Crítica | American Horror Story – 9X01: Camp Redwood

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Uma temporada slasher? Sim, era exatamente um campo que American Horror Story estava devendo a visita, abordando diretamente o tema com sua estética, conceitos sociais (sempre presentes nas temporadas da série) e medos específicos da Era retratada. Com roteiro dos criadores Ryan Murphy e Brad Falchuk, este episódio inicial de AHS: 1984 não faz vergonha ao gênero que se dispôs representar e, à parte aqueles problemas que encontramos na maioria dos episódios introdutórios das séries, se saiu muito bem em termos de expor a ideia geral para este nono ano do show.

A premissa é daquelas clichês de telefilmes oitentistas, muitos deles, obviamente, de terror. Estamos no verão de 1984 e cinco amigos resolvem sair de Los Angeles para trabalhar como coordenadores em Camp Redwood, local que 14 anos antes presenciara um massacre, com a morte de 9 garotas, tendo apenas uma sobrevivido, a atual proprietária do local. Isso já é o bastante para  mostrar todas as cartas do que vai ser a temporada, contando também com outro assassino à solta, o famoso Night Stalker/Richard Ramirez (Zach Villa), cujo fantasma nós já vimos em Hotel.

Mas para além do conceito geral de Camp Redwood, destaca-se aqui a criação estética para toda essa Era, o que também não é nada novo para os espectadores da série, convenhamos — e isso é verdade a ponto de temporadas inteiras terem de realmente positivo apenas o aspecto visual. Quem assina a direção aqui é Bradley Buecker, um veterano no programa e que não se segura em nenhum momento, abarrotando o episódio de referências ao gênero em questão e aos anos 1980, cabendo, desde a [estranhamente divertida e nostálgica] abertura, diversas referências políticas, à base americana do fanatismo religioso que se vendia e vende fartamente na TV, passando por referências a drogas, moda, esportes e à febre fitness, em cujo seio estão os personagens principais.

Evidente que para tudo tem um limite e o diretor (assim como os roteiristas) simplesmente riem na cara do espectador quando forçam o encontro pornograficamente conveniente desses jovens na academia, mas no fim das contas não é algo que derruba a qualidade do episódio, apenas impede que ele cresça. No decorrer da trama, algumas pequenas cenas como essas também aparecem, mas nesse caso — e tenho certeza de que isso cobrará maior atenção minha, como crítico e também como espectador — é preciso saber separar o que é má escrita do roteiro e abordagem conceitual de um gênero, ou seja, da estupidez vergonhosa dos personagens dos slasher nos anos 80. O desafio maior para os roteiristas dessa temporada será manter um bom ponto de partida e chegada dessas bobagens, para que nelas se encaixem as coisas inteligentes do roteiro, o que, todos sabemos, não é novo para esse tipo de obra, mesmo no caso de franquias (vide a coisa linda que é Pânico 4, por exemplo).

Os personagens, mesmo tendo um meio em comum (algo que exala preguiça dos roteiristas), conseguem se diferenciar muito bem uns dos outros, tanto pela excelente composição dramatúrgica do elenco — nem todos aqui são bons atores, mas eu realmente gostei do ideal que cada um criou para seu personagem — quanto pela caracterização muito particular de cada um, à parte as diferenças físicas e étnicas, evidentemente. De cara, 1984 se mostra uma temporada atrativa, onde o espectador saberá exatamente o que encontrar e o que previamente esperar no que diz respeito ao gênero-guia, pensando em algo com um padrão televisivo e mesmo cinematográfico já fortemente estabelecido, algo que não temos na série desde Coven. Em casa, nós já estamos. Só falta agora sermos surpreendidos.

American Horror Story 9X01: Camp Redwood (EUA, 18 de setembro de 2019)
Direção: Bradley Buecker
Roteiro: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Elenco: Emma Roberts, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Matthew Morrison, Gus Kenworthy, John Carroll Lynch, Angelica Ross, Zach Villa, DeRon Horton, Orla Brady, Mitch Pileggi, Lou Taylor Pucci, Don Swayze, Tara Karsian, Emma Meisel, Kat Solko, Conor Donnally, Pierce Minor, Erik Gersovitz
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.