Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | Amor Sem Fim (1981)

Crítica | Amor Sem Fim (1981)

por Luiz Santiago
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Jovens amantes, leitores saudosistas, psicopatas de bom coração e indivíduos que não sabem separar questões psíquico-afetivas de qualidade cinematográfica, não se exaltem. Vamos entrar aqui em um território delicado, onde é possível ver o mamilo de Brooke Shields (sim, o diretor Franco Zeffirelli só nos mostra um); os mamilos de Martin Hewitt e James Spader (como também outra parte do corpo de Martin Hewitt, várias vezes); e ainda a primeiríssima e descartável atuação de Tom Cruise no cinema; a inexplicável participação do grande Robert Altman em um filme sem salvação e, claro, a irritantemente martelada música de Lionel Richie e Jonathan Tunick, até que, juntamente com o filme, exploda de insatisfação os neurônios do público.

Clássico absoluto do SBT, indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro pela canção-tema, Endless Love (interpretada por Lionel Richie e Diana Ross), indicado ao Framboesa de Ouro de pior filme, pior atriz (Brooke Shields), pior atriz coadjuvante (Shirley Knight), pior diretor, pior roteiro e pior “nova estrela” (Martin Hewitt), Amor Sem Fim é daquelas obras lançadas no momento certo e no lugar certo. Fruto de um cinema americano que então começava a não ter vergonha de mostrar o corpo e explorar tabus e estranhezas, o filme conquistou um número absurdo de admiradores com sua história de amor à la Romeu e Julieta num contexto do tipo “quase-Casanova e o Marquês de Sade encontram Freddy Krueger apaixonado”.

O chavão básico dos romances hollywoodianos não se aplicam a Amor Sem Fim. Primeiro, porque foi feito por um bom diretor europeu com um ego do tamanho do planeta Terra e que julgou poder aplicar técnicas de um ambiente com o qual ele estava familiarizado (o clássico cinematográfico italiano e o palco operístico) numa obra ousada no quesito trágico-sexual e nula de qualidade narrativa. Segundo, porque o filme fazia parte de uma leva de longas-metragens com tragédias realistas, especialmente no campo do romance, onde era possível — além da emoção e dos altos picos de adrenalina e explosões de esteroides sexuais — ver nudez gratuita na tela e provocações libidinosas de todos os tipos, não algo como aquela bem-vinda e bem trabalhada por Mike Nichols em A Primeira Noite de um Homem (1967), mas uma nudez e provocações cujos valores terminam em si mesmos, postos na tela única e simplesmente para contemplação e fetiche do público.

Entenda que, à época de Amor Sem Fim, trabalhar com o sexo no cinema dos Estados Unidos já não era um grande problema moral e social. Todavia, o período que vai de final dos anos 70 e decorrer da década de 80 foi marcado pela crescente banalização dessa liberdade, partindo-se de um uso justificado dos corpos nus, para um desfile de atores e atrizes em pelo, sem nenhum objetivo dramático em jogo. Para seguirmos, juntemos esses ingredientes da História do Cinema e seus costumes de época e os apliquemos ao já aludido tema que encontramos em Amor Sem Fim, em linhas gerais, a história do grandioso “amor impossível” entre David e Jade.

O que talvez tenha feito muita gente gostar da trama, como se isso fosse o ápice de criatividade, foi o fato de o amor não ser impossível no início. A família de Jade é desconcertantemente (e nada verossimilhante num tipo de enredo que tem obrigação de ser) liberal. O amor entre o casal protagonista se torna impossível em dado momento da fita. E o que vem a seguir? A busca inconsequente de David para gozar de seu amor como se não existisse mais nada no mundo. Nem Nietzsche conseguiria pensar em um espírito dionisíaco tão maldito e destrutivo quanto o desse rapaz.

A construção da psicologia dos personagens e o modo como Zeffirelli os articula é cumulativamente vergonhoso. A única exceção a essa constatação é ao personagem de James Spader, Keith, que mantém-se firme em sua constituição dramática, cresce sem nenhum impulso desnecessário ao longo do filme e conta com a boa atuação de Spader, algo que não podemos dizer da maioria do elenco de Amor Sem Fim. É estranho olharmos para um filme de Zeffirelli e termos um grande número de canastrões em cena, todos expostos a emoções súbitas e muito maiores do que o arcabouço dramatúrgico dos atores poderia suportar. E essa falha não está sozinha. Por mais que vejamos o esforço da equipe técnica para fazer a película ter fôlego ao menos visualmente, a má direção de Zeffirelli (creio que mesmo os amantes do filme são honestos ao admitir que poucas vezes antes cenas de sexo foram tão mal filmadas) acaba por nos mostrar as coisas como um grande teatro barroco, quase de mal gosto, com desnecessário tom escuro para a fotografia, desregulado e massacrante uso da trilha sonora, exagero no desenho de produção e figurinos risíveis.

É evidente que existem explicações sociológicas, psicológicas e de hype cinematográfico para o sucesso de Amor Sem Fim, mas esse sucesso não tem absolutamente nada a ver com qualidade do longa. Salvam-se o ponto lírico de Zeffirelli nas primeiras trocas de olhares entre Jade e David e o conceito do sexo próximo à lareira, um raro momento de boa fotografia, apesar de ser uma sequência mal filmada. Jamais tinha visto esse filme antes (lembro-me de ter visto chamadas para ele na TV, quando era criança, mas passava tarde demais e nunca consegui ficar acordado para assistir) e não pretendo voltar a assisti-lo nunca mais. Este é provavelmente o pior filme de Franco Zeffirelli e deve ser o guilty pleasure de meio mundo de cinéfilos pelo mundo afora.

Amor Sem Fim (Endless Love) – EUA, 1981
Direção: Franco Zeffirelli
Roteiro: Judith Rascoe (baseado na obra de Scott Spencer)
Elenco: Brooke Shields, Martin Hewitt, Shirley Knight, Don Murray, Richard Kiley, Beatrice Straight, James Spader, Ian Ziering, Robert Moore, Penelope Milford
Duração: 116 min.

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12 comentários

Marlon Nascimento de Vargas 30 de dezembro de 2020 - 20:17

Meu querido Luiz Santiago: nada do que tu falou, tem a menor importância… kkkk pelo menos, não pra mim e pra todos os “meninos” que hoje, quase sessentões, se apaixonaram pela Brooke Shields por causa do filme Lagoa Azul e por causa de “Amor sem Fim”. Dois exemplos de filmes bobinhos (e vamos ser sinceros, hoje o que não falta é tolice no cinema) que fizeram a cabeça dos adolescentes da época. Mas, distanciado assim pelo tempo e pela maturidade, consigo compreender tua critica, até pela tua idade. São outros tempos… Enfim, nem tanto por suas qualidades intrínsecas, o filme marcou uma geração… a minha geração.

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Luiz Santiago 30 de dezembro de 2020 - 20:19

Perfeitamente compreensível! A memória afetiva ignora completamente qualquer problema em obras hahahhahahaha.

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Débora Costa 30 de julho de 2020 - 17:51

O filme poderia ser melhor se o final fosse esclarecido pq até hoje não sei o que aconteceu com David, pra mim ele morreu, mas ficou confuso.
É um romance bem clichê né, mas eu achei super fofo bem juvenil, e a música endless love é a melhor parte do filme!!!
Deveriam ter mostrado os dois peitos da Brooke Shildes mas fui feliz pela bunda do David tb

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Luiz Santiago 30 de julho de 2020 - 20:36

Ficamos todos felizes com a bunda dele, pra falar a verdade! Mas pô, custava mostrar OS DOIS peitos da Brooke Shildes? Sacanagem! hahehahahehehehe

De resto, tirando a música tema, que é mesmo a melhor coisa aqui, fica difícil lidar com esse filme, viu.

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nady 9 de fevereiro de 2018 - 01:56

Odeio esses filmes com ideias vagas. Não da pra saber se o David morreu, -pois a Jade diz no final que jamais sera amada como foi por ele- ou se ele ficou preso, devido ele aparecer atras de grades. Alguém me ajude…

Responder
nady 9 de fevereiro de 2018 - 01:56

Odeio esses filmes com ideias vagas. Não da pra saber se o David morreu, -pois a Jade diz no final que jamais sera amada como foi por ele- ou se ele ficou preso, devido ele aparecer atras de grades. Alguém me ajude…

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Luiz Santiago 9 de fevereiro de 2018 - 08:33

A essa altura do campeonato,, acho quem nem o roteirista sabe o que aconteceu com o moiçolo! hahahahahhahahah

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Luiz Santiago 9 de fevereiro de 2018 - 08:33

A essa altura do campeonato,, acho quem nem o roteirista sabe o que aconteceu com o moiçolo! hahahahahhahahah

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planocritico 11 de junho de 2014 - 16:53

Cara, hilária sua crítica!!! Estou chorando de rir aqui com os mamilos de todo mundo… Mas, realmente, o pouco que me lembro desse filme – sim, eu o vi nas odiosas sessões do SBT, “devidamente” dublado – me dá urticária e ânsia de vômito. Normalmente não são sensações que filmes deveriam gerar, especialmente não filmes pseudo-românticos.

E poxa, nem aparecer os dois mamilos de Brooke Shields é IMORAL!!!

Abs, Ritter.

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Luiz Santiago 11 de junho de 2014 - 23:02

Pois é! Zeffirelli deu uma enorme mancada ao mostrar os dois mamilos dos caras e um só da Brooke Shields. Aliás, o filme inteiro poderia ser só com os mamilos dela, eu não me importaria.

Mas fica claro uma coisa: acho muito difícil que o Zeffirelli tenha dirigido algo tão ruim quanto esse negócio aqui… hahahaha

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Silas Leal 3 de fevereiro de 2020 - 23:47

Eu gostei dos mamilos dos caras, rs

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 3 de fevereiro de 2020 - 23:47

HAHAHAHHAHAHHAHAHHAHHAHA

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