Home TVEpisódio Crítica | American Horror Story – 6X10: Chapter 10

Crítica | American Horror Story – 6X10: Chapter 10

por Guilherme Coral
146 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Obs.: contém spoilers do episódio. Leiam aqui as nossas críticas do restante da temporada.

Após os dramáticos acontecimentos do episódio passado estávamos incertos em relação ao que aconteceria aqui em Chapter 10. Evidentemente o foco seria em Lee, visto que ela fora a única sobrevivente da casa de Roanoke, mas qual seria a abordagem precisa ainda não sabíamos. Murphy e Falchuk, que, além showrunners, assinam o roteiro do capítulo, fazem uma pequena brincadeira nos minutos iniciais, nos fazendo acreditar que, novamente, fora tudo encenação, mas logo sacamos a jogada do texto e vemos que se trata de um evento relacionado à primeira temporada da série fictícia, My Roanoke Nightmare.  O que segue nos pega totalmente de surpresa, mas se configura como um epílogo bastante desnecessário para a temporada.

Não que estejamos diante de um episódio ruim, muito pelo contrário – através de metalinguagens, um crossover com Asylum e um pouco mais do que vimos em Roanoke, esse ponto final da temporada consegue amarrar tudo com precisão, mas não poderíamos enxergar Chapter 9 como um desfecho melhor? Vejam, com a destruição da casa o tom cíclico da trama é perdido, Lee passou a representar mais que apenas uma pessoa que foi morar lá e sim alguém que venceu a Açougueira (ainda que o custo pessoal tenha sido imenso). Ninguém mais irá morar ali e não somos deixados com aquele gosto amargo, sabendo que mais vítimas podem encontrar os espectros assassinos da Lua de Sangue (apenas os ocasionais turistas e os policiais na cena final, é claro).

Chapter 10 é certamente o capítulo mais diferente dessa temporada, misturando found footage, talk-show e filmes/ séries sobre julgamentos. Fugimos um pouco do clima de terror que se estabelecera durante todo esse ano e somente retornamos nos momentos finais. Dito isso, Falchuk e Murphy conseguem manter a tensão no espectador através do sobrevivente dos Polk e o sumiço da filha de Lee, que ganha mais destaque aqui. Porém perdemos aquela sensação de estarmos vendo uma série dentro de outra, fazendo com que esse season finale soe como algo à parte de todo o restante.

Claro que a volta de Lana “Banana” é mais que bem vinda, por mais que constitua um puro fan-service e já nos abre a pergunta se todas as temporadas não se passam dentro do mesmo universo, algo já teorizado pelos fãs desde a segunda temporada de American Horror Story. Felizmente, a inclusão de Winters no episódio funciona para alavancar a narrativa para a frente e  para quem assistiu Asylum não há como não temer pela morte da querida personagem diante do ataque do Polk.

Os momentos finais, apesar de trazer o sacrifício inesperado de Harris, são estabelecidos de maneira burocrática e com elementos bastante previsíveis, com mortes que em nada acrescentam após o banho de sangue visto nos capítulos anteriores. Quase chegamos a ter um semblante de final feliz em Roanoke, mas evidente que todos aqueles policiais ali encontrariam os fantasmas daquela região e o roteiro sabiamente esquiva da repetição finalizando no momento certo, dando a entender que mais mortes ocorrerão ali. Lee se junta aos espíritos locais, ainda que de forma diferenciada e chegamos ao fim da temporada.

Chapter 10 é um ótimo capítulo, mas bastante desnecessário. A temporada poderia muito bem ter acabado no episódio anterior, mas isso não afasta nossa percepção de que assistimos ao melhor ano de American Horror Story. Brad Falchuk e Ryan Murphy conseguiram nos entregar um verdadeiro show de horrores com poucos deslizes ao longo de seus dez episódios, com uma narrativa marcada pela metalinguagem. Certamente Roanoke irá deixar saudades e podemos apenas esperar para que os próximos anos sejam tão bons quanto esse.

American Horror Story – 6X10: Chapter 10 — EUA, 16 de novembro de 2016
Showrunners:
Brad Falchuk, Ryan Murphy
Direção:
Bradley Buecker
Roteiro: Brad Falchuk, Ryan Murphy
Elenco:  Kathy Bates, Adina Porter, Sarah Paulson, Cuba Gooding Jr., Lily Rabe,  André Holland, Denis O’Hare, Evan Peters, Cheyenne Jackson, Angela Bassett, Leslie Jordan, Brian Howe, Danielle Macdonald, Emma Bell
Duração: 45 min.

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23 comentários

Edson Santos 29 de setembro de 2019 - 19:55

Achei uma bosta o final. Os showrunners sempre cagam em todos os finais (exceto na terceira temporada). O que estraga é sempre a mania de enfiar coisas demais depois que tudo já terminou. Esperando um dia que eu possa dar nota 10 em alguma temporada sem me decepcionar com o final.

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Vicente Ishikawa 19 de novembro de 2016 - 00:06

De todas as temporadas do AHS está com certeza é a melhor e mais empolgante, mas a conclusão me deixou bem desapontado (para ser exato, tive uma sensação incomoda de deja vu) porque o final de Lee, me lembrou muito mas muito mesmo de um filme de terror japones (Honogurai mizu no soko kara / Dark Water/Água Negra), mas é uma produção para TV americana afinal, então que seja. Mas concordo que se terminasse no episodio anterior ficaria melhor. Este 10 episodio é muito bom mas a conclusão que fica é “pra que?”

Responder
Huckleberry Hound 19 de novembro de 2016 - 18:34

A versão americana de Água Negra é um dos raros casos de um remake que se compara com o original (ou até supera)!

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Huckleberry Hound 19 de novembro de 2016 - 18:34

A versão americana de Água Negra é um dos raros casos de um remake que se compara com o original (ou até supera)!

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Vicente Ishikawa 19 de novembro de 2016 - 00:06

De todas as temporadas do AHS está com certeza é a melhor e mais empolgante, mas a conclusão me deixou bem desapontado (para ser exato, tive uma sensação incomoda de deja vu) porque o final de Lee, me lembrou muito mas muito mesmo de um filme de terror japones (Honogurai mizu no soko kara / Dark Water/Água Negra), mas é uma produção para TV americana afinal, então que seja. Mas concordo que se terminasse no episodio anterior ficaria melhor. Este 10 episodio é muito bom mas a conclusão que fica é “pra que?”

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Giuseppe Verdi 18 de novembro de 2016 - 20:03

Gostei mt do episódio final e da temporada em si. As atuações estavam espetaculares, eu senti mais medo da Kathy Bates do que dos espíritos, a Adina Potter eu acho que fez um trabalho incrível e a Sarah Paulson fez três personagens na temporada e arrebentou nos três. De ponto negativo, eu só pontuaria duas coisas:

Senti falta de uma abertura

Queria ver mais cenas com a Gaga só que ela sem ser a bruxa, mas a atriz. Todo mundo teve seu momento como personagem no My Roanoke Nightmare e como ator/atriz, menos ela.

De resto só a elogiar, sem dúvida alguma a melhor temporada de American Horror Story.

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Giuseppe Verdi 18 de novembro de 2016 - 20:03

Gostei mt do episódio final e da temporada em si. As atuações estavam espetaculares, eu senti mais medo da Kathy Bates do que dos espíritos, a Adina Potter eu acho que fez um trabalho incrível e a Sarah Paulson fez três personagens na temporada e arrebentou nos três. De ponto negativo, eu só pontuaria duas coisas:

Senti falta de uma abertura

Queria ver mais cenas com a Gaga só que ela sem ser a bruxa, mas a atriz. Todo mundo teve seu momento como personagem no My Roanoke Nightmare e como ator/atriz, menos ela.

De resto só a elogiar, sem dúvida alguma a melhor temporada de American Horror Story.

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Leandro Joanni 18 de novembro de 2016 - 19:50

Eu simplesmente adorei esse desfecho. Meu coração quase saiu pela boca quando vi Lana Banana na tela ( E convenhamos, como Sarah Paulson foi brilhante nessa temporada.)
Depois de tantos acontecimentos no capítulo 9, esse season finale precisa surpreender, e conseguiu.

Responder
Leandro Joanni 18 de novembro de 2016 - 19:50

Eu simplesmente adorei esse desfecho. Meu coração quase saiu pela boca quando vi Lana Banana na tela ( E convenhamos, como Sarah Paulson foi brilhante nessa temporada.)
Depois de tantos acontecimentos no capítulo 9, esse season finale precisa surpreender, e conseguiu.

Responder
Flávio 18 de novembro de 2016 - 17:42

Concordo com a ideia de que Roanoke poderia ter acabado no episodio 9, achei esse ultimo muito repetitivo, não tinha necessidade de colocarem mais pessoas para morrer na casa, alem do desfecho de Lee ter sido muito clichê, mas em geral foi uma boa temporada!

Responder
Flávio 18 de novembro de 2016 - 17:42

Concordo com a ideia de que Roanoke poderia ter acabado no episodio 9, achei esse ultimo muito repetitivo, não tinha necessidade de colocarem mais pessoas para morrer na casa, alem do desfecho de Lee ter sido muito clichê, mas em geral foi uma boa temporada!

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Tiago Lima 18 de novembro de 2016 - 16:56

Que final mais anticlimático! No fim o último episódio foi o mais fraco ( em minha leitura), mas não tira de form alguma o mérito da temporada que foi em si um interessante exercício de metalinguagem dos modelos de documentação ” da vida real” e como a mesma usa do sofrimento alheio para promover seu próprio capital e mercado. Também é interessante como organicamente o foco da narrativa muda. Começamos acompanhando Shelby e Matt e gradualmente somos direcionados a Lee. E como bem apontado pela crítica é interessante analisarmos que Roanake tem um final mais amargo, diferente do tom “final feliz” que a franquia promovia. De fato uma ótima temporada.

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Tiago Lima 18 de novembro de 2016 - 16:56

Que final mais anticlimático! No fim o último episódio foi o mais fraco ( em minha leitura), mas não tira de form alguma o mérito da temporada que foi em si um interessante exercício de metalinguagem dos modelos de documentação ” da vida real” e como a mesma usa do sofrimento alheio para promover seu próprio capital e mercado. Também é interessante como organicamente o foco da narrativa muda. Começamos acompanhando Shelby e Matt e gradualmente somos direcionados a Lee. E como bem apontado pela crítica é interessante analisarmos que Roanake tem um final mais amargo, diferente do tom “final feliz” que a franquia promovia. De fato uma ótima temporada.

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Jamerson 18 de novembro de 2016 - 16:07

Acredito que tenha sido um episódio necessário sim, tanto para o desfecho da narrativa quanto para mostrar que, apesar de ser uma série de horror, os produtores não esquecem que há personagens e o público em geral os acompanha e cria um laço afetivo por eles. Lee desde o começo da trama (mesmo na atuação de Monet) funciona como personagem base para o drama necessário da temporada, o casal “Audrey/Matt” nunca tiveram forte empatia como Lee conseguiu com menos tempo de tela. O que acredito ter sido desnecessário foi o fato de que a “Deusa” interpretada por Lady Gaga na primeira parte ter sido tão “endeusada”, enquanto na segunda parte ter sido praticamente um easter egg, onde não é explicada sua real origem ou como sua influência afetava os demais. Mas enfim, uma temporada como nenhuma outra, essa se aproveitou dos erros e acertos das temporadas passadas, acrescentou uma nova perspectiva e acertou em cheio numa narrativa cheia de reviravoltas e “sem piedade”! Que venha o ano 7.

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Jamerson 18 de novembro de 2016 - 16:07

Acredito que tenha sido um episódio necessário sim, tanto para o desfecho da narrativa quanto para mostrar que, apesar de ser uma série de horror, os produtores não esquecem que há personagens e o público em geral os acompanha e cria um laço afetivo por eles. Lee desde o começo da trama (mesmo na atuação de Monet) funciona como personagem base para o drama necessário da temporada, o casal “Audrey/Matt” nunca tiveram forte empatia como Lee conseguiu com menos tempo de tela. O que acredito ter sido desnecessário foi o fato de que a “Deusa” interpretada por Lady Gaga na primeira parte ter sido tão “endeusada”, enquanto na segunda parte ter sido praticamente um easter egg, onde não é explicada sua real origem ou como sua influência afetava os demais. Mas enfim, uma temporada como nenhuma outra, essa se aproveitou dos erros e acertos das temporadas passadas, acrescentou uma nova perspectiva e acertou em cheio numa narrativa cheia de reviravoltas e “sem piedade”! Que venha o ano 7.

Responder
dave120 18 de novembro de 2016 - 15:05

melhor temporada

Responder
dave120 18 de novembro de 2016 - 15:05

melhor temporada

Responder
Opie 18 de novembro de 2016 - 15:02

2016 certamente é um ano onde séries estreantes (que seguem sendo incrivelmente boas) venceram as séries que voltaram com temporadas novas, mas AHS: Roanoke conseguiu se superar e parece que foi a única a voltar com uma temporada superior as anteriores

Responder
Opie 18 de novembro de 2016 - 15:02

2016 certamente é um ano onde séries estreantes (que seguem sendo incrivelmente boas) venceram as séries que voltaram com temporadas novas, mas AHS: Roanoke conseguiu se superar e parece que foi a única a voltar com uma temporada superior as anteriores

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Alex Alves 18 de novembro de 2016 - 14:31

Exato, o mais bacana foi a volta de Lana Banana de resto um episódio apenas legal, achei somente desnecessário a atitude da personagem Lee aceitando a loucura de sua filha. Na minha opinião a segunda melhor temporada da série perdendo somente para a 2° temporada.

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Alex Alves 18 de novembro de 2016 - 14:31

Exato, o mais bacana foi a volta de Lana Banana de resto um episódio apenas legal, achei somente desnecessário a atitude da personagem Lee aceitando a loucura de sua filha. Na minha opinião a segunda melhor temporada da série perdendo somente para a 2° temporada.

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Huckleberry Hound 18 de novembro de 2016 - 14:28

O fantasma dos Chen sempre me lembra Kayako Saeki:
http://31.media.tumblr.com/6cf5e271ee10de775211c6c5bc8923a7/tumblr_mqp59khami1s6a1fio1_500.gif
Eu assisti a versão americana quando tinha 12 anos e tive visões dela no meu quarto á noite!

Responder
Huckleberry Hound 18 de novembro de 2016 - 14:28

O fantasma dos Chen sempre me lembra Kayako Saeki:
http://31.media.tumblr.com/6cf5e271ee10de775211c6c5bc8923a7/tumblr_mqp59khami1s6a1fio1_500.gif
Eu assisti a versão americana quando tinha 12 anos e tive visões dela no meu quarto á noite!

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