Crítica | Aquaman: Mais Espesso Que a Água

plano critico quaman 1986 plano critico The Rise and Fall, and Rise and Fall of Atlantis

É com esta minissérie de quatro edições que começa a jornada do Aquaman depois de Crise nas Infinitas Terras (ou melhor, um pouquinho antes de terminar a Crise). O roteiro, escrito por Neal Pozner, tem mais a preocupação de organizar as peças do passado do personagem do que qualquer outra coisa, e para isso, após um enigmático e ancestral prólogo, começa a trama central, apresentando uma luta entre Arthur e Orm, o Mestre do Oceano, momento a partir do qual a inimizade entre irmãos abrirá as portas para uma viagem ao passado. É diante de uma força incomum apresentada por Orm nessa contenda, que Arthur ouve os conselhos de Mera e vai atrás do criminoso, tentando vingar a destruição da pequena cidade costeira de New Venice, Flórida.

De início, o leitor estranha o modelo narrativo adotado. Não por ser ruim, mas porque entra em uma onda mística, com toda a cara de explicação complexa que alguns quadrinhos dos anos 80 traziam. Isso faz com que a trama demore para engrenar, já que a busca por Orm irá se ligar paulatinamente aos Cristais do Zodíaco que o misterioso prólogo da história nos apresentou. Mas neste ponto o roteiro começa a ficar interessante. Das quatro edições, as duas últimas são as revistas que mais guardam boas surpresas em relação ao passado do Aquaman, sua declarada solidão e escanteio diante de seu próprio povo ou até dos amigos da Liga da Justiça (nota-se claramente que a ridicularização do Peixoso não é de hoje), fator que dá ao Rei dos Mares uma gama de sentimentos que são utilizados por sua amiga de ocasião, a feiticeira e rainha deposta Nuada Silverhand.

Do povo Tuatha Dé Danann (lendária cidade de Thierna Na Oge) à um esconderijo construído por Orm, conhecemos diversos espaços da geografia de Atlântida e outras cidades dos Oceanos, assim como o roteiro brinca com essa majestade auto-rejeitada de Arthur para colocar outros reis (Vulko é exposto em um grande dilema aqui) e rainhas assumindo o controle de situações politicamente delicadas. O roteiro expõe a política dessas terras subaquáticas e deixa claro que algumas coisas nunca mudam, independente de que civilização estamos falando.

PLANO CRITICO AQUAMAN 1986 ORM MESTRE DO OCEANO

A arte de Craig Hamilton, com finalização de Steve Montano e cores de Joe Orlando tem um papel importante na construção do encanto do espectador. Toda a nuance mitológica que está no texto, desde as primeiras páginas, é amplamente abraçada pela arte, algo visto nos detalhes dos lugares visitados, nas vestimentas e até nas expressões das diversas raças aqui presentes, tendo não só o traço mas também as cores um aplaudível papel de criação de uma grande variação étnica neste Universo. Juntamente com a boa abordagem dada pelo roteiro aos conflitos familiares entre Arthur e Orm, a arte é o grande atrativo dessa minissérie.

Ficam soltas, no decorrer das edições, a ação de Vulko e sua marcha em direção ao continente mais a primeira parte da ação de Orm contra o irmão, o que faz com que a qualidade geral da história caia um pouco, mas não tanto a ponto de tornar a leitura ruim. O final, como se quisesse mostrar um pouco de luz e calor sentimental depois de uma densa batalha fraterna, coloca o Aquaman olhando de maneira diferente para o mundo. Este é um ponto muito importante dessa minissérie. Ela prepara emocionalmente o Rei dos Mares para toda uma Era de transformações gigantescas que sua vida passaria nesta fase pós-Crise que, para ele, só estava começando…

Aquaman: Thicker Than Water #1 – 4 (EUA, 1986)
No Brasil:
 Superamigos #31 a 34 (Editora Abril, 1987)
Roteiro: Neal Pozner
Arte: Craig Hamilton
Arte-final: Steve Montano
Cores: Joe Orlando
Letras: Bob Lappan
Capas: Craig Hamilton, P. Craig Russell
Editoria: Neal Pozner, Dick Giordano, Robert Greenberger
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.