo?
É terrível ver atores ótimos e estáticos numa narrativa sem sentido, é vergonhoso recomendar a série sem que escape um “puts, mas vai ficando pior”.
E Ritter, partilho do mesmo sentimento de que após ver uns episódios bons e depois ver que nada levou a lugar nenhum, é simplesmente um pedido de “chega, basta…”
Depois dos embrulhos e barrancos de bastidores desde a temporada 2 o mínimo que eles poderiam entregar era algo coeso.
Parem essa série.

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planocritico 27 de março de 2021 - 06:06

É, meu caro. Basicamente tudo depois da 1ª temporada foi decepção. Em maior ou menor grau, mas decepção mesmo assim. Nem tenho vontade de ver a próxima temporada, se ela acontecer.

Abs,
Ritter.

Responder
Rafael Ferraz 25 de março de 2021 - 06:23

Ao que parece, a Laura é a metade do Shadow. Que conveniente, né? Penso que, nessa condição, ela deve salvar o ex-marido da morte. Ou ressuscita-lo, sei lá. O que acham?

Responder
planocritico 25 de março de 2021 - 15:21

Conveniente demais se isso for confirmado. E o que você diz é o que pinta por aí mesmo, sem dúvida.

Abs,
Ritter.

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Lucas 25 de março de 2021 - 00:28

Eu estava de acordo com as críticas até esse episódio. Já adianto que não li o livro, portanto o Tecnoboy ser a inovação humana foi bem legal pra mim, assim como a conversa dele com Mr. Word. Assim como Shadow na Árvore pra mim foi incrível, a interação da Belquis com Laura parece trazer algo interessante. De um modo geral, eu voltei a ter um sentimento que há muito tempo não tinha só ver a série, e sinceramente eu estou muito mais empolgado do que achei que estaria após esse finale.

Responder
planocritico 25 de março de 2021 - 00:37

Essa revelação sobre o Garoto Técnico não há no livro, mas eu também gostei bastante, mas não da conversa dele com Mr. World.

Mas fico feliz que esse episódio tenha trazido empolgação para você. Eu estava empolgado pelos últimos episódios que subiram a temporada de qualidade, mas esse aqui apagou meu fogo quase que completamente…

Abs,
Ritter.

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Lucas 25 de março de 2021 - 00:42

Pse eu vim esperando bem mais estrelas kkkkk
Mas ele não apaga o quão abaixo das outras essa temporada foi. Que o Pai de Todos inicie a Guerra de uma vez na próxima

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planocritico 25 de março de 2021 - 00:44

Isso acontece!

Eu queria saber é se a série será renovada… Não que eu esteja empolgado, mas é sempre bom saber para já me preparar psicologicamente…

Abs,
Ritter.

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Lucas 25 de março de 2021 - 01:11

Eu tinha procurado esses dias, mas não encontrei nada. Oq me deixa um pouco receoso é que essa temporada não foi muito divulgada, porém isso pode ser efeito da minha bolha, maas

planocritico 25 de março de 2021 - 02:16

Pelo que vi, não saiu ainda uma decisão nem que sim, nem que não, o que sem dúvida é um problema…

Abs,
Ritter.

Bruno Vasconcelos 24 de março de 2021 - 23:16

Analise fraca.. Ficou pior que a serie

Responder
planocritico 24 de março de 2021 - 23:33

Tudo bem. Mas diga-me o porquê de você considerar minha análise fraca.

– Ritter.

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Oscar 24 de março de 2021 - 20:30

O que realmente me deixa cansado com essa série é todo o desperdício de potencial, li o livro bem antes do lançamento da primeira temporada, adorei a mitologia desenvolvida pelo autor e acabei no internet vendo todo o material criado por fãs sobre a obra que é muito superior as últimas duas temporadas.

Sei que não devo usar isso como base para o que esperar de um programa, mas a comparação deixa claro para mim como os planejadores dessa temporada nem se importaram em entender os próprios conceitos estabelecidos na primeira temporada.

Mr. World e os manequins são os únicos representantes dos novos deuses (aparentemente o Garoto Técnico é uma categoria a parte), e os dois antigos que apareceram no funeral de Wednesday são todo o exercito reunido em três temporadas, ou todos que se importam com ele. É como se mesmo com toda historia apresentada o universo do show tenha ficado cada vez menor.

Shadow ser enganado para se sacrificar para o pai é algo que estava obvio que ia acontecer, a Laura notou na hora que era uma má ideia e o Shadow ficou “tenho que fazer isso porque agora sou especial”. Não consigo não gostar da Laura, ela é mais a combinação de tudo o que acontece de errado na produção do que uma má personagem por mérito próprio.

Responder
planocritico 24 de março de 2021 - 23:43

É normal, quando conhecemos o material fonte e gostamos, que cheguemos com expectativas para uma adaptação. Uma coisa não deve balizar a outra completamente, mas acho que sua conclusão é justa sobre a compreensão dos conceitos. Eu apenas acho que o problema aconteceu pelas questões internas da produção, com showrunners entrando, outros saindo, controvérsias com atores e assim por diante. Isso fez a série perder sua coesão e aí tivemos uma temporada como essa…

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 24 de março de 2021 - 19:52

só uma pergunta: o artefato n. 1 alem de uma representacao da inovacao humana, seria a primeira ferramenta mesmo ou so uma qq daquela epoca simbolizando a inteligencia humana?

Responder
planocritico 24 de março de 2021 - 20:03

Eu interpretei como um símbolo, mas nada que impeça que seja a primeira ferramenta, ainda que eu ache que a primeira ferramenta provavelmente foi um osso ou um galho e não uma pedra lascada.

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 25 de março de 2021 - 08:28

Ah claro provavelmente foram, mas eu quis dizer de primeira fabricada, no sentido de ter sido melhorada e não apenas usada em seu estado natural ou original.
Sendo simbolico ou real foi uma coisa bem interessante.
Vc entendeu aquele negócio do garoto técnico mudar e sempre esquecer tudo, qdo uma evolução muito grande acontece?

Responder
planocritico 25 de março de 2021 - 15:23

Foi bem bacana mesmo.

E não, não entendi a questão de esquecer tudo. Quero ver como é que a coisa será desenrolada, isso se será.

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 25 de março de 2021 - 17:41

Desenrolar em se tratando de American Gods seria um milagre! Pq os caras sao bons é em enrolar.
Falando nessa cena em especial, q revelacaozinho mequetrefe da identidade do Mr. World. Nao teve peso nenhum.
Mesmo todo mundo sabendo quem ele era a revelacao do Odin foi espetacular. Essa do Loki, alem de n revelar direito ainda foi xoxa

planocritico 25 de março de 2021 - 18:13

Totalmente!

Abs,
Ritter.

Flavio Batista Dos Santos 24 de março de 2021 - 19:50

Esse episodio deveria ser o 5o. ou 6o. episodio dessa temporada no maximo! Como puderam ter deixado chegar a esse ponto?
A capacidade de criar cenas lindas é proporcional a capacidade de fazer a serie andar pra lugar nenhum.
Ah, e nunca desejei tanto q o Czernobog usasse o seu martelo qto nesse episodio. Mas nem ia adiantar nada, iam arrumar alguma maneira dessa mina voltar a vida… aff

Responder
planocritico 24 de março de 2021 - 20:04

Pois é… Aquele martelo ali podia ter massacrado todo mundo em razão da decepção que foi esse episódio…

Abs,
Ritter.

Responder
Vanessa Sales 24 de março de 2021 - 19:37

Tudo que eu queria era ver a Laura morrer pelas mãos do Shadow. Shadow parece ser quem vai “libertar” as almas e os negros das prisões,já quero dupla com a Bilquis.
E voltamos para um episódio que se tornou ruim e o pouco avanço na série,caiu por terra. Shadow deve ser o homem do tempo
Nada de explicação sobre o gêmeo porém Shadow teve a escolha de seguir com o Odin ou descobrir sua história
Bilquis continua sem papel na série,uma pena pq a atriz é maravilhosa
Menino técnico burro
E eu sigo votando no carinha do martelo pq tô com sangue nos olhos esperando sangue jorrar
E no final fiquei feliz que Odin meio que voltou em razão da Laura não gostar.

Responder
planocritico 24 de março de 2021 - 20:05

Seu comentário resume bem o que o showrunner NÃO fez na temporada toda, apesar de ter tido oportunidade… Triste…

Abs,
Ritter.

Responder
Vanessa Sales 25 de março de 2021 - 21:44

Eu consegui enxergar um pouco de avanço nessa temporada mas tudo isso (que já não foi muito) foi transformado em mais dúvidas e zero soluções.
E prevejo que deve ter 4 temporada,já que o Neil está amando os rumos da série e agora que ele manda então. 😅

Responder
planocritico 25 de março de 2021 - 22:26

Olha, se tiver mais uma temporada, que seja mesmo a última!

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 25 de março de 2021 - 08:55

Eu n entendi nada de nada desse gêmeo do Shadow… Me explica?

Responder
Vanessa Sales 25 de março de 2021 - 21:41

Eu também não entendi bem
Mas creio eu que seria a parte que “falta” para o Shadow se encontrar como Deus. Mas parece que o par dele é a Laura,então já prevejo bosta.

Responder
planocritico 25 de março de 2021 - 22:26

Ninguém entendeu esse troço e essa saída de que “é a Laura” eu já odiei…

Abs,
Ritter.

Responder
Vanessa Sales 26 de março de 2021 - 09:32

E todas as cenas mostravam um Shadow preso não a Laura. Muito mal feito isso. E a velha que fez o parto do Shadow no final não serviu de nada.

planocritico 27 de março de 2021 - 03:00

Pois é. Não souberam usar os personagens que foram apresentados…

Abs,
Ritter.

Flavio Batista Dos Santos 25 de março de 2021 - 23:48

Me deu alguma luz nessa do gêmeo. Obrigado!
Como insistem com essa Laura.

Responder

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