Crítica | Arquivos da Patrulha do Destino – Vol.4

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Criada na edição #80 da revista My Greatest Adventure, a Patrulha do Destino se estabeleceu com facilidade e rapidamente caiu nas graças do público, graças a uma estranha combinação de tramas bizarras e equipe estranha, com humor ácido e muito mistério envolvendo os próprios membros. Muitas histórias de ficção científica e de fantasia moldaram a jornada da equipe, que um ano depois de ter sido criada, já ganhou título próprio, sendo o carro-chefe do que antes era a MGA. No presente compilado, trago as críticas para as edições #106 a 113 da Doom Patrol Vol.1, publicadas entre setembro de 1966 a agosto de 1967.

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Irmãos de Sangue

Blood Brothers

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Quando eu bati o olho na capa dessa revista eu pensei que se tratava do Homem-Animal-Vegetal-Mineral, só que com uma cara estranha. Daí li o balão em que o Larry fala “Mr. 103” e fique tipo… “como assim?“. Parece outra pessoa, não parece? E o mais bizarro de tudo ainda é que o vilão de dentro da revista não se parece nada com esse monstrão legal que está exibido na capa. Triste fim.

Essa história basicamente só serviu para mostrar que o casamento do Mento com a Mulher-Elástica não vai muito longe em termos de “um real casamento”… e também para dar continuidade a algo que já tinha sido aludido em Lua-de-Mel de Terror, quando Rita foi dar uma espiada na casa do Mutano e percebeu que Nicholas Galtry realmente poderia estar roubando o dinheiro do menino. Aliás, nunca entendi essa resistência da Patrulha em ao menos dar o benefício da dúvida para o moleque e checar as reclamações dele sobre o comportamento criminoso do guardião. Agora, enfim, a coisa parece que será resolvida. Quanto à trama em si, uma parte da luta é até divertida, o humor em algumas falas é legal, mas não se trata de nada que nos chame realmente a atenção.

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Larry tá fazendo piadinha e tudo, mas isso é bem triste. E a mulher… sem noção.

E assim como foi feito com Cliff nos Arquivos Vol.3, temos agora a história do Homem-Negativo, que eu já comecei meio com medo de ela se tornar uma saga interessante de origem, porém, com um final questionável. Mas tudo bem, vamos ver aonde isso aqui vai dar. Diferente da história do Homem-Robô, a trama ligada a Larry é bem mais objetiva, com pouca coisa de novidade em relação ao que a gente já conhecia do personagem. Mesmo assim, gostei bastante da história, porque tudo é contado de maneira rápida e até a verborragia do começo passa rápido e tem alguma razão de existir…

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A Guerra Por Mutano e Corrida Contra o Dr. Morte

The War Over Beast Boy + The Race Against Dr. Death

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Há uma queda considerável no quesito “divertimento” em relação a essa aventura, e isso não é nada bom. A primeira coisa estranha que temos aqui é a continuação quase irresponsável deixada para a revista seguinte, o que até poderia ser algo bom se o autor escolhesse o momento certo para essa criar passagem, o que nem de longe acontece. No enredo, duas tramas se apresentam. Primeiro, os Patrulheiros lutam contra um computador gigante chamado Ultimax, que tem umas tiradas dignas de uma boa mescla de vergonha alheia e linhas engraçadinhas. Tudo bem, esse tipo de diálogo não é novo nas revistas da equipe, convenhamos, mas essa história é insossa demais para caber algo assim. E se ainda precisa de algo pior… ela nem termina!

Ok, já tomei meu remedinho, vamos voltar. A segunda parte da história é de fato a parte importante aqui, pois coloca Mento dando a cara a tapa na investigação contra o guardião de Mutano, o Sr. Galtry. E vejam, eu não sei se é birra minha (me digam o que vocês acham disso), mas até o menino verde parece mal escrito aqui, embora participe pouco. Mas não acabou. Em dado momento, Abu Hallam entra na jogada e… pronto. O cerne da maluquice está dado e o roteiro acaba de se embolar ainda mais…

Já a segunda historinha (A Vida Privada do Homem-Negativo) eu curti mais. Tudo bem, isso é quase um melodrama, mas pelo menos é honesto em relação à própria proposta (de mostrar os dissabores de um estranho como Larry, agora parecendo uma múmia), as relações sociais abaladas e o que ele topa fazer para poder viver em sociedade novamente. A propósito, algo muito legal aqui é a diferença de concepção para o personagem. Enquanto Cliff assumiu um molde totalmente depressivo, Larry exibe um forte amor pela vida, embora a tristeza e o desalento venham diante de tanta rejeição, o que é humanamente compreensível.

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Kid Disaster

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Aaaaaaa, agora sim, isso é que é fazer um cliffhanger! Eu sei que a primeira parte inteira da história é chatinha que dói, mas vejam… não é ruim! Eu pelo menos curti bem mais do que a aventura nesse “microverso” representada na edição passada! E de qualquer forma, a coisa se encerra, o que é mais importante. Não é um glorioso final, mas vá lá, para a maneira como o roteiro estava indo… era o melhor que poderíamos ter. Aí vem o cerne verdadeiro da história, onde as ~misteriosas~ peças enfim se revelam. E eu passei a ter sentimentos conflitantes em relação a essa parte da trama. Por um lado, eu sentia uma certa saturação em ver DE NOVO a Irmandade Negra perseguindo a Patrulha. Mas, por outro lado, gostei de ver um plano muito elaborado e uma real vitória (bem… “vitória”) da Irmandade. Até o adendo final, com a entrada de Mutano, é interessante, embora tenham colocado na conta do menino um preço alto demais, não? Isso foi injusto com ele. Se não tivessem desprezado os avisos do adolescente, não estariam nessa situação agora.

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Mandred, o Carrasco e Julgamento Pelo Terror

Mandred the Executioner + Trial by Terror + Flight Into Fear

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Aqui temos o ajuntamento de duas revistas que narrativamente dão continuidade à trama já em desenvolvimento sobre as ações recentes da Irmandade Negra diante da Patrulha do Destino. E olha que temos (possivelmente?) uma “GADA” em jogo! Quem diria, não é mesmo? A proposta do roteiro é tão absurda, mas tão absurda, que eu acho que passei uns três minutos rindo diante dessa bobagem, de o autor ao menos pensar nessa possibilidade. É a vida…

Como encadeamento dos fatos, temos Mutano retornando com os amigos Patrulheiros para o laboratório do Chefe, onde poderiam ser revividos. E aqui a gente adiciona o ponto “WTF!?” ao roteiro, que copia descaradamente um pedaço do que fora antes usado com os Desafiadores do Desconhecido. O chocante mesmo é a notícia de que tem alguém dentro da Irmandade boicotando os planos da Irmandade, e tudo isso no meio de uma luta contra Mandred, um androide gigante criado por Garguax, enviado para destruir o Chefe e Mutano, posto que a Irmandade acreditava piamente que a Patrulha estava morta. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, inclusive Mento com sua ação legal contra a Galtry, o guardião criminoso do menino verde.

O que pega é a conclusão da saga, que parece jogar forte com a verborragia didática a ponto de irritar. Os desenhos, todavia, são bons (a arte nessas revistas da Patrulha às vezes dá uma alavancada) e tem muita luta, o que torna a trama ágil, possivelmente o motivo que me tenha feito ver o produto completo com olhos positivos. A cena do tribunal é meio engraçada e meio clichê, cheia de reviravoltas que também me agradaram. Fico só imaginando o impacto moral da ação de Rita, na última cena, levando em consideração que ela é uma heroína. Mas é como naquele ditado: “no amor e na guerra…” — (só que não).

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Na edição #109 nós temos a historinha Flight Into Fear, continuando as aventura de Larry. Mais uma vez, gosto bastante do que vejo nessa abordagem sobre as primeiras aventuras dele nessa nova condição. A tentativa de seguir com a “vida normal” parece ser uma postura natural do personagem e ele aqui arranja um perigoso trabalho que, obviamente, consegue completar com tranquilidade graças ao Homem-Negativo. Vamos ver até onde vai o bom lado dessa narrativa, que parece caminhar para um afunilamento de personagens e situações, dando a entender que está quase se encerrando.

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Zarox-13, Imperador do Cosmos e Irmãos no Sangue

Zarox-13, Emperor of the Cosmos + Brothers in Blood + Neg Man’s Last Road

plano critico patrulha do destino Zarox-13, Emperor of the Cosmos!

Eita, eita, eita. Eu definitivamente não estava esperando por isso, e olha que, a essa altura do campeonato, a gente já viu de tudo nas páginas dessa revista, certo? Pois bem… Aqui, aparece Zarox-13, conterrâneo superior de Garguax, que vem invadir a Terra. Já aí eu fiquei um pouco de cara torta, porque esse drama de invasão pura e simples chegou a um ponto de saturação pra mim. A Patrulha tenta convencer os aliens a acreditar que a Terra possui uma civilização de alta tecnologia invencível, mas Garguax intervém e expõe o ardil. O negócio começa a ficar maluco quando Zarox-13 se junta a Garguax. Malandro como sempre, o Cérebro suspeita de uma futura traição dos alienígenas e secretamente propõe uma aliança temporária entre a Irmandade e a Patrulha do Destino. É aí que, se as coisas não estavam loucas demais para o leitor, elas definitivamente passam a ficar.

Em situações extremas, esse tipo de aliança já foi vista algumas vezes nos quadrinhos, não é como se fosse algo imensamente absurdo. O grande problema é a forma como essa aliança temporária para deter um inimigo comum é feita, no presente caso. Como a briga ocupa as edições #111 e 112, a gente tem tempo suficiente para ir digerindo os absurdos a longo prazo, vendo a cara de espanto dos membros da Patrulha e o total descuido do Chefe ao mostrar lugares que jamais deveria mostrar para inimigos como a Irmandade Negra! Realmente não dá para aceitar esse tipo de escolha por parte do roteiro.

Como adendo, meio que displicentemente, também conhecemos a origem de Madame Rouge, que um dia foi a atriz Laura De Mille. Daí sabemos que após ela sofrer um acidente, “virou esquizofrênica” e foi cair nas mãos erradas para obter “a cura”. Fica claro então o que veio a partir daí. Mas o absurdo final é O Chefe começando a ter sonhos de “reverter” a condição da Madame depois dessa. Ai, ai…

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Nessas duas edições também temos os dois pequenos contos relacionados aos “primeiros passos” de Larry como Homem-Negativo. E… bem, mais uma vez me senti enganado, embora o papel final de Larry tenha sido de plena ação e com um sentido coerente com o que o personagem tinha apresentado até ali. O problema não é o uso dele, mas a aparição do Chefe que é meio do nada. No todo, achei essa história de origem mais cheia de implicações sociais, familiares e com um vilão pra chamar de seu, o Dr. Morte, o que faz com que ele seja mais coerente do que a de Cliff.

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Quem Se Atreve a Desafiar Arsenal? e Diamantes do Destino

Who Dares to Challenge the Arsenal + Diamonds of Destiny

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Então chegamos ao final desses Arquivos com uma historinha chatinha e bizarrices como: batalha num castelo, sem mais nem menos; o Chefe com uma câmera escondida no quarto de Madame Rouge (???); relação “pai-e-filho” completamente louca entre Mento e Mutano e casamento mais louco ainda entre Rita e Mento…

A batalha contra Arsenal diverte um pouquinho na arte e também por algumas tiradas cômicas nos diálogos, na primeira parte da aventura, mas aqui eu já vejo um cansaço de praticamente todas as fórmulas utilizadas por Arnold Drake no decorrer das edições da Patrulha. Não é de se espantar que a revista já estivesse em sua linha final, dando passos largos para o cancelamento…

E no fim, temos um conto de Mutano, do qual gostei bastante. Ao que parece, esses eventos aconteceram pouco tempo depois da morte dos mais de Gar, que nessa aventura está vivendo com os animais, como um verdadeiro Tarzan, recusando a companhia da comunidade local e sendo alvo de “maus olhares”. Na trama, o menino frustra os planos de ladrões de diamantes que formavam uma parceria temporária com o inescrupuloso feiticeiro da tribo nativa próxima. Gar é sequestrado pelos vilões. O roteiro imprime uma ideia de ciclo bem colocado, com o ponto certo para o encerramento, por isso gostei muito dessa historinha.

Doom Patrol Vol.1 #106 a 113 (EUA, setembro de 1966 a agosto de 1967)
Roteiro: Arnold Drake
Arte: Bruno Premiani
Arte-final: Bruno Premiani
Capas: Bob Brown
Editoria: Murray Boltinoff
12 a 24 páginas (cada história)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.