Crítica | Aquaman: A Ascensão do Arraia Negra

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Continuação e encerramento do arco O AfogamentoA Ascensão do Arraia Negra reúne uma sequência de histórias (mais precisamente as edições #7 a 15 de Aquaman Vol.8) com mini sequências internas, chamadas Imparável e O Dilúvio. Nesta parte da saga, a investigação do Aquaman sobre os misteriosos ataques terroristas “feitos por atlantes” na superfície defronta-se com um perigoso momento: os Estados Unidos e Atlântida, supostamente, estão em guerra. Mas não estão. Pouco a pouco, o Arraia Negra — agora assumindo o título de Rei Pescador, líder da N.E.M.O. ou Nautical Enforcement of Macrocosmic Order — reforça o plano de ação para desacreditar o rei dos mares. Nada parece ir bem para o Peixoso.

Como eu tinha gostado bastante de O Afogamento, esperava que Dan Abnett mantivesse ou superasse o nível de abordagem política que esta saga oferece. A ideia inicial do Aquaman, em estreitar os laços da superfície com a Atlântida através de uma Embaixada, foi uma ótima iniciativa política (combina com o mundo e o tempo histórico da obra), mas acabou resultando em ataques disfarçados e desinformação, o que é surpreendente em um mundo onde se pode obter, rastrear e identificar informações com bastante facilidade e agilidade. Nesta parte da história, porém, eu tive dificuldade de me conectar com as idas e vindas do autor, que acabou minando parte da emoção dos enfrentamentos e colocou o Arraia Negra numa posição de bastante prestígio, oferecendo uma real ameaça, mas sem uma camada do texto que lhe colocasse algo além da raiva e vingança cegas, oferecendo apenas a linha batida e pouco digerível de “vamos plantar o caos e, quando estiverem em desespero, nos pedirão ajuda… então dominaremos o mundo“.

Em compensação, vemos o empenho do autor em deixar as edições bastante dinâmicas, sempre colocando alguma batalha, algum conflito retórico, alguma ameaça marcante para o Aquaman e seus aliados. A única camada que me pareceu deslocada e que certamente mereceria um outro arco, com uma linha principal que lhe desse maior suporte, foi o bloco de Mera frente às viúvas da Widowhood, a organização mais sagrada da Atlântida, composta por mulheres que se separaram da sociedade para olhar pelas tradições e garantir que a morte de seus maridos em guerra não tenha sido em vão, ou seja, elas asseguram a obediência às tradições e garantem que a Atlântida sobreviva e prospere. Neste ponto, o leitor se vê diante de uma dualidade entre o passado e as mudanças trazidas pelos novos tempos, algo sempre difícil para uma sociedade abraçar. No caso de Atlântida, o ponto positivo é que o líder percebe que a manutenção de certas práticas do passado só trará malefícios, tornando o confronto de ideias com a hierarquia e até mesmo a população ainda mais interessante.

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Falando umas verdades para Obama.

Em dado momento da história eu esperei que o texto desse força política e mais habilidade e compreensão ao Aquaman sobre a liderança de um Estado, o que me irritou bastante do meio para o final do arco. A impressão que a gente tem é de um herói turrão, que se enxerga como uma pequena piada, como um rejeitado até mesmo pela Liga e que quer fazer as coisas sozinho para provar que pode fazê-las. No entanto, a maneira como o roteiro explora esse conflito torna o Aquaman um tanto inconsequente e incompetente, o que de fato não era a intenção. Claro que o personagem aqui não tem largas habilidades como monarca — o que pode explicar muita coisa — mas a diplomacia forçada e certos diálogos dele nessa história (como este último com Obama, que mesmo cheio de verdades jogadas na cara do presidente, termina com uma rendição amarga, incoerente, difícil de engolir) não ajudam a passar a visão de alguém que tem algo a mais a oferecer além de um infantil sonho de “paz entre os homens”.

A compensação da porradaria acaba vindo a calhar nessa situação, ponto onde a arte também oferece os seus melhores momentos. Gosto bastante de toda a preparação para guerra, que forma o meu ponto favorito de todo o arco. Militares eufóricos e furiosos dos dois lados, oferecendo planos de ataque e defesa; diversos mal-entendidos ocorrendo no mar e na superfície; cegueira beligerante e negações de ouvir o outro lado… o prato cheio para que mais uma campanha de mortes acontecesse, e tudo por uma motivação que nem era real. A ideia para toda a história, como se vê, é atual e muito interessante — e mesmo que a construção ao longo de nove edições não seja tão fluída, jamais deixa de nos divertir. Agora, com essa parte do problema resolvido, fica a tarefa de Arthur Curry em manter a paz. Missão cada vez mais difícil em tempos como os nossos.

Aquaman Vol. 8 #7 – 15: Black Manta Rising (EUA, 2016 – 2017)
No Brasil: Aquaman n°2 (Panini, 2017) — apenas edições #7 a 12
Roteiro: Dan Abnett
Arte: Scot Eaton, Brad Walker, Philippe Briones
Arte-final: Wayne Faucher, Andrew Hennessy, Philippe Briones
Cores: Gabe Eltaeb
Letras: Pat Brosseau
Capas: Brad Walker, Andrew Hennessy, Gabe Eltaeb
Editoria: Brian Cunningham, Amedeo Turturro, Diego Lopez
216 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.