Crítica | Aquaman: Origens da Era de Ouro e Prata

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Criado por Mort Weisinger (roteiro) e Paul Norris (arte), o Aquaman apareceu pela primeira vez na edição 73 da revista More Fun Comics, em 1941. Aqui, é importante deixar claro que estamos falando do Aquaman da Terra-2, onde estavam todos os personagens da DC Comics na Era de Ouro. Nesta primeira aparição do herói e primeira versão de sua história de origem, chegamos direto em uma batalha do Aquaman contra os nazistas. Claro, não era de se espantar. A data de capa da MFC que traz essa aventura é novembro de 41, mas o volume chegou às bancas em 19 de setembro, em um momento de ampla divulgação do avanço dos nazistas e dos países do Eixo no andamento da 2ª Guerra Mundial. Como toda aventura dessa Era, a base da trama é simples e cheia de conveniências e estranhezas, com toda forma louca de explicação científica para os poderes e habilidades que o Aquaman tinha. Embora existam exceções, essa era a regra para a Era.

A trama começa com um navio comum, com passageiros refugiados (em diferentes idades) + equipe médica, sendo torpedado por um submarino U-112. Para evitar a tragédia, o Aquaman aparece para salvar o dia, sem muitas explicações imediatas. O que estranha aqui é a pequena quantidade de passageiros que a arte de Paul Norris mostra, o que torna o resgate mais ridículo do que parece à primeira vista. Mas é algo com o qual conseguimos lidar. Só depois de salvar os passageiros (que são “tantos” que cabem em um único barco salva-vidas) é que ele bate um papo com o Capitão e conta a sua história, dizendo que a mãe morreu quando ele era pequeno e que o pai (não nomeado aqui) era um grande explorador dos Oceanos. Descobrindo uma cidade perdida, o homem passou a viver no palácio subaquático (?) e encontrou livros e escritos que ensinaram a ele coisas inimagináveis para os homens da superfície (?), conhecimento que passou para o filho, treinado com o conhecimento Atlante para poder respirar o oxigênio da água e ganhar força e velocidade no mar (?).

The Submarine Strikes plano critico aquaman origem

Em resumo, esta versão original para  a origem do Aquaman é que ele é um humano cujo pai utilizou “conhecimentos inimagináveis” para fazê-lo um “campeão dos oceanos“. Pela forma como o roteiro coloca a questão, confesso que não parece tão absurdo assim, pois o texto se sustenta nesse aspecto, fornecendo ingredientes o bastante para justificar a “loucura”. O que incomoda mais são as bobagens e incongruências relacionadas aos poderes do Aquaman (nome, aliás, dado pelo seu pai), como a cena em que ele pede ajuda para os golfinhos empurrarem o barco salva-vidas ou mexe em uma alga para “emitir um sinal de alerta” para seus amigos… golfinhos. De novo. O enfrentamento com os dois militares do submarino, na reta final, acaba se saindo um pouquinho melhor, adicionando a esperada dose de “espancamento de nazistas” e abrindo a possibilidade de retorno do Aquaman, o protetor dos mares, em outras aventuras.

More Fun Comics Vol.1 #73: The Submarine Strikes (EUA, novembro de 1941)
No Brasil:
 Origens dos Heróis – 3ª Série – n° 7 (Ebal, 1976)
Roteiro: Mort Weisinger
Arte: Paul Norris
Capa: Howard Sherman
Editoria: Mort Weisinger
8 páginas

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O Sócio do Homem-Submarino

Este pequeno horror publicado na edição 229 da revista Adventure Comics Vol.1 não é uma história de ORIGEM, no sentido estrito do termo. Mas é a primeira aparição do Aquaman da Era de Prata, ou seja, o personagem da Nova Terra (na época, Terra-1); em outra palavras, o nosso Rei dos Mares, o Peixoso do nosso quintal. Na história, também temos a primeira aparição de Topo, o Polvo, que é eleito pelo Aquaman como seu “parceiro de aventuras” — o primeiro sidekick do Rei dos Mares (se você riu, saiba que sua reserva […] foi feita com sucesso).

Por não se tratar de uma “aventura de origem”, encontramos aqui uma ação em andamento com o Aquaman estabelecido e conhecido das autoridades, primeiramente atendendo a um chamado de guardas na costa oeste do Canadá para capturar um barco de fugitivos. O cerne das coisas ruins nessa história vem da fala aleatória do herói para os policiais, dizendo que “precisava de um ajudante“, indicando o cavalo dos outros profissionais como um exemplo. E pior ainda: ele só chega à conclusão de que tem o oceano inteiro do planeta a seu dispor quando um dos interlocutores diz a ele que “poderia pegar um dos animais do mar e testar, para ver qual poderia ser um melhor parceiro”. Sim, a história é ruim nesse nível.

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Aquaman e sua opressiva POLVOFOBIA, achando que Topo era covarde…

E se as coisas não vão bem no início, é claro que não melhoram nem um pouco no desenvolvimento ou no final. Sobram o acavalamento de sequências, frases absurdas, uso infame dos animais marinhos como ajudantes… ou seja, o leitor mais se irrita do que se diverte com a revista. No começo, a arte de Ramona Fradon até sugere algo interessante, mas depois não chama mais a atenção, talvez porque a incompetência do roteiro seja tão grande, que o leitor não consegue validar tanto os desenhos. Que terrível primeira aparição do Aquaman da Era de Prata, viu! Santo Poseidon, valei-nos!

Adventure Comics Vol.1 #229: Aquaman’s Undersea Partner (EUA, outubro de 1956)
No Brasil:
 Aquaman n°4: O Sócio do Homem-Submarino (Ebal, 1959 e 1969)
Roteiro: Indefinido
Arte: Ramona Fradon
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger, George Kashdan
6 páginas

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Como Aquaman Conseguiu Seus Poderes

Agora sim estamos falando de uma história de origem. A primeira das muitas revisões e reestruturas que o Peixoso terá ao longo da Era de Prata. Com roteiro de Robert Bernstein e arte de Ramona Fradon (que desenhou a primeira aparição dele nessa Era, três anos antes), essa trama peca muito mais pela narração do “tempo presente” do que pelo próprio Aquaman contando a história de sua vida, de como seus pais se conheceram e de como ele, desde criança, manifestou poderes e habilidades não-humanas sempre que estava na água e por aí vai… Aqui também temos a primeira aparição de Atlanna e de Thomas “Tom” Curry, os pais do Aquaman. Na história que conta ao Commander Haskel, o herói fala rapidamente da morte dos dois, o que de certa forma serve como impulso sentimental na revista.

Os ingredientes conhecidos de todas as revisões que esta origem teria, no futuro, são apresentados aqui. A noite de tempestade, a vontade de Atlanna em conhecer o “mundo da superfície”, seu exílio, o encontro com Tom, o casamento e a recusa em falar sobre sua origem — tendo apenas no dia de sua morte a revelação de quem era. Atlantis é tratada como uma respeitável lenda aqui, fazendo duas rápidas aparições. A última, no entanto, é a menos interessante. Como disse no início, o que mais atrapalha o roteiro dessa edição é a narrativa do “tempo presente”, de modo que toda a confiança do segredo contado ao Comandante simplesmente não faz sentido algum: foge consideravelmente do perfil do Aquaman e de maneira irresponsável deixa alguém com uma patente alta — e que deve inúmeras explicações para o governo americano — saber a localização da Cidade Misteriosa… É bem difícil engolir isso.

plano critico como o aquaman ganhou seus poderes plano critico

E o prêmio de “pior pai do ano” vai para o Sr. Curry!

O trabalho artístico de Ramona Fradon aqui é mais ágil (e por isso, mais interessante) que no da Adventure Comics #229. Claro que o roteiro aqui é melhor e isso ajuda também, mas é bom ver personagens e lugares que conhecemos de outras leituras serem introduzidos em uma nova roupagem. Os erros, nessa parte, então na escolha da premissa para que a história do Aquaman venha a nosso conhecimento, mas a exposição desse passado até que nos diverte um pouco.

Adventure Comics Vol.1 #260: How Aquaman Got His Powers! (EUA, maio de 1959)
No Brasil:
 Aquaman n°11 (Ebal, 1970), Batman 2ª Série – n°6 (Ebal, 1961), Coleção DC 75 Anos n°2 (Panini, 2010)
Roteiro: Robert Bernstein
Arte: Ramona Fradon
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
10 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.