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Crítica | American Horror Story – 7X06: Mid-Western Assassin

por Guilherme Coral
125 views (a partir de agosto de 2020)

– Contém spoilers do episódio. Leiam, aqui, as nossas outras críticas da série.

Com um início explosivo, a tensão já aparece imediatamente em Mid-Western Assassin, sexto capítulo da sétima temporada de American Horror Story. Após conhecermos a história por trás do culto de Kai Anderson, a história volta a ser desenvolvida prioritariamente no presente, com Ally novamente no centro das atenções. Se tínhamos receio do que veríamos na segunda metade desse ano, já que praticamente todos os mistérios foram revelados, agora conseguimos enxergar um caminho mais sólido para a temporada, com essa deturpada figura política sendo martirizada, ganhando, assim, mais força.

Depois de testemunharmos, em câmera subjetiva, o tiroteio durante o evento político, pulamos para onde fomos deixados na semana anterior: Meadow escapa de seu “marido” e do policial, pedindo ajuda a Ally, somente para ser capturada novamente. Após resgatá-la, Ally descobre mais sobre o culto, percebendo o quão cercada está – como única alternativa, recorre aos únicos que ainda acha que pode confiar: seu psiquiatra (irmão de Kai, lembram?) e a adversária de Anderson nas eleições, que é descartada tão rapidamente quanto fora introduzida, sendo assassinada pela gangue mascarada, assim que a protagonista revela o que há por trás desses assassinatos. Enquanto isso, assistimos a crescente paixão de Meadow por Kai, através de alguns bem inseridos flashbacks.

Há de ser louvada a maneira concisa como essa temporada vem sendo construída. Os showrunners, Ryan Murphy e Brad Falchuk, escolhem um ou dois personagens por capítulo e mantém a história focada quase que exclusivamente neles, sem grandes devaneios, que poderiam fragmentar a estrutura dos episódios, dilatando-os de maneira a entregar pouco desenvolvimento ao espectador, que, portanto, teria menos daquela sensação de recompensa ao terminar a exibição. Ainda que seja estranho ver a personagem Beverly Hope no “banco de reserva” aqui em Mid-Western Assassin, já que nos anteriores ela recebeu um bom destaque, entendemos a decisão do roteiro em manter a maior linearidade possível.

À essa altura da temporada, é seguro dizer que não temos a típica presença do medo, como comumente vemos em filmes de terror por aí – ele foi substituído pelo medo como foco da trama: utilizado por Kai a fim de alcançar o poder, não muito diferente de inúmeros políticos que vemos por aí (não somente nos EUA, claro). É desconfortável, portanto, ver como a direção de Bradley Buecker, insiste em utilizar jump scares e outros recursos visuais típicos do gênero, já que esse não é o foco aqui. A questão do medo em si e instabilidade política ainda dialoga com os recentes atentados em território americano, especialmente com o tiroteio em Las Vegas, até de forma inapropriada – é estranho, até mesmo desrespeitoso, ver um tiroteio contra civis em tela tão próximo desse acontecimento, por mais que o paralelo seja evidente, tornando a série mais atual do que nunca.

Deixando isso de lado, o twist final, envolvendo Kai e Meadow foi executado de maneira singular, tirando o problema da conveniente mudança de lado da personagem, que, agora, tem um motivo claro para revelar o que há por trás do culto, além de meramente funcionar como artifício do roteiro. Além disso, é bom ver como essa personagem, que já permanecia deslocada há algum tempo, ganha seu merecido tempo em tela, de tal forma que sentimos a importância de cada indivíduo ali – nenhum deles permanecendo meramente como figurantes, com todos possuindo papéis bem específicos, seja o redneck que cortou a própria mão, ou a repórter responsável por transmitir o terror aos cidadãos daquela região.

Se antes duvidávamos da possibilidade de Kai efetivamente conseguir algum poder, essa duvida foi colocada abaixo em Mid-Western Assassin, episódio que soube muito bem quebrar nosso receio em relação ao futuro dessa temporada. Com Ally presa e Anderson criando sua imagem de Cristo renascido, o que fica difícil visualizar agora é um final feliz para toda essa história – novamente somos deixados ansiosos pela semana posterior, com a temporada claramente sendo renovada.

American Horror Story – 7X06: Mid-Western Assassin — EUA, 10 de outubro de 2017
Showrunner: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Bradley Buecker
Roteiro: Todd Kubrak
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cheyenne Jackson, Billie Lourd,  Alison Pill,  John Carroll Lynch, Billy Eichner, Leslie Grossman, Cooper Dodson, Jorge-Luis Pallo, Zack Ward,  Adina Porter
Duração: 51 min.

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23 comentários

Vitor Emanuel 28 de novembro de 2018 - 03:01

A temporada anterior (Roanoke) foi puro entretenimento. Mas aqui em Cult,temos uma narrativa que foca num protesto político e filosófico genial. Esse foi o episódio que me fez começar a entender o que os roteiristas e produtores estão fazendo.
Essa temporada não é pra divertir. É pra fazer pensar e refletir.

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curiosa gospel 15 de outubro de 2017 - 17:38

um idiota como o personagem do evan peters ter convencido o grupo que o segue a cometer crimes é surreal até pra ficção. personagem sem carisma algum

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Gustavo Rodrigues 16 de outubro de 2017 - 15:23

acho o mesmo, é muita forçação de barra um cara fazer a cabeça de varias pessoas, todos personagens nessa temporada são sem carismas, temporada pessima

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Massi Marques 16 de outubro de 2017 - 22:37

Na vida real, idiotas piores que ele vão muito mais longe.

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Bruno 18 de outubro de 2017 - 15:46

Charles Manson manda lembranças

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curiosa gospel 18 de outubro de 2017 - 19:46

charles manson é anos 2017 ne a ta

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Tiago Guilherme 15 de outubro de 2018 - 16:18

Charles Manson usava ácido e seu grupo de hippies idem. Cult foi uma temporada super inverossímil.

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Massi Marques 14 de outubro de 2017 - 17:38

Com Kais e Trumps sendo eleitos na base da alienação, me pergunto quando vai chegar nossa vez com o Bozonazi….

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JC 14 de outubro de 2017 - 22:18

O discurso da concorrente dele…parece que tava falando do futuro do Brasil. Isso sim me deu medo!

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Antonio Junior 15 de outubro de 2017 - 12:15

Falou o massa de manobra da mídia!
O cara ta entendendo a serie toda errada. Era pra vc não ser um manipulado. Mas ta caindo no culto da mídia que quer impor medo na população ao demonizar esses políticos só pq são pro-familia e pró-odem e segurança.

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Massi Marques 15 de outubro de 2017 - 16:15

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder
Massi Marques 15 de outubro de 2017 - 16:16

“políticos pro-familia e pró-odem e segurança” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder
curiosa gospel 15 de outubro de 2017 - 17:39

ser defensor da familai siginica hétero e evangélico , que limitação
todas as pessoas que n estão sob essa linha devem ser pessoas que nasceram de chocadeira para vcs bolsominios

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Vitor Emanuel 28 de novembro de 2018 - 03:06

A série mostra que os dois lados tendem a mentir e manipular….
Não é atoa que a esposa da Ally e a irmã do Kai que são esquerdistas participam do Culto,pelo simples fato..de que elas desejam matar quem discorda delas.

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Neto Ribeiro 14 de outubro de 2017 - 00:40

Essa temporada vem me surpreendendo e eu até previ. Achei o 7×01 um episódio de abertura simples (comparado aos de outras seasons) e isso podia ser bom. Depois de dois episódios meio problemáticos (2 e 3), a temporada se organizou e vem entregando bons enredos, acho que está caminhando pra ser a terceira melhor temporada da série (depois de Asylum e Murder House). Orando desde já para que não estraguem tudo!

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Vitor Emanuel 28 de novembro de 2018 - 03:08

Asylum e Cult são as minhas favoritas.
E também são as mais realistas.

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Isaac 13 de outubro de 2017 - 23:38

Esse episódio foi incrível! Com o desenvolvimento que a trama está tendo, não senti falta em nenhum momento das cenas de horror como sentia nos primeiros episódios. A única coisa que me incomoda é o Ozzy aparentemente estar sendo deixado de lado sem muitas explicações, assim como a Scarlett em Hotel (ou teve alguma coisa que eu perdi???), mas desde “11/9” a qualidade e o nível de importância de cada episódio dentro da temporada vêm sendo crescentes.

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Pedro M 13 de outubro de 2017 - 19:28

“[…] é estranho, até mesmo desrespeitoso, ver um tiroteio contra civis em tela tão próximo […]” do tiroteio em Las Vegas? Ora, a função da arte é exatamente expor o que está ocorrendo no mundo, de modo a compreender o status quo que levou a tais acontecimentos. Indico este vídeo do Trevor Noah, no qual ele aponta reportagens falando que este não seria o momento adequado para falar sobre o controle de armas. Ora, qual momento mais adequado do que este? Este é O momento para fazer reverberar tais discussões, e a cena em questão deste maravilhoso episódio de AHS é uma bela adição, nos ajudando a ver como a violência é politizada em função de certas figuras. Que venha o próximo episódio!!
https://www.youtube.com/watch?v=hw1RrmlrTtM

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Junito Hartley 13 de outubro de 2017 - 18:22

A serie ta boa e tal, mais nao ta parecendo american horror story, ta mais pra uma serie de suspense (nao estou criticando). Sobre a Ally acredito que ela nao vai ficar presa, ali tinha bastante gente pra testemunhar que nao foi ela quem atirou, salvo se geral ali for comprado pelo Kai, ai sim ela ta na merda.

PS: A cena inicial alguem dizer se foi gravada depois de las vegas ou antes?

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Isaac 14 de outubro de 2017 - 23:50

Foi gravada antes, não sei se em agosto ou começo de setembro, mas foi antes.

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Abduljamais 13 de outubro de 2017 - 18:19

Sei que o melhor lugar não é esse, mas…

Cadê a análise do trailer de Star Wars The Last Jedi?!?

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planocritico 16 de outubro de 2017 - 11:33

Decidimos não fazer a análise desse trailer pela quantidade de potenciais spoilers que consideramos que ele tem.

Abs,
Ritter

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Abduljamais 17 de outubro de 2017 - 11:57

Compreendo.
Mas faz falta a análise de vocês. E se…
opção 1: analisasse as reações ao trailer, tentando esconder os possíveis spoilers, apenas narrando o que vocês sentiram vendo o trailer.
opção 2: mete possível spoiler na cara, mas coloca o aviso: trailer com spoiler!
Acredito que outros além de mim teriam interesse em ver alguma coisa nesse sentido. As críticas de vocês são muito boas!
independente disso, may the force will be with you!
58 dias para Star Wars, e contando…

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