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Crítica | American Horror Story – 10X06: Winter Kills

por Iann Jeliel
2.121 views (a partir de agosto de 2020)

  • Contém SPOILERS! Acompanhe aqui, as críticas dos demais episódios de Double Feature, e aqui, todo nosso material sobre American Horror Story.

A primeira história de Double Feature, Red Tide, chega a seu fim, numa surpreendente previsibilidade assumida em execução objetiva. Se pegarmos a duração menor de 37 minutos de Winter Kills, ela seria a padronizada em temporadas passadas, mas nessa décima primeira acaba sendo uma surpresa diante da modéstia característica de seus showrunners, em querer explicar além da conta em seus finais, geralmente epilogares. A impressão é que sem esse fator, essa história poderia ter sido contada de maneira ainda mais curta. Tirando a duração extra de alguns episódios e aplicando-as em conjunto para formar um novo, descartando o filler Blood Buffet, que fica evidente não ter sido necessário para os desdobramentos desse. Imaginações a parte, foi bom para a American Horror Story não querer ir muito além e dividir a mesma temporada para duas histórias, forçando a objetividade, soluções práticas, ou no mínimo a condensação das eventualidades não exatamente seriam relevantes a história que preza em contar.

Há até uma brincadeira metalinguística disso com o contexto da temática de criatividade. Como um escudo de lacunas e convenções mesmo. Não interessa como Ursula (Leslie Grossman) convenceu aos vampiros de rua em atacar Belle Noir (Frances Conroy) e Austin (Evan Peters) – considerando que foi estabelecido mitologicamente que eles não teriam essa capacidade – o importante é que ela conseguiu para que existisse um clímax que Harry (Finn Wittrock) vencesse. No que lhe concerne, como representação de um roteirista de Hollywood, a sobreposição forçada desse deus ex máquina de uma nova pílula – anulando a proteção dos vampiros criativos com os não criativos – encaixa pelo comentário feito pouco antes de Noir a respeito da pouca criatividade dos finais hollywoodianos.

Em contrapartida, a vitória não iria para Harry, mas sim para Alma (Ryan Kiera Armstrong), que mata o pai depois de o discursinho dele de querer voltar a vida ao normal, sendo que a parte dramática da questão familiar já havia sido resolvida no episódio passado, com Doris (Lily Rabe) sendo descartada de modo igualmente imprescindível para o fechamento da história. No fim das contas, essa narrativa nunca foi sobre a jornada dos Gardners a insanidade. Eles eram apenas peões, como os demais personagens, para o centro temático chegar aonde queria, num fechamento de raciocínio que até já havia sido feito anteriormente, mas precisava se confirmar em desdobramentos. Quem morre, quem vive. A sobrevivência do mais forte. O caos vindo da consequência de expandir o vampirismo.

Foi previsível de maneira geral – quando Alma olha para Ursula após abraçar o pai, considerando o que ela fez com a mãe, tinha de ser muito inocente para não imaginar o que aconteceria a seguir –, mas foi coerente, principalmente porque as lacunas escolhidas a serem amarradas fazem sentido e eram realmente os maiores questionamentos. Cito dois exemplos: A primeira cena essencialmente serviu para responder o porquê não houve interferência policial exterior em Provincetown com a morte de Chief Burleson (Adina Porter), graças a cobertura do concelho da cidade também aos casos de assassinato para manter a fama local; “A Química” (Angelica Ross) estar manipulando Belle e Austin o tempo todo e não Ursula como ficou subentendido, amarra ao fato dela ter conseguido uma nova pílula de outro efeito para convencer os vampiros a atacarem a dupla de vilania.

Para o epílogo, mostra-se também, apenas o necessário. O fundo motivacional dos colocados como “mais fortes”. “A Química” usando a exposição das pílulas para matar racistas, naquela dose protocolar de revanchismo social colocado pela série. Alma vencendo o concurso de violino não no mérito, mas por matar seu principal concorrente (Benjamin Papac) – reiterando a mensagem dos atalhos para atingir a grandeza. Ursula dando palestra e espalhando a pílula para o mundo e eventualmente em salto temporal, as coisas saindo do controle a partir daí. Se fosse colocar alguns parênteses em Winter Kills, seria na construção cenográfica do clímax episódio, onde John J. Gray pouco tenta articular tensão com o sequestro do bebê, caindo no conforto de saber que sabemos o resultado, e não tentar manipulá-lo no suspense. Destaco negativamente a escolha extremamente brega da câmera lenta como momentos acelerados na filmagem da chacina principal.

Ademais, isso não retira a eficiência do episódio. Ainda que não seja uma exatamente a altura do seu potencial demostrado nos dois primeiros episódios primordialmente atmosféricos e que depois passaram a ser momentaneamente atmosféricos – a sequência de Ursula no cemitério é puro filme de terror, mas esse clima não está presente no capítulo todo, como foi nos primeiros – Winter Kills é uma conclusão satisfatória para a igualmente satisfatória Red Tide. Aguardemos, se a próxima história será tão boa quanto.

American Horror Story (Double Feature) – 10X06: Winter Kills | EUA, 22 de Setembro de 2021
Criação: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: John J. Gray
Roteiro: Brad Falchuk, Manny Coto
Elenco: Evan Peters, Finn Wittrock, Frances Conroy, Leslie Grossman, Adina Porter, Angelica Ross, Ryan Kiera Armstrong, Robin Weigert, Dot-Marie Jones, Benjamin Papac, Alan Brooks, Denis O’Hare, Pierce Cady, Laurie Deziel, Adam Lendermon, V Nixie, Christopher Carroll, Marnie Crossen, Rif Hutton, Joe Conti, Walter Cox, J.Stephen Brantley,  Roslyn Gentle, Nick Flaig, Matthew Brady, Eileen Gonzales, Cassandra Ballard
Duração: 40 minutos

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