Crítica | Arquivos da Patrulha do Destino – Vol.1

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A Patrulha do Destino foi criada em 1963, nas páginas da revista My Greatest Adventure, número 80, tendo roteiro de Arnold Drake e Bob Haney, mais a arte de Bruno Premiani. O sucesso do estranho grupo foi rápido e inesperado. O público recebeu tão bem a equipe que, após a edição 85 da MGA, a revista mudou o nome para Doom Patrol, trazendo o cumulativo das edições, ou seja, depois da My Greatest Adventure #85 veio a Doom Patrol #86. O encadernado americano intitulado Doom Patrol Archives, cujo primeiro volume trago a crítica aqui, compila as cinco primeiras edições da Patrulha na MGA + as edições 86 a 89 do título principal da equipe. E nesse caso temos uma particularidade. Eu já critiquei em separado as cinco revistas de estreia, texto que vocês podem conferir em Patrulha do Destino: Origem e Primeiras Aventuras. Na presente crítica trago, então, os apontamos para as já citadas edições restantes do compilado.

Publicada em março de 1964, The Brotherhood of Evil coloca a Patrulha diante da… vocês sabem… Irmandade Negra (aqui, formada por Cérebro, Madame Rouge, Monsieur Mallah, Rog e Mister Morden). A revista é deliciosamente estranha, começando com uma calorosa surpresa dos heróis para O Chefe (após uma breve apresentação das origens do Homem-Negativo, Mulher-Elástica e Homem-Robô), comemorando o aniversário do fundador da Patrulha mesmo sem saberem, de fato, a data, porque o Chefe nunca falou nada a respeito. O humor típico da Era de Prata e a atrapalhada relação com que o time tem na hora de enfrentar o vilão da revista, Rog, é o grande atrativo da edição. A forma como a Irmandade é apresentada e a própria escrita do vilão-músculo aqui são as piores coisas da trama, mas não em um sentido que não dê para suportar.

Na edição 87 temos duas histórias abordando situações diferentes com a Patrulha. Na primeira, o Terrível Segredo do Homem-Negativo, acompanhamos uma trama de suspense e investigação dos criminosos da Irmandade Negra, que volta a atormentar a vida da Doom Patrol. Se a gente tirar as pseudo-explicações científicas, dá para se divertir bastante com o jogo de personagens infiltrados, personagens enganados e algumas estratégias ocultas até a parte final da história, que traz um dos melhores trabalhos de equipe dos heróis até o momento. Na segunda trama, Robotman Fights Alone!, o Homem-Robô é enviado na frente para uma missão na Ilha Sutu, um dos palcos sangrentos da 2ª Guerra Mundial. Rita e Larry estão em outra ocupação e devem encontrar Cliff in loco, algumas horas depois. Com menos páginas que a trama anterior e com diversas provações para o protagonista, a história avança com rapidez e mesmo que termine de maneira abrupta e nem tão interessante quanto o seu desenvolvimento, ainda nos deixa com saldo positivo.

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O General Immortus já tinha atormentado a Patrulha do Destino (e principalmente o Chefe, cuja história de origem — ou algo perto disso — é narrada aqui) na aventura de estreia do grupo e em O Retorno do General Immortus, sempre com um final que dava a entender sua derrota completa, o que, obviamente, não aconteceu. Nesta edição #88 da revista, intitulada A Incrível Origem do Chefe, temos um novo momento desse vilão, agora com um elemento mais interessante em cena, ou seja, sua relação passada com o Doutor Niles Caulder e sua vontade de viver para sempre. A colocação do personagem na história, fazendo roubos intricados sob o nome de O Barão é um dos pontos mais chamativos da trama. Quando a Patrulha tenta interromper esse ciclo é que as coisas começam a ficar questionáveis por parte do roteiro. A gente consegue até aceitar as explicações sci-fi do Chefe para o seu passado, invenções e experimentos do que engolir as justificativas do roteiro para algumas ações dos heróis posteriormente. A narrativa, porém, permanece ágil, diverte e é finalizada com mais uma adição do ciclo de “morte misteriosa da qual ninguém tem certeza“.

E para fazer um pouquinho de inveja ao nosso querido Buddy Baker, olha quem chegou à DC Comics aqui para arrasar: o Homem-Animal-Vegetal-Mineral! Na história que dá título ao vilão, temos uma proposta realmente interessante, mas com uma execução do roteiro que simplesmente não agrada. Visualmente, Bruno Premiani faz algo maravilhoso, criando as transformações do cientista Sven Larson de maneira muito inventiva e totalmente fascinante — bom, eu adoro essas coisas estranhas, transformações bizarras, então sou suspeito para falar. O problema é que o drama em torno dessa transformação não é exatamente interessante e também não termina lá muito bem. A mesma coisa podemos dizer do conto seguinte, A Guerra Particular da Mulher-Elástico, com Rita tentando salvar uma vida, com sequelas traumáticas da Guerra da Coreia. Para os dois casos, o princípio da história é bom, mas o desenvolvimento e a finalização se perdem bastante, deixando esse primeiro volume de Arquivos Secretos com um resultado acima da média, mas muitas coisas que poderiam ir por outros caminhos e terminar bem melhor.

My Greatest Adventure #80 a 85 + Doom Patrol Vol.1 #86 a 89 (EUA, junho de 1963 a agosto de 1964)
No Brasil: Ebal (1979, 1980)
Roteiro: Arnold Drake
Arte: Bruno Premiani
Arte-final: Bruno Premiani
Capas: Bob Brown
Editoria: Murray Boltinoff
12 a 24 páginas (cada história)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.