Crítica | American Horror Story – 9X04: True Killers

leslie_grossman_plano crítico True Killers

Em muitas medidas, True Killers é um episódio com surpresas que não são tão surpresas assim. Mas isso não significa que a revelações feitas pelo roteiro de Jay Beattie não tenham o poder de nos chocar. Seguindo-se ao excelente SlashdanceTrue Killers foca em mais uma quebra geral de expectativas, trazendo a revelação sobre Margaret Booth (Leslie Grossman), a forma como ela incriminou Mr. Jingles e todo o processo de criação do monstro, o que, em conceito, realoca num outro ambiente aquilo que já vimos a série trabalhar em Asylum. E o resultado é, novamente, incrível.

Jennifer Lynch consegue dirigir o episódio como uma sequência de toda correria que os três capítulos anteriores apresentaram, mas tem a plena noção de onde fazer cenas mais longas, de onde explorar o silêncio e onde compor planos angustiantes, como na cena de Xavier (Cody Fern) dentro do forno ou de Jingles (John Carroll Lynch) passando pelo “tratamento” que supostamente o curaria… de algo que ele não sofria. A injustiça da falsa acusação é elevada aqui a um patamar de criação de um culpado em cima da inocência, o que é algo ainda mais terrível. Agora realmente abraçando uma maldade fabricada nele, Jingles se tornou um monstro, só que em Camp Redwood ele é apenas mais um em meio aos monstros.

Enquanto no capítulo anterior a montagem apresentava algo que realmente parecesse uma dança, com passos em diferentes lados e ações mais ou menos em suspenso (o jogo com o “falso assassino” ou “falsas mortes”, por exemplo), neste aqui ela adota um caminho de fluidez que abraça técnicas do suspense e do próprio slasher, quando quer entregar respostas. E isso funciona muitíssimo bem aqui, abrindo questões oportunas para o desenvolvimento da série, que já avançou muito em apenas quarto episódios e provavelmente terá uma vertiginosa sequência de assassinatos até o Finale, sempre com essa dúvida em relação à autoria dos crimes (daqui a pouco teremos mais assassinos e cúmplices do que vítimas) e com mais revelações sobre o passado dos personagens.

A ligação de Richard Ramirez (Zach Villa) com Satã e sua volta dos mortos — após uma fantástica luta com Jingles, no melhor estilo Freddy vs. Jason — estabelece também mais uma camada na base sobrenatural da série, pois não nos esqueçamos de que havia um fantasminha perambulando por ali, e acredito que tenhamos alguns outros no decorrer da série. O final de True Killers se dá o luxo de ser didático demais e da pior maneira possível, colocando uma explicação literal (e repetindo-a mais de uma vez!) após o público já ter entendido o que estava acontecendo. Mas este ponto não é algo que mata as melhores coisas da trama. Amém. A questão é que a série está indo tão bem, que a gente começa a ficar com medo, conhecendo as loucuras que o senhor Ryan Murphy fez em anos anteriores. Que os deuses do slasher nos protejam.

P.S.: a propósito, que tal o TCC dessa semana, meus queridos orientandos? O que é a Fenomenologia do Espírito ou mesmo A Distinção: Crítica Social do Julgamento perto deste petardo TCCístico (hein? hein?) que é a minha crítica de AHS, nénon? Até o TCC da semana que vem! E não se esqueçam: bebam água!

American Horror Story 9X04: True Killers (EUA, 9 de outubro de 2019)
Direção: Jennifer Lynch
Roteiro: Jay Beattie
Elenco: Emma Roberts, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Matthew Morrison, Gus Kenworthy, John Carroll Lynch, Angelica Ross, Zach Villa, Orla Brady, Tara Karsian, John DeLuca, Kat Solko, Emma Meisel, Conor Donnally, Zach Tinker, Andrew Tippie, Renton Pexa, David Bowe, Vanessa Giselle, Luke Lowrey
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.