Crítica | American Horror Story – 9X07: The Lady in White

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Ora, ora, ora, mas vejam só quem está de volta! Lily Rabe, senhoras e senhores, como Lavinia Richter, a mãe de Mr. Jingles! Curioso que uma presença assim tão importante (e não é só ela que retorna aqui, mas também Dylan McDermott, como um assassino fã de Ramirez), normalmente esperada em um momento como o Episode 100, tenha aparecido na reta final da série, num capítulo de afunilamento de blocos e, ao que tudo indica, de expansão dos horrores em torno do maldito acampamento. A dois episódios do final da série, no entanto, The Lady in White deixa-nos com algumas estranhas impressões.

Não sou particularmente fã de apresentação de novos mistérios dentro de uma série justamente na parte final, especialmente no caso de shows que são antologias, como American Horror Story. Aqui, todavia, a escolha funciona de maneira orgânica (em termos de introdução dela própria no enredo), embora eu preferisse que não acontecesse porque, vamos ser sinceros, esse drama não fortalece a jornada de Mr. Jingles, ao contrário, mina um pouco a sua força. Por mais que todos amemos Lily Rabe (e se você não a ama, você está errado, saiba disso), o dilema de mãe-e-filho que traz vem muito tarde para fazer parte da construção do personagem.

A coisa aqui ficou apenas como uma curiosidade perversa que sim, se relaciona com a temática da série, mas não faz muita coisa para engrandecê-la. Nesse ponto, pensemos na implicação da revelação que tivemos no episódio. Não há dúvidas de que a introdução de Margaret Booth como a louca psicopata foi uma das melhores coisas da temporada. Agora, entendemos que a chavinha mental da personagem foi virada por uma força externa, o que — de novo! — não é ruim, mas enfraquece também a jornada de Margaret, tirando dela o princípio de maldade e colocando em outro personagem. Aí reside um grande erro do roteiro de John J. Gray.

Por outro lado, o bloco de Brooke ao lado de “Rita” flui sem nenhum tipo de problema para o que representa, tanto para elas, quanto para a história como um todo. Dá pra perceber uma clara mudança na composição das personagens (Mr. Jingles também apresenta uma excelente mudança e vamos reconhecer as fantásticas nuances que John Carroll Lynch trouxe para o papel) e  a ideia final de Brooke está em par com o que se espera da personagem após escapar da morte, além de fazer parte do movimento de afunilamento que começou no episódio passado, com data marcada para todos voltarem ao acampamento.

Um bom episódio com ideias que não o ajudam a crescer mais — a propósito, com todo mundo reunido ali, até que poderia haver um pouco mais de movimento no tempo presente, não? De todo modo, ver Lily Rabe de volta e (isoladamente) uma perturbadora e enraivecedora relação familiar foi muito bom. Faltam apenas duas semanas para o final. E eu estou ainda quero acreditar que a temporada permanecerá coerente à sua essência até o final. #oremos

American Horror Story 9X07: The Lady in White (EUA, 30 de outubro de 2019)
Direção: Liz Friedlander
Roteiro: John J. Gray
Elenco: Emma Roberts, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Matthew Morrison, Gus Kenworthy, John Carroll Lynch, Angelica Ross, Zach Villa, DeRon Horton, Leslie Jordan, Connor Cain, Sean Liang, Lily Rabe, Dylan McDermott, Conor Donnally, Kat Solko
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.