Home TVEpisódio Crítica | American Horror Story – 7X04: 11/9

Crítica | American Horror Story – 7X04: 11/9

por Guilherme Coral
143 views (a partir de agosto de 2020)

– Contém spoilers do episódio. Leiam, aqui, as nossas outras críticas da série.

Em minha crítica do episódio anterior de American Horror Story, terminei o texto com a seguinte frase: “Claro que ainda estamos no início desse sétimo ano, mas alguma revelação já seria bem-vinda a esse ponto.” Mal imaginava que, no capítulo desta semana, teríamos apenas revelações, com grande parte do mistério dessa temporada indo embora a favor da construção desse culto/ gangue formada por Kai Anderson (Evan Peters). Como da água para o vinho, saímos da completa ignorância para quase um profundo conhecimento acerca do que está acontecendo naquela vizinhança, transição essa que acaba nos deixando com a pulga atrás da orelha.

Enquanto que nos três primeiros episódios dessa sétima temporada acompanhamos, quase que exclusivamente, o casal formado por Ally (Sarah Paulson) e Ivy (Alison Pill), aqui o foco é alterado completamente, pulando de personagem a personagem, sequencialmente, a fim de nos revelar quem segue os ideais de Kai. Vemos Harrison (Billy Eichner), Meadow (Leslie Grossman), Beverly (Adina Porter) e, por fim, Gary (Chaz Bono), sendo convencidos pelo sujeito e, no fim, somos deixados em dúvida sobre a própria Ivy, que já conhecia Winter ( Billie Lourd) antes dessa ser entrevistada para ser a babá de seu filho, informação não compartilhada com sua esposa, Ally.

Certa dose de revelações sempre é bem-vinda em obras de terror e suspense. Elas não apenas nos tiram do lugar comum, como permitem que a narrativa siga adiante, alterando o status quo da trama, que, em geral, acaba estagnando se ficar muito tempo sem desfazer parte de seu mistério. O problema de 11/9 é que tudo é feito de uma vez só, transformando esse em um capítulo praticamente didático, que quebra a estrutura narrativa construída até então, interrompendo a história de Ally a fim de nos mostrar o que está acontecendo. Para piorar, tudo é feito de maneira anticlimática, ao passo que somente nós, espectadores entendemos o que há por trás da gangue de palhaços, enquanto que as vítimas em si, mais notavelmente a própria protagonista, é deixada de lado.

Essa ruptura na narrativa geral da temporada também se estende para a estrutura interna do episódio, que pula de personagem em personagem de maneira burocrática, não sabendo intercalar os fatos, mostrando-os um a um, estabelecendo uma não-linearidade que nos faz percebermos a duração de cinquenta e um minutos como sendo muito maior do que efetivamente é – foram inúmeras as vezes que me peguei olhando para o relógio enquanto assistia o episódio, verificando se esse não era, de fato, um capítulo duplo. Por mais que seja gratificante enxergar como tudo nessa temporada para estar se encaixando, não há como desculpar as totais quebras de imersão ocorridas ao longo de 11/9.

O que salva o episódio é a construção do personagem de Evan Peters, que quase chega a nos fazer relevar o quão artificial foi a persuasão de seus seguidores. Embora tenha sido apresentado como um eleitor fanático de Donald Trump, aos poucos descobrimos que Kai apenas utilizou o estado de instabilidade deixado pelas eleições para criar sua própria revolução, servindo seus próprios propósitos, que, até agora, parecem se resumir a semear o caos naquela vizinhança. Peters consegue muito bem transitar entre o retrato da psicopatia e a figura do amigo atento para as necessidades do outro, pintando a perfeita imagem do manipulador, que mostra sua verdadeira cor quando já confiam nele.

Esses esforços do ator, no entanto, são incapazes de nos fazer esquecer dos evidentes problemas desse episódio, que nos trouxe as esperadas revelações a custo da orgânica progressão narrativa, tanto interna quanto da temporada como um todo. Burocrático e nada imersivo, 11/9 vem como um grande deslize dentro dessa sétima temporada de American Horror Story. Esperamos que, nas semanas seguintes, os showrunners, Ryan Murphy e Brad Falchuk, consigam levantar a série, utilizando essas revelações para desenvolver, no ritmo adequado, os seus episódios.

American Horror Story – 7X04: 11/9 — EUA, 26 de setembro de 2017
Showrunner: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Gwyneth Horder-Payton
Roteiro: John J. Gray
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cheyenne Jackson, Billie Lourd,  Alison Pill,  John Carroll Lynch, Billy Eichner, Leslie Grossman, Cooper Dodson, Jorge-Luis Pallo, Zack Ward,  Adina Porter
Duração: 51 min.

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22 comentários

Vitor Emanuel 25 de novembro de 2018 - 23:40

Eu acabei de assistir e concordo 100% com a sua crítica,essa quebra de linearidade abandona a imersão.

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Eliezer Pereira 19 de outubro de 2017 - 00:09

Também curti muito esse episódio. Aguçou mais a curiosidade do que está por vir nos próximos. Aliás, focar a série só na personagem da Sarah Paulson estava cansativo e repetitivo.

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Bruno Dornelles Rangel 3 de outubro de 2017 - 11:57

Pra mim foi o melhor episódio da temporada. E a revelação de que Ivy (apesar de que eu já esperava que ela fizesse parte do culto) conhecia Winter antes de ela ser babá foi boa.

Discordo de quem diz que a temporada não faz sentido algum. Foram apenas quatro episódios e têm mais sete para as coisas acontecerem e serem explicadas.

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MAT 2.0 1 de outubro de 2017 - 05:01

Na minha opinião o Kai é o menino loirinho da primeira temporada, neto da Constance que ela cria como filho no final, ele convence e atrai as pessoas por ser o anticristo

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Bruno Dornelles Rangel 3 de outubro de 2017 - 11:59

Acho que pela linha do tempo isso é impossível, pois Murder House se passa em 2011 e Cult em 2016/2017. Eu tinha até pensado que talvez pudesse ser Oz, mas como ele foi parar com Ally e Ivy daí já não sei.

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MAT 2.0 5 de outubro de 2017 - 00:08

Murder house se passa em 2011 ? Não necessariamente, só pq lançaram neste ano?

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Massi Marques 30 de setembro de 2017 - 16:35

As revelações não me incomodaram. Achei o episódio perfeito, assim como está sendo a temporada.

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Maze 30 de setembro de 2017 - 04:18

Gente, eu tô adorando essa temporada (por enquanto, pois os finais do ryan murphy geralmente beiram a depressão de tão decepcionantes e insatisfatórios com sua própria proposta e potêncial, na qualidade que cai drasticamente).
Kai está sendo um ótimo vilão (talvez o melhor da série? Veremos). E vejo a equipe criativa pariodiando sem limites todos os lados possíveis, diferente do que alguns falam, não vi “mimimis” (detesto esse termo a propósito), eles realmente zoaram todo mundo de forma bem inserida na trama e com todo o sentido, não me senti ofendida ou que estivessem atacando certos grupos, apenas com criticas relevantes e bastante sutis, o que a grande massa não deve entender, eu receio.

Apesar de não concordar com a opinião das criticas dos dois últimos episódios, vocês estão fazendo um ótimo trabalho, consistente e que pega as falhas e problemas que muitas vezes o público ignora. Parabéns Guilherme, ótima crítica.

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curiosa gospel 29 de setembro de 2017 - 23:37

está sendo ainda pior que a péssima temporada anterior

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Huckleberry Hound 30 de setembro de 2017 - 12:26

O que?Eu achei ótimo na minha opnião foi a temporada mais assustadora!

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curiosa gospel 30 de setembro de 2017 - 18:07

corageem

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Pietro Skarsgård 29 de setembro de 2017 - 19:25

To gostando bastante dessa temporada.

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Maze 30 de setembro de 2017 - 04:24

Finalmente uma outra pessoa está gostando da temporada além de mim por aqui….. Que alívio.

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Alex Alves 29 de setembro de 2017 - 15:44

A temporada não esta fazendo muito sentido na minha opinião, não tem lógica alguma Ivy conhecer Winter e tramar contra sua própria família além de perder dinheiro, e o restaurante.

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Bruno Dornelles Rangel 3 de outubro de 2017 - 12:00

Provavelmente isso será explicado mais pra frente. Foram apenas quatro episódios.

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Gustavo Rodrigues 29 de setembro de 2017 - 00:00

Essa temporada ta conseguindo se superar de tão ruim, personagens forçados e esteriotipados, envolveram até politicagem, quero meu AHS de volta

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Luiz Santiago 28 de setembro de 2017 - 18:26

Essa série é satanista?

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Junito Hartley 28 de setembro de 2017 - 18:50

De Deus que nao é!

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Huckleberry Hound 28 de setembro de 2017 - 20:44

A das bruxas é muito!

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Maze 30 de setembro de 2017 - 04:21

Não vimos nenhum demônio por enquanto, mas não podemos descartar a possibilidade, afinal, com um culto, um líder sem limites e possível ajuda ou poderes sobrenaturais como kai, ainda mais chamando os outros de humanos, não humanidade ou civilização, fica a teoria hipotética no ar.

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Antony Tavares 30 de setembro de 2017 - 23:46

É sim, passe longe irmão.

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Marcelo lopes 28 de setembro de 2017 - 15:36

Achei legal a mudança no episódio, espero q pelas revelações a série não fique” sem gás ” para os próximos episódios

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