Crítica | American Horror Story – 9X02: Mr. Jingles

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Talvez o que eu menos esperava neste segundo episódio de AHS: 1984 era um episódio de reafirmação do cenário de medo, dando uma continuidade direta e não apenas temática a Camp Redwood, ao mesmo tempo criando novas situações para personagens e abrindo possibilidades para o mistério da temporada.

Por um lado, há uma frustração em relação à abordagem geral, porque o roteiro de Tim Minear “não mexe no time que está ganhando” e faz as novidades orbitarem timidamente a primeira noite dos coordenadores no acampamento, deixando a mesma ambientação (em tempo e espaço) do episódio anterior como ponto de partida para algo que não muda em quase nada o momento atual dos personagens — nem na frustrada tentativa de fuga. Por outro lado, mesmo pagando o preço em relação ao ritmo (algo que a montagem às vezes bem preguiçosa corrobora) a decisão de manter essa ambientação me pareceu, no geral, acertada. E explico porquê.

No episódio passado eu tinha apontado a decisão pouco ousada de colocarem o ponto de partida de todos os personagens mais jovens num mesmo lugar. Aqui, tivemos uma boa ideia de como esse probleminha inicial foi incorporado a um rápido conserto na série, pois logo temos um flashback para o passado de Brooke (Emma Roberts) e olha, que sequência sensacional! Assim como tudo nessa temporada, até o momento, as referências ao slasher e à estética/dinâmica dos filmes de terror nos anos 80 estão em toda a parte, da trilha sonora e direção de fotografia até detalhes no desenho de produção e temáticas escolhidas, como o casamento sanguinolento de Brooke, por exemplo, uma ótima maneira de marcar o território do horror na vida da personagem, dinâmica que imagino ser adotada para todos os outros, mais adiante.

Outro ponto que acabou se encaixando bem na escolha do roteirista, foi a dubiedade acrescentada a Margaret Booth, personagem de Leslie Grossman. Existe uma ironia imensa na composição dessa personagem (com certeza, cortesia dos showrunners), que representa a onda empresarial e progressivamente extremista, como veríamos com o tempo, dos cristãos fanáticos nos Estados Unidos, mais organizados e mais enlouquecidos do que os que discursavam na TV durante os anos 1960. E é através de sua tortuosa visão do cristianismo + algum tipo de mistério que a envolve e que ainda deve nos surpreender bastante, vemos a personagem se aliar a Richard Ramirez (Zach Villa) contra Mr. Jingles. Muita coisa interessante ainda deve sair daí.

Agora que temos um acréscimo de algo sobrenatural na série, eu espero que o show consiga aproveitar bem o material, não utilizado apenas como algo exótico e muito conveniente, como foi aqui. No final, quando o contexto foi dado para o fantasminha camarada, as coisas melhoraram bastante, agora só falta um propósito para que suas atitudes não pareçam gratuitas. Até o momento, tudo vai bem em 1984. Os problemas são poucos e a série mostra uma real preocupação em homenagear uma década em particular do slasher, fazendo isso de maneira coerente. Com dois episódios de marcação introdutória para personagens e ambientes, é hora de a trama deste nono ano começar a sair das sombras. Preparados?

American Horror Story 9X02: Mr. Jingles (EUA, 25 de setembro de 2019)
Direção: John J. Gray
Roteiro: Tim Minear
Elenco: Emma Roberts, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Matthew Morrison, Gus Kenworthy, John Carroll Lynch, Angelica Ross, Zach Villa, DeRon Horton, Orla Brady, Lou Taylor Pucci, Todd Stashwick, Steven Culp, Spencer Neville, Zach Tinker, Frederick Dawson, Alexandra Fatovich, Christopher Murray, Steve Kuzj, Cash Galvan, Mateo Gallegos, Alex Livinalli, Laura Vallejo, Carlos Javier Rivera, Jessica Nielson
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.