Crítica | Aquaman: O Tempo e a Maré

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Inicialmente, O Tempo e a Maré foi pensado como uma continuação para a série mensal Aquaman Vol.4 — 1991 a 1992, então escrita por Shaun McLaughlin. Peter David recebeu a tarefa da DC Comics, de continuar a saga, com um arco em quatro edições (que corresponderiam as mensais #14 a 17 daquele volume), mas o título foi cancelado e Time and Tide foi lançada como uma minissérie, que, por ter agradado logo de início, serviu como preâmbulo para um novo título mensal do Peixoso, obviamente com Peter David à frente.

É curioso o quanto demorou para o Aquaman do pós-Crise encontrar uma sequência de publicações que lhe desse solidez e tivesse uma boa recepção do público ou da crítica. Curiosamente, o próprio Peter David havia escrito uma longa minissérie — 7 edições de 50 páginas cada uma — chamada Atlantis Chronicles (1990), onde criou a história daquela civilização antes do Grande Dilúvio. Dessa minissérie saíram elementos narrativos, personagens e inúmeras explicações que seriam utilizadas ou expandidas nos textos futuros do autor, tanto nessa minissérie, quanto no título mensal para o qual ele escreveria 46 edições correntes + 4 anuais.

Na primeira edição dessa empreitada, Aquaman está sentado na Aquacave lendo o último parágrafo das Crônicas de Atlanna sobre a história da Atlântida (percebem a ligação com a obra anterior do autor?). O herói então decide adicionar ao livro a sua própria história, então começa a se lembrar e a escrever sobre quatro momentos diferentes de sua vida, todos muito bem amarrados e expostos de modo bastante coerentes, embora alinear, pelo autor. O roteiro não patroniza o leitor e sabe tornar atrativa essa mudança de perspectiva, fazendo-nos conhecer o primeiro encontro do Aquaman com o Flash (Barry Allen), a origem do seu nome, uma belíssima história de como ele sobreviveu ao Recife da Misericórdia e como passou um tempo com os golfinhos; uma triste história de como conheceu a esquimó Kako e, por fim, uma crônica dele e do Aqualad em batalha contra o Mestre do Oceano.

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Senta que lá vem história…

Em cada uma dessas fases é possível observar características diferentes da personalidade do Aquaman e sua constante construção da forma de ver e julgar o mundo. A arte de Kirk Jarvinen, finalizada por Brad Vancata torna a saga ainda mais interessante porque captura, com boas alterações, a atmosfera visual do tempo em que cada evento se passa, mudança que também se pode ver (embora de modo mais tímido) no uso de cores por Tom McCraw. O Tempo e a Maré funciona muitíssimo bem como uma reapresentação mais caprichada do Aquaman ao leitor, tendo pincelados diversos momentos de sua cronologia e, ao mesmo tempo, adicionadas novas informações e interessantes ganchos para uma história maior a ser contada. Não é de se espantar que a DC confiou o novo título mensal do Rei dos Oceanos a Peter David. A respeitosa e muito interessante abordagem que ele fez do personagem aqui serviu como um definitivo cartão de visitas. Ele certamente ainda tinha muita história para contar. E realmente mudaria a percepção do público para o Aquaman, sendo responsável por um dos mais elogiados runs (antes dos Novos 52) de toda a história de publicação do herói.

Aquaman: O Tempo e a Maré (Aquaman: Time and Tide) — EUA, 1993 – 1994
Roteiro: Peter David
Arte: Kirk Jarvinen
Arte-final: Brad Vancata
Cores: Tom McCraw
Letras: Dan Nakrosis
Capas: Kirk Jarvinen
Editoria: Kevin Dooley, Eddie Berganza
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.