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Crítica | American Horror Story – 10X08: Inside

por Iann Jeliel
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Inside

  • Contém SPOILERS! Acompanhe aqui as críticas dos demais episódios de Double Feature, e aqui, todo nosso material sobre American Horror Story.

Com uma melhoria considerável em relação ao episódio passado, Inside é a introdução que Death Valley merecia, mesmo já representando metade da história. Fica muito claro, nas características de American Horror Story, que a atmosfera de Double Feature é diretamente ligada à criatividade do conceito, ou melhor, à descoberta de sua originalidade conforme a progressão narrativa. Foi assim em Red Tide, o que justificou os dois primeiros episódios terem uma força sobressalente aos demais, pois estávamos descobrindo junto ao protagonista o vampirismo por pílulas de criatividade. Para esta história de teor conspiratório é uma proposta que encaixa de maneira ainda melhor, pois quanto mais somos estimulados a descobrir os pormenores do acordo entre os alienígenas e o governo americano – pressupondo o conhecimento de teorias do imaginário popular sobre essa relação –, mais elementos temos para ficar deslumbrados com a elaboração da nova abordagem mostrada.

Inside também evidencia e justifica o porquê de serem duas narrativas, ao colocar um elemento de ligação mais forte entre os tempos. No caso, não mais direcionado aos personagens, mas sim, a descoberta do conceito. Vemos no passado preto e branco que os alienígenas vieram para se reproduzir na terra, fazendo um acordo com Dwight (Neal McDonough) representante dos americanos, de poder abduzir cerca de cinco mil pessoas por ano e fazer experimentos nelas, nos quais, visavam possibilitá-los como “barrigas de aluguéis” que salvariam a espécie extraterrestre. Neste núcleo, não fica muito claro a logística do acordo ou a resultante anatômica desse cruzamento. São coisas propositadamente colocadas em aberto, maturadas em tensão para ter um complemento e fator de ligação da história no próximo tempo.

Acho bem legal – apesar de ser uma escolha óbvia – como entrelaçam o assassinato de Kennedy (Mike Vogel) a uma tentativa dele de tornar público esse acordo. Assim como a forma que utilizam a “confirmação” do suposto caso do ex-presidente com Marilyn Monroe (Alisha Soper) nos dez primeiros minutos de episódio, para corroborar na construção do suspense político entre Dwight e Nixon (Craig Sheffer) vindo depois da abertura, na administração do segredo e das periculosidades que podem acontecer caso isso venha à tona. Para quem não conhece, há uma teoria de que Monroe foi morta por saber informações secretas do governo, informações colocadas neste capítulo, como a existência dos Aliens compartilhada por Kennedy. Uma ótima sacada para quem já leu sobre, assimilar seu assassinato indiretamente à questão dos aliens. A morte de Kennedy acaba fazendo a mesma assimilação, só que de forma mais direta. Ambas são “confirmadas” quando olhamos para o núcleo presente, onde o quarteto de adolescentes vai ao hospital fazer um ultrassom das suas gravidezes e a radiologista é morta por homens de preto governamentais, que por consequência, capturam os jovens.

Ainda vale comentar, de novo, como a série vem brincando com a percepção de crossover. Na história que Marilyn compartilha quando criança (de que teve experiência com extraterrestres), aqueles mesmos flashes de luz forte de Asylum aparecem na cena de seu flashback. Na parte do presente, o “refeitório” com fundo todo branco, remete às cenas de devaneios de Grace (Lizzie Brocheré), que lembremos, também estava grávida e saiu de lá com um bebê humano. No clímax do capítulo, cujo gancho foi a coisa que eu mais tinha mais curiosidade de ver, no caso, como os homens grávidos iriam parir (o que gerou uma boa tensão durante o episódio), nos deparamos com uma obstetra híbrida de Alien e humana (Angelica Ross), uma informação que nos faz ficar ainda mais curiosos sobre a funcionalidade do conceito por trás da relação de “possessão”, além de cogitar as conexões com as aparições deles já nas primeiras temporadas.

Inside parece ter sido construído para essa revelação, que é a grande introdução da história, na prática. Desde a cena do misterioso feto não mostrado que sai de Amelia (Lily Rabe), até como e quando possuíram Mamie (Sarah Paulson), a esposa de Dwight . A relação híbrida das espécies é a chave da originalidade de Death Valley. A troca parasitária estabelecida no acordo, onde ambas as partes experimentam-se na tentativa de se “salvar”. Os aliens da extinção. Os humanos/estadunidenses da guerra. Resta saber se essa narrativa ainda terá progresso verdadeiro, porque faltam dois episódios e muitas conspirações a se descobrir e desenvolver. Death Valley facilmente caberia numa temporada inteira, especialmente considerando a objetividade em que vem se desenhando. Então é bem possível que, no fim, tenhamos o sentimento – padrão na série – de desperdício de uma boa ideia, mas dado esse inesperado e inédito salto de qualidade de um episódio para outro, durante uma mesma história, podemos torcer pelo melhor.

American Horror Story (Double Feature) – 10X08: Inside | EUA, 06 de Outubro de 2021
Criação: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Tessa Blake
Roteiro: Brad Falchuk, Manny Coto, Kristen Reidel
Elenco: Sarah Paulson, Lily Rabe, Leslie Grossman, Angelica Ross, Neal McDonough, Kaia Gerber, Nico Greetham, Isaac Powell, Rachel Hilson, Rebecca Dayan, Craig Sheffer, Alisha Soper, Christopher Stanley, Mike Vogel, Jacqueline Pinol, Len Cordova, Brett Edwards, Jeff L. Williams, Masud Majeed, Michael Broderick
Duração: 40 minutos

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