Crítica | American Horror Story – 9X05: Red Dawn

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Referenciando o título e usando a dinâmica de ataque-e-reação de Amanhecer Violento (1984), este episódio nos trouxe um excelente meio de temporada, surpreendentemente mantendo a alta qualidade do nono ano do show com tudo o que se tem direito, de diversas mortes a um largo andamento narrativo. Confesso que desde Murder House eu não vi a série trabalhar de modo tão objetivo, orgânico e constantemente interessante um plot geral, sem precisar fazer um trilhão de desvios inúteis no meio do caminho.

O roteiro de Dan Dworkin ainda consegue trazer um flashback que dá maior coerência ao comportamento de DeeDee (enfermeira Rita), desde o descobrimento das trevas que dominavam o seu pai até a tentativa cada vez mais extrema e maluca de estudar o comportamento psicopata de alguém. Notem que foi uma cena rápida, com a melhor fotografia e direção de arte de todo o episódio e que ainda assim conseguiu deixar claro o ponto de partida para a fragilidade emocional ou o desequilíbrio psíquico de alguém como a psicóloga. E as sementes desse horrendo laço são vistas no decorrer do capítulo, com os já esperados retornos dos personagens como fantasmas e o estabelecimento de uma quebra dramática que, sinceramente, me deixou muito impressionado.

E não digo isso pelo ineditismo da coisa (conhecemos esse recurso narrativo desde Psicose), mas sim pelas consequências que isso pode trazer para a história, uma vez que é difícil segurar um enredo no alto depois desse tipo de quebra. Agora que chegamos ao meio da temporada, que a polícia foi chamada ao acampamento e que Brooke foi presa (culpada não apenas pelo assassinato de Montana, mas por todos os outros, nesse caso, injustamente), fica aquele “vazio” em relação ao que a proposta central da temporada pode nos trazer de tão mais cativante como o que tivemos até o momento. Com o local agora povoado de fantasmas e Margaret ainda solta, restam interrogações sobre como a vingança geral deverá ser encadeada e se a partir de agora tudo irá se passar com um elenco menor, sem novos visitantes para “um verão divertido” em Camp Redwood.

Exceto por uma estranha mudança no ritmo momentos antes de o dia realmente amanhecer e pela forma como a direção guia as cenas com os policiais no acampamento, o episódio nos trouxe aquilo que tem tornado a aventura imensamente divertida: muitas mortes (uma mais impressionante que a outra), revelações, bom andamento geral da história e comportamentos que se alteram, após o contato com a maldade que reside naquele lugar — vejam a mudança pela qual Brooke e Montana passaram nesse episódio. Impossível não curtir essa jornada. Minha torcida agora é para que a segunda metade de 1984 seja tão boa quanto a primeira.

American Horror Story 9X05: Red Dawn (EUA, 16 de outubro de 2019)
Direção: Gwyneth Horder-Payton
Roteiro: Dan Dworkin
Elenco: Emma Roberts, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Gus Kenworthy, John Carroll Lynch, Angelica Ross, Zach Villa, DeRon Horton, Lou Taylor Pucci, Tim Russ, Richard Gunn, Joseph Winford Warren, Doug Hurley
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.