Crítica | American Horror Story – 8X06: Return To Murder House

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

É comum que em séries que duram um tempo considerável no ar, uma boa parte do elenco principal (e até secundário) acabe dirigindo alguns episódios. Em alguns casos, isso pode ser algo natural, se o ator ou atriz já dirigiu antes ou tem claramente ambições de trabalhar atrás das câmeras. Noutras ocasiões é apenas uma nova oportunidade, aliada ao estudo de alguém da equipe, acordo com os showrunners e uma maneira de reunir amigos de uma forma inteiramente orgânica, inclusive na condução do capítulo. Este é o caso de Return To Murder House.

Dando sequência aos eventos de Boy Wonder, em uma construção de arco que, creio, está tomando todos nós de grande surpresa pela qualidade do que está sendo apresentado, este sexto episódio da temporada marca a estreia de Sarah Paulson na direção, mostrando pulso firme e que também entende de verdade as dinâmicas visuais e cênicas de American Horror Story.

Na trama, Madison e Behold Chablis, destinados a fazer uma “pesquisa de campo” sobre o passado de Michael Langdon, compram a casa que nos aterrorizou na 1ª Temporada e resolvem fazer a visita oficial de descoberta. Entre magias que não funcionam e encantamentos de invocação, a dupla consegue fazer com que os espíritos se mostrem, e então a conversa acontece. Basicamente, as perguntas que fizemos em The Morning After são respondidas e devidamente contextualizadas aqui, dando um suporte narrativo que a maioria dos espectadores esperavam, especialmente porque o crescimento do Anticristo e sua colocação no caminho que o levou a se encontrar com Mead ainda não haviam ficado claros. Até agora. E é justamente por isso que se explica o enorme fulgor de aplausos em relação ao episódio (até o momento que escrevo esta crítica, o mais bem cotado do show). Particularmente, não acho que foi um episódio melhor que Could It Be… Satan? (para mim, até agora, o melhor da temporada), mas ainda assim, é uma baita de um exercício televisivo.

Não é sempre que temos uma marinheira de primeira viagem entregando um resultado visualmente tão interessante. A fluidez dentro dos blocos, na direção de Sarah Paulson, não denuncia que esta é apenas a sua estreia e só percebemos esse tipo de posição quando atentamos para os cortes secos ao fim de cada grande ato. No roteiro, as coisas ligadas à ascensão do Capetão funcionaram bem, mas não consegui ver com olhos totalmente elogiosos a finalização dos conflitos na casa. Eu entendo o apelo, achei particularmente muito bonito o que foi feito com Moira, mas esse tipo de abordagem, para mim, simplesmente não avançou muito em qualidade e significado, sendo menos importante para o todo do que, pode exemplo, o resgate de Queenie do Hotel.

Agora que o arco ligado ao passado de Michael está resolvido, imagino que a série irá seguir com a linha do presente no mundo pós-catástrofe nuclear, mostrando o embate das bruxas (e bruxos?) contra o Mal encarnado. Foi muito bom ver Jessica Lange de volta e presenciar toda força que ela e a equipe original da série trazem para a tela. Foi como colocar um ponto final em uma história que nem imaginávamos que precisava de um ponto final. Agora, estamos prontos para seguir. Se um flashback vier, será para mostrar como Mead virou um robô, mas fora isso, o que mais do passado há para resolver, de fato? Faltando 4 episódios para o encerramento da temporada, é lícito pensar que a luta para salvar o mundo será a principal temática. Vocês estão apostando em um final feliz?

American Horror Story – 8X06: Return To Murder House (EUA, 17 de outubro de 2018)
Direção: Sarah Paulson
Roteiro: Crystal Liu
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cody Fern, Emma Roberts, Kathy Bates, Dylan McDermott, Connie Britton, Frances Conroy, Jessica Lange, Taissa Farmiga, Billy Porter, Naomi Grossman, Mena Suvari, Carlo Rota, John Duerler
Duração: 54 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.