Crítica | American Horror Story – 9X03: Slashdance

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Com elementos gerais de filmes homônimos e com um roteiro de tirar o fôlego, Slashdance reúne num único episódio uma porção de pistas (que não sabíamos que eram pistas) colocadas nos capítulos anteriores e, como eu apontei em Mr. Jingles, começa de fato a construir uma história de intrigas para que o público busque respostas enquanto lida com as mortes. A ação se passa na mesma noite que vimos chegar em Camp Redwood e mantém todo mundo em movimento. Mas muitas outras coisas são adicionadas à história, tornando-a mais intrigante e interessante.

Escrito por James Wong, o roteiro não só traz muitas surpresas, mas também reescreve as primeiras impressões que tivemos dos personagens no começo da série. Retroativamente, dá para ver o Piloto dessa temporada com olhos ainda bem mais simpáticos, e pelo jeito que as coisas andam aqui, a premissa de esconder elementos e revelar segredos aumentará ainda mais essa mudança de percepção. O fato é que a morte de Ray (DeRon Horton, que deve voltar como fantasma), as revelações sobre a enfermeira Rita (Angelica Ross, que está excelente nesse episódio!) e sobre Montana (Billie Lourd) deram à temporada um peso diferente e uma dinamicidade que eu realmente não esperava que viesse tão cedo e com um plot tão inteligente como este.

O mais interessante é que, em essência, as coisas são bem simples aqui. A narração é uma continuidade pontual do episódio anterior e temos uma passagem entre a fuga e uma marca cada vez maior do medo para todo mundo. Ou pelo menos para os personagens que não estão escondendo nada. Agora com as informações que tivemos, a correria, a busca por abrigo e a necessidade de confiança ou de se afastar de determinadas pessoas assume um papel importante no enredo, característica absolutamente cativante dos slasher mais inteligentes. Ao brincar com o julgamento do público e dos próprios personagens, o show abre as portas para diferentes tratamentos dramáticos, dando significado maior à temporada. Quem diria, não é mesmo?

Exceto pelos dois flashbacks, não existe nenhuma mudança na fotografia dos eventos neste episódio. O ambiente noturno continua tendo um bom tratamento, com aquele filtro leve de azul que deixa as coisas um pouco mais macabras e dá o esperado contraste com o verde das árvores nas menores incidências de luz, uma escolha bem inteligente do fotógrafo. Sobre a cena do passado de Ray não há muito o que dizer. É algo chocante e que explora bem a personalidade covarde do personagem, todavia não é nada memorável, diferente da excelente sequência com Angelica Ross e John Carroll Lynch. Cheio de excelentes mortes, ferimentos e com uma direção que flui como um rio de sangue pela floresta, Slashdance mostra a real face dessa temporada. Para a macabra felicidade de todos nós.

American Horror Story 9X03: Slashdance (EUA, 2 de outubro de 2019)
Direção: Mary Wigmore
Roteiro: James Wong
Elenco: Emma Roberts, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Matthew Morrison, Gus Kenworthy, John Carroll Lynch, Angelica Ross, Zach Villa, DeRon Horton, Orla Brady, Mitch Pileggi, Dreama Walker, Mark Daugherty, Sean Liang, Pierce Minor, Andrew Tippie, Renton Pexa, Coda Boesel
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.