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Crítica | Anônimo (2021)

O protetor implacável volta ao jogo!

por Ritter Fan
3.622 views (a partir de agosto de 2020)

Give me the goddamn kitty cat bracelet, motherfucker!
– Ninguém.

Anônimo é mais um filme parte do revival dos filmes de brucutu dos anos 80 que podemos dizer que começou de verdade com Busca Implacável, tendo como outros expoentes de nota John Wick (ou De Volta ao Jogo) e O Protetor, todos bebendo mais ou menos da mesma fórmula básica, ou seja, super agentes aposentados que retornam à ação pelas mais diversas razões e matam basicamente todo mundo que aparece na frente. Em outras palavras, é diversão descerebrada garantida, só restando saber mesmo como é que um de destaca ou se diferencia em relação ao outro, se o protagonista funciona no contexto e, claro, se as cenas de ação valem o preço do ingresso.

Mais especificamente, Anônimo funde a premissa quase engraçada de tão prosaica de John Wick, alterando o “mataram o cachorro de minha esposa” para “roubaram a pulseira de gatinho da minha filha” com o “eu vou até o fim em minha sana exterminadora contra russos” de O Protetor, com Bob Odenkirk, no papel título (ou de Hutch Mansell, como preferirem), lembrando muito em estilo o Bryan Mills de Liam Neeson, mas talvez bebendo com mais vontade da escola da falibilidade dos homens invencíveis de Bruce Willis, em Duro de Matar. E, de fato, as postura de Odenkirk e a relativa facilidade com que ele apanha dos marginais logo no começo da fita tenta emular o porte e a “humanidade” de Willis, ainda que ele não demore a se revelar como alguém com um passado muito mais próximo dos protagonistas dos outros filmes citados.

Talvez por estar acostumado com a magnífica atuação tragicômica de Odenkirk em Better Call Saul, eu tenha demorado a me conectar com o ator como um herói de ação mais para o genérico, mas seu carisma é inegavelmente contagiante, especialmente considerando a sequência inicial, com ele todo arrebentado, de barba por fazer e fumando um cigarro em uma sala de interrogatório, tirando uma lata de sardinhas, um abridor e um gatinho dos bolsos como se fosse a coisa mais normal do mundo. É um início – que é o fim, claro – que sem dúvida levanta sobrancelhas, ainda que a sequência de eventos que leva o protagonista até esse ponto seja bastante comum, do tipo “já vi isso muitas vezes antes”, mas que mesmo assim diverte, com Hutch fazendo o que faz não por algum senso de justiça em particular, mas sim por simplesmente estar cansado de sua vida de aposentado.

E grande parte da diversão vem de duas características bacanas do longa. A primeira delas é contar com a presença de outros icônicos atores que não citarei aqui para não tirar o prazer do “ahá, olha lá o fulano” de ninguém, ainda que não sejam exatamente surpresas (atenção: os nomes deles estão na ficha técnica abaixo, pelo que, se quiserem continuar ignorantes, não a leiam!). A segunda é mesmo a direção de Ilya Naishuller, que só tem em seu currículo um outro longa, o impossivelmente enlouquecido Hardcore: Missão Extrema, que parte de uma ideia até interessante, para uma execução que cansa depois de dois minutos. Acho que o próprio cineasta sabe disso, pois não tenta emular quase nada de seu filme anterior, apenas arriscando uma ou duas cenas curtas em primeira pessoa para marcar seu estilo. Seja como for, o jovem russo mostra segurança ao lidar com pancadaria pura e simples, ao usar o carisma e os dotes dramáticos de Odenkirk da melhor maneira possível dentro desse contexto que não exige nada disso, e ao criar algumas sequências realmente originais, como a que Hutch dá ré em seu carro no beco próximo à boate do vilão russo e a do escudo + Claymore bem no final.

Anônimo, portanto, é outro longa que merece figurar dentre os outros citados aqui como herdeiros dos filmes oitentistas descerebrados. Não é nem de longe uma obra-prima ou mesmo algo particularmente memorável, mas há muito a ser apreciado, seja o próprio Odenkirk, os convidados especiais, a destruição total de cenários, a morte de um caminhão de extras das maneiras mais diferentes possíveis ou, claro, aquela obrigatória, mas bela seleção musical encabeçada por Nina Simone para embalar a ação desenfreada.

P.s.: Custava o título nacional ter sido a tradução literal do original, ou seja, Ninguém? É infinitamente melhor do que Anônimo

Anônimo (Nobody – EUA, 2021)
Direção: Ilya Naishuller
Roteiro: Derek Kolstad
Elenco: Bob Odenkirk, Aleksey Serebryakov, Connie Nielsen, Christopher Lloyd, Michael Ironside, Colin Salmon, RZA, Billy MacLellan, Araya Mengesha, Gage Munroe, Paisley Cadorath, Aleksandr Pal
Duração: 92 min.

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