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Crítica | American Horror Story – 10X03: Thirst

por Iann Jeliel
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  • Contém SPOILERS! Acompanhe aqui, as críticas dos demais episódios de Double Feature, e aqui, todo nosso material sobre American Horror Story.

Depois de dois episódios introdutórios ao núcleo principal muito fortes, American Horror Story e a primeira história de Double Feature, encontram em Thirst, aquele típico episódio de meio, que em outras temporadas, na linguagem da série, se perderiam a desbravações aleatórias de trama, com o intuito de trazer alguns elementos promíscuos avulsos para influenciar nos desdobramentos principais. Felizmente, tecnicamente nesta temporada, a dupla criadora Ryan Murphy e Brad Falchuk, está – não ironicamente com o tema da temporada – inspirada, e consegue trazer as quebras do acaso e fragmentação narrativa mais dividida entre vários núcleos, numa logística intercalar que não nos perde ou desarruma a linearidade principal.

Antes disso, confesso, a desculpa desviar o cliffhanger anterior foi um tanto brochante. Doris (Lily Rabe) passar mal depois de ter visto a filha comendo coelho morto no cemitério, assim sendo ser levada para o hospital e ficar uns cinco dias por lá, meio que procrastina um conflito que teria maior impacto se levado pela urgência sugerida do momento, explorando as consequências dramáticas da descoberta do vampirismo por de dentro da familia. Se nesse tempo não acontecer algo muito drástico aos personagens, será algo explorado inevitavelmente em algum momento – me arrisco a dizer, já no próximo episódio. Por mim, já poder-se-ia ter dado os primeiros passos aqui. Foi uma maneira muito simples de escantear a esposa. Mas tudo bem, como dito, Thirst vai para outros caminhos tão interessantes quanto que compensa.

O principal dilema vem na dinâmica paternal entre Alma (Ryan Kiera Armstrong) e Harry (Finn Wittrock) como vampiros. O pai se ver dividido entre abandonar as pílulas para fazer com que a filha também abandone, ou então ter de arcar em alimentá-la, correndo o dobro do risco, de ser descoberto ou coisa pior. Nesse pior, entra a primeira inserção aleatória do episódio, num segmento dele capturado por um casal de estupradores o qual ele procurava se alimentar. Apesar de ainda soar vulgarmente gratuito – como várias outras tramas em diferentes temporadas inserindo elementos de conotação sexual, porque é tabu, logo em contexto estranho é perturbador –, há um efeito de tensão forte no possível consequencial daquilo na jornada do personagem, onde ele poderia ter ficado em cativeiro ao longo do capítulo enquanto várias outras coisas aconteceriam em outros núcleos.

Basicamente o suspense funciona porque simpatizamos com Harry antes, receamos dele ficar exposto e trazer mais problemas para si, assim a inserção de Alma no jogo, nos deixa tensos por naturalmente o deixá-lo mais exposto a todo mundo. Nesse sentido, Thirst adequadamente começa a retirar a importância dramática do “ficar escondido”, numa transição que converte o sentimento de tensão já para as possíveis consequências da exteriorização: Austin (Evan Peters) e Belle Noir (Frances Conroy) ameaçam-no depois de descobrir o envolvimento da criança para fomentar o dilema mensurado; Chief Burleson (Adina Porter) começa a investigar o caso mais a fundo, a ponto de descobrir o envolvimento dos dois, morrendo para Alma no final – algo que certamente não ficará só por aí; Sua chefe Ursula (Leslie Grossman), chega na cidade e rapidamente também saca o que está acontecendo ao interagir com Mickey (Macaulay Culkin), assim vendo a oportunidade de criar uma legião de roteiristas inspirados pelas pílulas, tomando uma frente de persuasão particular, para o caso Harry.

Uma abertura, vários caminhos no roteiro. A montagem de novo, precisa ser parabenizada, na organização sequencial manipuladora destes fatos. Destaco a maneira como motivam a investida inevitável de Austin e Belle em Harry, não pela suposição aparente de acharem que ele vai querer continuar alimentando sua filha, mas sim porque ele trouxe indiretamente Ursula para a cidade. Algo que faria sentido só mais tarde no episódio, quando acompanhássemos ela tentando obter as pílulas direto da fonte criadora (Angelica Ross). Classico da série essa de esconder algo ou motivação para propor uma conexão automática nos desdobramentos, mas ao menos agora, isso foi feito sem soar conveniente, e sim coerente ao que foi ditado na cena. Essa troca de temporalidades entre cenas é bem sutil e econômica no episódio, também usada e perfeitamente executada nas duas conversas, entres as duplas Austin e Belle / Ursula e Mickey negociando com a química criadora das pílulas.

Apesar de não está no nível qualitativo exato dos dois episódios passados, por trazer características um tanto mais convencionais da série, não ter adentrado tanto mais na atmosférica da ambientação e o aspecto psicológico ter ficado mais subdividido, Thirst é um episódio de meio – considerando que serão seis episódios nessa primeira história de temporada – acima da média, cumprindo seu objetivo de capturar a atenção sobre cada promessa de caminhos promissores com condensação.

American Horror Story (Double Feature) – 10X03: Thirst | EUA, 1 de Setembro de 2021
Criação: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Loni Peristere
Roteiro: Brad Falchuk
Elenco: Evan Peters, Lily Rabe, Finn Wittrock, Frances Conroy, Leslie Grossman, Adina Porter, Angelica Ross, Macaulay Culkin, Ryan Kiera Armstrong, Rachel Finninger, Blake Shields, Kayla Blake, Jen Kober, Denis O’Hare, Joe Pistone, Sean Jenkins
Duração: 50 minutos

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