Crítica | American Horror Story – 8X07: Traitor

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Como era de se esperar, voltamos para a linha principal de eventos ligados ao fim do mundo, mas ainda dentro dos flashbacks. Neste episódio, porém, a abordagem de Adam Penn, no roteiro, responde uma das perguntas que tínhamos desde que se descobriu que a Mead do presente é um robô: como foi que ela morreu? E cá estamos com esta resposta, adicionada a mais algumas outras colocações que, em uma única frase, me deixaram extremamente feliz por essa temporada estar seguindo um caminho orgânico e muito bem pensado em termos de sequência de eventos. Quem diria…

O que mais chama a atenção aqui é a maneira simples e objetiva com que a sequência dos eventos está sendo colocada na tela. Considerando o histórico da série, vocês sabem que isso é algo raro e, para uma antologia complicada como esta Apocalypse, é ainda mais impressionante a fluidez das coisas. Até um retorno como o de Papa Legba faz total sentido nessas condições. Em outro ponto, notem como a ascensão da nova Suprema (parece que Mallory, de fato, é a grande escolhida para chegar ao máximo posto) é tratada rapidamente, com a direção de Jennifer Lynch utilizando aquele mesmo modelo de exposição no estilo Cinema Mudo para mostrar que a personagem passava pelo seu teste, embora sem toda a pompa e circunstância que normalmente aparecem nessas situações.

O retorno de Myrtle também é mostrado aqui e a inserção dela, na sequência inicial do episódio, me arrancou inúmeras risadas, especialmente quando colocada ao lado de Bubbles McGee. Frances ConroyJoan Collins formam um contraste dramatúrgico ao mesmo tempo hilário e ameaçador, estando em momentos de grande força para o Coven nesse capítulo, todos muito bem fotografados, especialmente nas cenas noturnas, as minhas favoritas dessa temporada. A formação da “equipe de combate ao Anticristo” por Cordelia é definitivamente estabelecida aqui, e toda a marca de bruxaria, batalhas entre feiticeiros e bruxas e oposição à ascensão de um destruidor do mundo se coloca na ativa. E não demora em começar a fazer o seu primeiro contra-ataque.

Eu nunca estive em uma temporada de American Horror Story onde a sensação de história sendo bem contada na linha principal e em seus atalhos se unem para dar conta da temática principal. Já se vão sete episódios e não há nenhuma tentativa de “reinventar a roda” ou fazer coisas épicas e irresponsáveis, além do já interessante foco principal em um apocalipse nuclear. Até aqui, a coisa tem funcionado muito bem. Faltando três partes para o encerramento do crossover, só nos resta invocar um feitiço para que o mesmo rigor seja aplicado na reta final. Pelo jeito, agora é a vez de presenciarmos o que antecedeu ao fim do mundo. E se ele permanecerá ou não destruído.

American Horror Story – 8X07: Traitor (EUA, 24 de outubro de 2018)
Direção: Jennifer Lynch
Roteiro: Adam Penn
Elenco: Sarah Paulson, Adina Porter, Billie Lourd, Leslie Grossman, Emma Roberts, Cheyenne Jackson, Kathy Bates, Frances Conroy, Lance Reddick, Taissa Farmiga, Gabourey Sidibe, Jamie Brewer, Jon Jon Briones, Billy Porter, BD Wong, Lauren Stamile
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.