Crítica | Arquivos da Patrulha do Destino – Vol.2

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Criada na edição #80 da revista My Greatest Adventure, a Patrulha do Destino se estabeleceu com facilidade e rapidamente caiu nas graças do público, graças a uma estranha combinação de tramas bizarras e equipe estranha, com humor ácido e muito mistério envolvendo os próprios membros. Muitas histórias de ficção científica e de fantasia moldaram a jornada da equipe, que um ano depois de ter sido criada, já ganhou título próprio, sendo o carro-chefe do que antes era a MGA. No presente compilado, trago as críticas para as edições #90 a 97 da Doom Patrol Vol.1, publicadas entre outubro de 1964 a agosto de 1965.

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O Inimigo Dentro da Patrulha do Destino

The Enemy within the Doom Patrol

PATRULHA DO DESTINO 90 PLANO CRÍTICO

Se no Volume 1 dos Arquivos da Patrulha do Destino tivemos um grande destaque para a Irmandade Negra, já era de se esperar que a perseguição e sequência de planos do Cérebro — ao lado de Madame Rouge e Monsieur Mallah — continuassem rondando a Patrulha, e é justamente isso o que acontece na aventura que abre esse Vol.2, O Inimigo dentro da Patrulha do Destino. A história aqui ganha bastante destaque na arte, mas nem tanto no roteiro, que tem uma interessante premissa e está cheio dos bons momentos de humor e provocações de um membro da equipe para com o outro outro, mas tudo isso acaba enjoando, no final das contas, com o padrão manjado de substituição de corpos por Madame Rouge, que após passar por um raio especial, ganha a capacidade de modelar seu corpo para tomar a forma física de qualquer um. É considerando isso que o texto se desenvolve e consegue uma boa linha de suspense, mas nada assim tão elogiável. O suspense permanece até o final, no entanto, é progressivamente minado pela já esperada dinâmica de ação que o roteiro coloca para a vilã: imitar o corpo de um membro da Patrulha e tentar dominá-la por dentro.

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O Homem Que Separou a Patrulha do Destino e O Sinistro Segredo do Dr. Tempo

Mento — the Man Who Split the Doom Patrol + The Sinister Secret of Dr. Tyme

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As edições #91 (Mento–the Man Who Split the Doom Patrol) e #92 (The Sinister Secret of Dr. Tyme) formam um pequeno arco que reúne a Patrulha a um estranho personagem — mais um para a coleção! –, alguém que depois se tornaria recorrente nas revistas da equipe: Mento (Steven Dayton), um riquíssimo pesquisador, inventor e “herói” (ou algo perto disso) que, ao menos nessa apresentação que tem na revista Doom Patrol, guarda uma postura neutra e está mesmo é interessado em conquistar a Mulher-Elástica. Suas ações não são confundidas pela trupe do Chefe, nem nada, mas estão numa posição que mais atrapalha do que ajuda na luta contra Garguax, o alien da primeira edição… assim como no caso do vilão seguinte, Doutor Tyme. Ambos os casos possuem uma narrativa que começa bem e termina extremamente apressada, tornando toda a história desinteressante na visão que guardamos do todo. Embora eu goste bem mais do vilão Doctor Tyme, a trama com Garguax acaba tendo um desenvolvimento um tantinho melhor a longo prazo, a despeito da bizarrice de reprodução de androides que o vilão inventa.

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Confronto na Estrada do Pesadelo

Showdown on Nightmare Road

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Showdown on Nightmare Road (edição #93) é um curioso conto sobre como a rejeição pode afetar alguém, mesmo um herói aparentemente já acostumado com rejeição. É uma história triste que, ainda que consideremos alguns pequenos furos de roteiro, consegue nos chamar a atenção pelo tipo de problemática que levanta. Na trama, Cliff está ressentido pelo fato de Rita dar toda a atenção possível para Larry, o Homem-Negativo, beijando-o e parabenizando-o pelos grandes feitos na luta contra vilões recentes. Isso faz com que o Homem-Robô se sinta escanteado por ser… bem… um robô (com cérebro de um humano) e que busque desesperadamente por uma cura, indo cair nas mãos da Irmandade Negra (claro!), o que torna a edição muito interessante, porque o plano da Irmandade começa realmente dando muito certo e a gente imagina o que pode acontecer com o pobre do cabeça de lata. A história mantém aquela pressa absurda na reta final (característica muito incômoda desses quadrinhos iniciais da Patrulha), mas definitivamente é uma boa história.

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Os Lutadores do Pesadelo e O Chefe Fica Sozinho

The Nightmare Fighters + The Chief “Stands” Alone

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Por ter dois contos nessa edição, o número de páginas é reduzido, o que garante uma concepção mais bem cuidada por parte do roteiro na primeira história, que começa com a Patrulha do Destino participando de um programa de televisão. Os diálogos e a narração dos acontecimentos aqui são inesperadamente muito bons e carregam todo o cinismo e humor ácido da Patrulha, tendo até o Chefe entrado na brincadeira de ridicularizar Rama Kara e um tal espírito de Osra. Trata-se de uma história que elenca o sobrenatural (ao menos é o que a gente acredita, nos primeiros quadros) e que traz um pouquinho mais de destaque para o Homem-Robô, que acaba sendo a principal peça (hehehe) para a resolução do caso contra o “fantasma”.

Já a segunda história, The Chief “Stands” Alone, está abaixo da primeira. Ela coloca O Chefe em posição de destaque, fazendo com que ele enfrente um inimigo (Claw e seus pássaros de garras de metal) sozinho, o que em concepção é bastante interessante, pois o Dr. Niles Caulder está em uma cadeira de rodas. Mas nem tudo são flores. A trama tem momentos interessantes de ação, especialmente na reta final, mas é a organização dos fatos que deixa tudo muito confuso e um pouco sem sentido, no começo, com a Patrulha indo fazer alguma coisa em um vulcão, com O Chefe ficando sozinho e a ação acontecendo sem que os Patrulheiros saibam, ao menos até os últimos minutos. Tem sua graça, mas não começa muito bem…

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A Ameaça dos Heróis Trocados

 Menace of the Turnabout Heroes

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Com a volta do Animal-Vegetable-Mineral Man, temos também uma das histórias mais interessantes desse volume dos Arquivos da Patrulha do Destino. Tudo começa em uma ação normal de combate ao crime, com reféns e com fuga de prisioneiros de um presídio. Desse ponto em diante, o roteiro cria rapidamente a motivação que faria com que os heróis trocassem de poderes, com uma desculpa que vem rápido demais, tem a maior cara de Deus Ex Machina, mas está em uma linha tão boa de ação a longo prazo que a gente consegue lidar bem com ela. Descobrimos que Rita pode morrer, por conta de sua condição de alterar o tamanho do corpo e diante disso, O Chefe apresenta uma nova invenção. Teoricamente, essa nova maravilha da ciência deve remediar a ameaça, mas não é o que acontece. Todavia, esta é a parte “normal” da revista. A melhor parte vem com a chegada do  Homem-Animal-Vegetal-Mineral, novamente em uma excelente exposição artística e numa maravilhosa sequência de transformações. Juntando os poderes trocados dos heróis mais esse vilão, não tem outra: conseguimos uma edição realmente muito boa, especialmente se comparada às anteriores.

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O Dia em Que o Mundo Enlouqueceu

The Day the World Went Mad

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Uma edição cheia de boas surpresas e reviravoltas, com um princípio relativamente simples e uma sequência de acontecimentos que colocam a Irmandade Negra em ação (mais uma vez!), agora com destaque para a presença do General Immortus e de Garguax, além dos já bem conhecidos Madame Rouge e The Brain. O roteiro expõe diversas pessoas, em distintos ambientes, simplesmente “enlouquecendo”, tendo um ataque de raiva e destruindo coisas. E esta é a situação que provavelmente tomará conta de todo o mundo, caso a Patrulha do Destino não consiga intervir. Normalmente, uma colocação paulatina de diferentes vilões de peso pode sair pior que a encomenda, tornando o texto truncado ou previsível, o que certamente afeta a condição final da história. Isso, porém, não acontece aqui. Os erros da edição estão mais na tomada de decisões abruptas e falta de justificativas inteligentes para algumas coisas, mas não na apresentação dos vilões. Cada um recebe uma boa função e tem uma parte da agenda de “dominação do mundo” para cumprir, sendo esta a linha mais bem estruturada da revista, a despeito de ter uma fórmula estúpida que traz o seu encerramento.

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A Guerra Contra os Escravos da Mente

The War Against the Mind Slaves

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Que fantástica essa história! De certa forma, trata-se de uma continuação da trama anterior, com a Irmandade Negra em ação e mais ou menos com as mesmas premissas, desde a localização (com a base no lado oculto da Lua) até às tentativas de dominação das pessoas via controle mental. Se no enredo anterior, no entanto, o plano era megalomaníaco e tinha um número maior de obstáculos para fazer com que a história tivesse maior sentido — especialmente no encerramento –, o mesmo não acontece aqui. É claro que ainda existem problemas (introdução e retirada de personagens parecem ser o calcanhar de Aquiles da revista) mas tudo é tão interessante e a ação da Irmandade é tão boa, que fica difícil não terminar a narrativa com um sorriso no rosto.

O bacana nessas boas tramas da Patrulha do Destino é que tudo é muito bizarro, claramente impossível, partindo do princípio de um tipo maluco de sci-fi que, quando bem escrito, garante um excelente entretenimento. Até fiquei com um pouco de pena do estranho Mento ao fim da revista e ri bastante com as interações entre os Patrulheiros, cada um deles aqui executando uma missão para livrar grupos de pessoas dos raios que transformavam seu corpo e sua mente em instrumentos da Irmandade Negra. Ótimo trabalho de Arnold Drake no roteiro, fazendo aqui o melhor enredo de tudo o que fora publicado da Patrulha do Destino até então!

Doom Patrol Vol.1 #90 a 97 (EUA, outubro de 1964 a agosto de 1965)
Roteiro: Arnold Drake
Arte: Bruno Premiani
Arte-final: Bruno Premiani
Capas: Bob Brown
Editoria: Murray Boltinoff
12 a 24 páginas (cada história)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.