Crítica | Aprendizado Para a Morte

estrelas 4

Engana-se quem pensa que Walt Disney só produziu e dirigiu animações sobre princesas em perigo, ratinhos carismáticos e príncipes encantados. No auge da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), o mago americano das animações foi responsável por diversos filmes de propaganda política antinazistas, e um deles, o polêmico Aprendizado para a Morte — também chamado de Educação Para a Morte — (1943), é dos mais densos e eficientes filmes de propaganda em animação realizados naquele país durante a guerra.

O curta-metragem de 10 minutos foi uma encomenda do Estado Maior Americano mas nunca chegou a ser amplamente veiculado. Seu uso, na época, limitou-se apenas no treinamento político dos soldados. Verdade ou não, é absolutamente compreensível que o filme não tenha alcançado a distribuição pelo país, pois a força do discurso político de Disney e os eficazes elementos usados por ele (como por exemplo, recontar a história da Bela Adormecida na versão nazista, ou criar uma aula de História Natural na ideologia de que “os mais fracos devem ser eliminados”) apesar de serem verdadeiros, não são nada infantis.

Muito diferente de um outro curta de propaganda produzido por Disney, A Face do Füher (Jack Kinney, 1942), Aprendizado para a Morte não tem nenhum Pato Donald para atenuar o discurso e os fatos mostrados, e também não recebeu nenhum Oscar de Melhor Animação. Trata-se de um filme seco, repleto de metáforas e condenações ao nazismo.

Adaptado do livro de Gregor Zimmer, Aprendizado Para a Morte traz às telas todas as particularidades do processo de educação de uma criança e a facilidade com que os seus professores e sistema político podem moldar suas escolhas e pensamento. Uma série de discussões podem ser levantadas a partir daí e, claro, o filme dá elementos para sustentar cada uma delas.

Aprendizado para a Morte é um clássico de Walt Disney e um de seus mais intrigantes filmes de propaganda. Indicado não apenas para estudantes, professores e interessados em História, mas para todos aqueles que dão um mínimo de importância à educação e o que uma linha de pensamento tortuosa pode criar. Através dele, podemos ver quão diferentes caminhos político-pedagógicos se pode seguir, levantando a bandeira de que estamos educando alguém para o país, para a vida, e para o futuro e chamando muito a atenção para o tipo de políticas adicionadas ou retiradas da educação que ainda hoje — salvando a particularidade dos tempos — prevalece em nossas sociedades..

Aprendizado Para a Morte (Education for Death: The Making of the Nazi) – EUA, 1943
Direção: Clyde Geronimi
Roteiro: Joe Grant (adaptação da obre de Gregor Ziemer)
Elenco (voz): Art Smith
Duração: 10 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.