Crítica | American Horror Story – 9X06: Episode 100

american-horror-story-s09e06-plano critico episode 100-x265-minx-large

O centésimo episódio de uma série é sempre uma oportunidade de os showrunners e o elenco aproveitarem o momento do show para fazerem homenagens e celebrar uma marca que de fato é bastante importante. Normalmente as temporadas que comemoram marcas de 100 episódios são pensadas, em geral, como um tributo ao show e até mesmo como um processo de renovação. Em 1984, o fator homenagem foi pensado em torno de um gênero caro à série (o slasher) e as referências ao programa meio que foram diluídas no gênero, algo que gostei bastante desde o primeiro capítulo, mas lá no fundo sempre imaginei que haveria uma quantidade bem maior de citações aos outros anos, como um todo. E isso se tornou bem mais forte no presente Episode 100.

Se a gente contar, Apocalypse teve muito mais referência ao Universo de AHS do que o próprio episódio de aniversário do show. E de novo, esta não é uma comparação aliada a um juízo negativo nem nada, é apenas a constatação de um fato que mostra o quanto é possível fazer algo de boa qualidade, que olhe para a série, faça ali uma breve citação a Briarcliff, umas indicações visuais acolá e ainda assim dê a sensação de um episódio-homenagem. Eu particularmente esperava bem mais, mas isso não quer dizer nada além de gosto ou expectativa pessoal. O episódio é fantástico e seus erros não tem nada a ver com maior ou menor exposição do legado da série. Dito isso, vamos aos eventos.

Ficou claro para todo mundo que após o final de Red Dawn, a temporada iria dar uma guinada para sua direção conclusiva, consideramos que já estamos na segunda metade. E foi muito interessante ver como Ryan Murphy (que surpreendentemente escreveu o roteiro desse episódio com Brad Falchuk, ambos conseguindo fugir da mania de grandeza que normalmente pontua sues roteiros!) concebeu essa guinada, trabalhando eventos do futuro de uma maneira que realmente me impressionou. Eles segmentaram os núcleos narrativos e deram uma pequena história para cada grupo, fazendo com que novamente se encontrassem, agora dentro de uma nova configuração: mais da metade do grupo é fantasma, alguns são servos de Satã e o restante é totalmente desequilibrado mental/emocional (bom, na verdade já eram), sem contar os diferentes psicopatas que surgiram no meio dos mocinhos.

O final aqui é interessante, reafirma o elemento surpresa do episódio e a “recusa” em fazer com que o elenco principal seja escantado. A morte aqui não é uma opção válida, o que é sempre bacana em produções do gênero slasher, desde que isso seja feito de forma coerente. Episode 100 demora um pouco para se justificar, principalmente pela sua temática peculiar: ele é uma sequência futura da primeira parte do show, e até que isso comece a fazer sentido geral o espectador precisa esperar um pouco. Mas quando todas as peças se encaixam, a sensação de completude é ótima. Do início desengonçado para um final que abre mais uma porção de boas promessas para a reta final, esta comemoração apresenta um jogo simples e muito seguro, com o time que já estava ganhando. E para padrões de AHS, a gente sabe que isso deve ter custado um rim aos criadores: sem invencionices ou novos plots bizarros brotando do nada. Hum… será mesmo que teremos uma temporada realmente coesa e mantendo um bom nível de qualidade até o fim? As coisas apontam para isso.

American Horror Story 9X06: Episode 100 (EUA, 23 de outubro de 2019)
Direção: Loni Peristere
Roteiro: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Elenco: Emma Roberts, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Matthew Morrison, Gus Kenworthy, John Carroll Lynch, Angelica Ross, Zach Villa, DeRon Horton, Leslie Jordan, Nick Chinlund, Tanya Clarke, Yvonne Zima, Eric Staves
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.