Crítica | American Horror Story – 8X10: Apocalypse Then

PLANO CRITICO AMERICAN HORROR STORY APOCALYPSE THEN

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

À guisa de um consolo pessoal que simplesmente não veio, assim que terminou este Finale da 8ª Temporada de AHS, eu disse para mim mesmo: “bom… poderia ter sido pior“. E isso é verdade. A própria série já provou que pode afundar vertiginosamente no encerramento de suas temporadas, não é mesmo? Mas o sentimento maior nesse Apocalypse Then foi o de traição da nossa atenção e, principalmente, de confirmação para o que suspeitávamos desde que a série chegou à sua segunda metade: uma extensão demasiada para os flashbacks que gerariam consequências ruins, com um final absurdamente corrido e mal organizado.

A cada fade que aparecia no episódio meu coração disparava e eu pensava “por favor, que não acabe agora” e o pedido, infelizmente, não era pelos motivos certos. Sim, há mais motivos para se enraivecer: o roteiro é dos criadores da série, Ryan Murphy e Brad Falchuk, então nem a desculpa de que “foi o roteirista que não soube colocar a visão dos showrunners para a programação da temporada” pode-se dar. Que morte horrível. Então a gente tenta juntar os pedaços e olhar de uma maneira mais pé no chão para o episódio. Acima do tudo, o que deu errado? E a resposta é clara: a má preparação do tempo da temporada para dar conta do propósito final, ou seja, fazer do Apocalypse e da ascensão do Anticristo um ciclo sem fim. O conceito é bom? Sim, muito. Tem o seu caráter bíblico e o de cultura pop entrelaçados, é um bom casamento a meu ver. Mas a execução…

Não sei se é o caso de vocês, mas eu me senti cheio de conflitos ao longo do episódio. Porque, a rigor, estamos falando de um capítulo final repleto de coisas muito boas, se vistas de forma isolada. As atuações, o aparato estético e o próprio tratamento para a questão do fim do mundo são muito bons. Mas o roteiro aqui simplesmente empilha ato em cima de ato, não dá espaço para nada se desenvolver como deveria, deixa uma porção de cosias apenas sugeridas (e mais para frente vemos o “estágio final” delas e temos que assumir sozinhos o que foi que aconteceu antes), ou seja, é uma conclusão cheia de migalhas jogadas no colo do público, que deve se contentar em juntar uma por uma para ver se consegue formar o pão. Um verdadeiro desperdício de premissa e estrutura lógica de uma temporada.

Dos desvios narrativos, o que talvez mais tenha me incomodado foi a péssima forma como o texto puxou o fio do “casal Adão e Eva” para a reta final. Sim, eu gosto do conceito deles serem parte do ciclo para um novo Anticristo, mas para personagens que foram ignorados ao longo de toda a temporada simplesmente aparecem no final com esse peso? Difícil de engolir. E sim, talvez você, pequeno gafanhoto permissivo, vá justificar que “fazia parte de um plano maior que eles fossem salvos no começo, mas o valor deles só viria depois“. Sim, isso é um fato. Mas a não ser que você esteja vendo uma série de TV pela primeira vez na vida, não dá para defender essa abordagem como algo aceitável na condução de uma temporada, não é mesmo? Se algo tem importância primordial, ele deve ser tratado como algo importante, não apenas jogado e depois resgatado. Todos os simbolismos postos no início da série não são o bastante para, depois de uma longa caminhada pelo passado, aparecem aqui, distanciados e deslocados do fim do mundo, como “justificativas” para os pais do Neo Anticristo. Faltam ligações.

Já o ponto preguiçoso veio pela narração de Mallory no final. Eu normalmente tenho bastante paciência para narrações em off (meus pares normalmente torcem o nariz para isso), desde que o uso não seja preguiçoso e sim uma questão de estilo ou de facilidade adequada ao momento. Aqui, a narração começa como uma ponte (aceitável) entre blocos do episódio e depois vira um escoro conveniente, talvez nem tanto na forma como narra as consequências para o Coven, mas, novamente, como é em todo esse final, na ligação dessa parte com os blocos que sobraram. Para uma temporada cheia de ótimos capítulos, chegamos a um final que infelizmente é medíocre, apesar dos momentos isolados que nos fazem lembrar o por quê falamos tão bem do desenvolvimento desse serial… De toda forma, é bom saber que o mundo sempre está à beira de um Apocalipse. Faz sentido. E pelo andar da carruagem, provavelmente a “geração correta” do Filho de Satã não está muito longe de ser a geração vitoriosa não…

American Horror Story – 8X10: Apocalypse Then (EUA, 14 de novembro de 2018)
Direção: Bradley Buecker
Roteiro: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Adina Porter, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Emma Roberts, Kathy Bates, Frances Conroy, Lily Rabe, Angela Bassett, Jessica Lange, Taissa Farmiga, Gabourey Sidibe, Jamie Brewer, Billy Eichner, Naomi Grossman, Kyle Allen, Ash Santos, Carlo Rota, Nicholas Hodge
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.