Crítica | American Horror Story 5X08: The Ten Commandments Killer

estrelas 3,5

O que faz de The Ten Commandments Killer o melhor episódio de AHS: Hotel até agora (e o único, além de Checking In a ter um bom roteiro) é o fato de os roteiristas e criadores da série, Brad Falchuk e Ryan Murphy, terem respeitado a quantidade enorme e desnecessária de personagens criados ao longo dos outros 7 episódios e localizá-los o máximo possível dentro da trama, algo que, apesar de toda a dificuldade e mesmo com ausências importantes — apesar de justificadas, dada a temática central já prevista pelo título, que não é randômico –, se configura um suspiro de alívio para o espectador.

Ao revelar ago que todo mundo já sabia, o episódio põe fim a uma onda de ações filler e nos mostra ação + revelação de forma coesa, ligando aspectos do passado e do presente dos personagens de forma tão orgânica que eu não acreditei no que estava vendo. Dado o raso nível dos textos que tivemos de Chutes and Ladders a Flicker, a organização dos eventos e a participação dos personagens aqui realmente impressionaram.

Observe as pequenas participações da Condessa, de Donovan, Iris e dos (outros) Lowe no episódio. À medida que a revelação sobre John se construía, passado e presente se agrupavam para formar parte de um quebra-cabeça onde [quase] todos possuíam algum papel. E este não é o caso isolado de um episódio de explicação, porque já tivemos outros que potencialmente poderiam render muito mais espanto e que padeceram de um isolamento inexplicável dos personagens, mesmo que esta ponte entre tempos e ações estivesse em cena. O que o roteiro de The Ten Commandments Killer faz de diferente é mostrar o que deveria ser mostrado, mesmo que de forma sutil.

Acompanhando esse bom uso dos personagens, percebemos que a ausência de outros é suportável dada a especificidade da história e vejam que este é o único episódio com um título-anúncio, ou seja, sabíamos de antemão o que esperar, e nos colocamos na seguinte posição: não devo cobrar do episódio aquilo que ele não se dispõe a dar. Imaginem como seria diferente se, para efeito de melhor aproveitamento do público, tivéssemos episódios temáticos e não vendavais onde tudo acontece ao mesmo tempo, onde pseudo-mistérios brotam do texto e onde mais e mais personagens surgem das profundezas do Cortez, da tela, das entrelinhas… The Ten Commandments Killer prova que sim, é possível criar uma história com leque ampliado se o roteiro não resolver falar sobre tudo e acabar não falando sobre nada.

A volta de um bom trabalho da equipe técnica a favor do episódio também foi muito bem vinda aqui. A bem da verdade, eu sempre admirei a visão barroca dos showrunners desde que essa visão fizesse sentido para o episódio. Nesta temporada tivemos ótimas representações da direção de arte, figurinos, fotografia e maquiagem, claro, mas houveram muitos exageros e dispersões. Neste oitavo episódio, o foco dual na representação da imagem — basicamente dividido entre paletas de diferentes cores e funções dramáticas que lembram a neutralidade e, do outro lado, os seus opostos carregados de emoções mortais –, um padrão que se reflete nos diálogos e nas atuações.

Pela primeira vez nesta temporada Evan Peters aparece bem utilizado e com toda a sua constituição afetada justificada pela história e bem colocada no enredo. Que bom que pelo menos uma vez ele (que tem o maior número de falas aqui) conseguiu a oportunidade de mostrar o bom ator que é e nos dar muito mais em um único episódio do que supostamente nos foi entregue através de migalhas mal lançadas em capítulos anteriores. Wes Bentley mantém-se com a aparência de assustado a maior parte do tempo, mas isto também se justifica aqui dado o impacto da lembrança que ele teve e a forma bem estruturada como ela o afeta, fazendo-o passar de um homem perturbado por uma memória que não sabe se é verdadeira até assumir a maldade ao final do episódio. Aqui também tivemos a sua melhor atuação até o momento.

Embora não tenha sido brilhante e inesquecível, esse episódio se destacou facilmente no pântano desta 5ª Temporada. Confesso que tive uma agradável surpresa e pela primeira vez terminei um capítulo da temporada feliz, esperando com grande ansiedade a chegada da próxima semana para ver o desenrolar da coisa toda. Será que é pedir demais que os próximos tenham pelo menos a mesma (ou melhores, vai saber…) estrutura? Será?

American Horror Story 5X08: The Ten Commandments Killer (Estados Unidos, 02 de dezembro de 2015)
Direção:  Loni Peristere
Roteiro:  Brad Falchuk, Ryan Murphy
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Evan Peters, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Lady Gaga, Mare Winningham, Richard T. Jones, Lennon Henry, Jessica Belkin
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.