Home FilmesCríticas Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal

Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal

por Leonardo Campos
271 views (a partir de agosto de 2020)

Quando lançou Invocação do Mal em 2013, James Wan foi bastante esperto. Ciente do funcionamento industrial, o cineasta com toques de produtor e criador de histórias elaborou uma arquitetura narrativa engenhosa, repleta de brechas para a construção de narrativas derivadas que permitiam a elaboração de novas histórias. Annabelle, para os desavisados, pode soar como um filme sobre a trajetória de uma boneca assassina horripilante e macabra, mas na verdade é a continuação de um segmento criado pelo primeiro filme do universo que engloba bruxas, freiras malignas e legiões de demônios: as tramas de casas assombradas.

A história é bastante traumática. Uma família retorna da missa e na estrada precisam lidar com o pneu que fura bruscamente. O pai se arruma para o devido conserto e num breve momento, solicita a sua filha que pegue um parafuso. Ao se deslocar para cumprir a “missão”, a garota é atropelada e morre, numa tragédia que demarcará para sempre a vida de todos os envolvidos, e, posteriormente, aos que começaram a integrar este universo de autopunição, sofrimento e luto.

Após a trágica morte da filha, Samuel Mullin (Anthony LaPaglia) e Esther (Miranda Otto) resolvem acolher a freira Charlotte (Stephanie Sigmon) e um grupo de crianças que foram desalojadas de um orfanato. O patriarca da família esfacelada pelos fatídicos acontecimentos é um habilidoso artesão de bonecas e com a chegada das novas moradoras vai precisar lidar com alguns elementos do passado que voltaram para trazer medo e pavor, num processo de destruição que ameaça a vida de todas as pessoas da casa.

Uma das regras estabelecidas ao chegar é não adentrar o quarto da menina falecida, Annabelle. É um local proibido que desperta curiosidade e sensação de mistério. Isso logo desperta a atenção das meninas, principalmente de Janice (Talitha Eliana Bateman), menina que sofre das consequências da poliomielite e usa cadeira de rodas para se locomover. Ela é sensitiva e desde a chegada percebe que é algo de estranho no lar. Será assim que, ao longo dos 109 minutos, Annabelle 2 – A Criação do Mal vai investir em sustos e no estabelecimento de uma atmosfera sombria, edificada pela direção eficiente de David F. Sandberg.

O cineasta não possui muita liberdade para criar algo inovador, mas segue as regras do estúdio. Isso não impede, por sua vez, entregar ao público uma narrativa habilidosa e eficiente, construída com uma equipe técnica eficiente. Sandberg assume o roteiro de Gary Dauberman e conta com a direção de fotografia de Maxime Alexandre e seus travellings, dollys e contrastes entre planos abertos e fechados, em consonância com a condução musical de Benjamin Wall Fisch. Para tornar o clima de horror mais eficiente, a fotografia enquadra bem os elementos visuais concebidos pelo design de produção de Jennifer Spence, gerenciadora da cenografia bastante cuidadosa de Lisa Son e a direção de arte de Jason Garner.

O roteiro também é eficiente, mesmo que recorra aos vícios de linguagem comuns aos filmes de terror preparados para inserção do jump scare, recurso que assumo, acho extremamente funcional e divertido. Geralmente não levamos filmes deste tipo à sério, mas o diferencial de Annabelle 2 – A Criação do Mal é não trazer uma boneca assassina, mas um veículo de manifestação demoníaca, numa história com imprecisões ligadas aos dogmas religiosos, mas que constrói bem a sua mitologia própria. Infinitamente melhor que Annabelle, sucesso comercial e fracasso crítico, história contada de qualquer jeito para expandir o universo do criativo James Wan.

Desta vez, os personagens possuem melhor design, são trabalhados dentro de seus sentimentos e nos apresentam alguma profundidade psicológica, o que nos faz prestar mais atenção em suas trajetórias. Em determinando momento da narrativa, há um paralelo com a história da manifestação demoníaca por meio de uma imagem de freira, ligação com A Freira, filme que representa a inserção do universo de Invocação do Mal para 2018.  As criações não apresentam sinal de esgotamento e é bem possível que outros filmes surjam futuramente, numa expansão de um painel de criaturas diabólicas que sabem assustar com eficiência.

Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation) — EUA, 2017
Direção:
 David F. Sandberg
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Anthony LaPaglia, Samara Lee, Miranda Otto, Brad Greenquist, Lulu Wilson, Talitha Bateman, Stephanie Sigman, Mark Bramhall, Grace Fulton, Philippa Coulthard, Tayler Buck
Duração: 109 min.

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8 comentários

Pt Andrade 14 de junho de 2019 - 19:02

nunca que esse filme é bom

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Senhor Ivan 30 de outubro de 2017 - 21:39

Essa nova direção é bem mais dinâmica e eficaz,consegue explorar bem as cenas escuras,não nos leva a um clichê repetido,e o elenco formado por um time feminino que consegue dar um ótimo ritmo a trama.O problema maior é do meio para o fim.O roteiro parece que acaba,e o diretor tem que se virar pra finalizar o filme.Temos uma sequência quase chegando ao fim,que traz umas quatro cenas repetidas.Os sustos são os mesmos,o jogo de câmera é idêntico,é aquele onde se aproxima do rosto de algum personagem em cena e foca bem a parte escura para o espectador tentar enxergar alguma coisa ao lado,isso é vergonhoso.O elenco de uma hora pra outra não sabe fazer nada além do que gritar ou estar fora de casa e ouvir gritos dentro da casa e correr para ver o que está acontecendo.
Alguns momentos são dignos de um ótimo conto de horror,bons sustos,mas infelizmente é um filme pobre e que se junta ao grupo de péssimas continuações.

>Assistido em 30 de Outubro de 2017.
-Nota 6/10

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Maze 31 de agosto de 2017 - 02:16

Eu tenho gostado de filmes com menor qualidade na história esse ano, como a múmia e valerian, que eu curti apesar de problemas. Fujo totalmente do esteriotipo do hater, eu estou mais pra uma entusiasta de cinema em geral, sendo mais positivo do que negativo, eu geralmente apoio. E Annabelle 2, apesar de ser ótimo esteticamente, é um desastre narrativo, de cinema, o roteiro é desonesto e nos faz ter expectativas falsas, de que algo horrível, tenso ou minimamente empolgante vai acontecer, mas nunca chega lá. Mas é claro que nunca chega neste ponto, du fui totalmente ingênua para o cinema, afinal, esse é um prelúdio do prelúdio, a origem da origem, o subtitulo já demonstra que a seriedade com uma construção decente não existe, mas infelizmente eu ignorei todas as dicas. Meus pêsames pra equipe de arte e para os atores esforçados, mas o vazio da história é insuportável pra qualquer um. Vilões literalmente sem alma, sem carisma ou motivo concreto algum, personagens genéricos que nunca superam o esteriotipo e situações super previsiveis. Passem longe, o filme não funcionou nem para o pessoal com hype na sessão… Nota 2 pela fotografia e direção de arte, fora a dó dos atores.

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Logan Chigurg 27 de agosto de 2017 - 21:11

Acabei de voltar do cine, bixo que filme bostinha! Se limita a ficar dando sustinho de graça o tempo todo, tenho pavor de jumpscare, não tem 1 momentinho de tensão sem susto, tudo tem que estourar seus tímpanos.. os adolescentes da minha sessão adoraram…

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Neto Ribeiro 25 de agosto de 2017 - 22:53

Eu adoro o David F. Sandberg, acho ele um cara talentosíssimo e que tem muito futuro. O trabalho dele realmente se destaca nesse filme e embora eu esteja feliz pelo sucesso do filme, eu realmente não achei nada demais. A história é mais do mesmo e poucos detalhes se destacam. A cena do espantalho no entanto é de longe uma das mais interessantes da franquia.

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Huckleberry Hound 17 de agosto de 2017 - 19:00

Os trailers nao me empolgaram espero que o filme seja como voce falou!

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Guilherme Coral 17 de agosto de 2017 - 19:48

Esse vale a pena assistir! Fazia tempo que não ficava sem ar por causa de filme de terror.

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Eduardo Mafra 28 de agosto de 2017 - 09:30

Vale a pena, falo por mim, que achei um tédio o primeiro filme, as vezes risível por causa do demônio. Na época, o único susto que havia levado já tinha visto pelo trailer, de modo que no cinema isso acabou nem ocorrendo. Já agora neste diversas vezes tomei algum susto, com duas vezes tendo me arrepiado, o que por si só já valeu o filme.

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