Crítica | Arrow – 8X06: Reset

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

Parece que o elenco de Arrow é bem melhor atrás do que na frente das câmeras. Katie Cassidy debutou na direção com Leap of Faith, o melhor episódio da temporada até agora e muito em razão dela, revelando um futuro promissor nessa cadeira, e, agora, David Ramsey, o fiel escudeiro John Diggle – ou Spartan, seu desnecessário nome super-heroico – retorna para a direção, depois de Past Sins, da temporada anterior. Com a ajuda de um roteiro que faz uso de um artifício batido, mas sempre bem-vindo, da ficção-científica, o loop temporal no estilo Feitiço do Tempo e contando com a participação de Paul Blackthorne, o melhor ator de toda a série (ok, eu sei que isso não quer dizer muita coisa, mas vocês me entenderam) retornando como Quentin Lance, além de ter Katherine McNamara apenas por alguns segundos, o que é sempre uma benção, Ramsey faz com que Reset funcione muito bem e facilmente dispute com Cassidy o posto de melhor episódio até agora.

O diretor e ator mostra logo de início que tem excelente controle do trabalho de câmera, transitando de maneira narrativamente lógica entre tomadas paradas, que apenas observam os personagens e outras que contam com “câmera na mão” e que são capazes de colocar o espectador, ainda que brevemente, no meio da ação. Claro que os maneirismos padrões da série estão presentes, como as irritantes tomadas circulares que deixam qualquer um tonto, assim como os close-ups em olhos chorosos, prestes a derramar lágrimas, mas a boa notícia é que a estrutura do episódio impede repetições e, surpresa, surpresa, os discursos motivacionais deslocados e forçados.

O roteiro de Onalee Hunter Hughes e Maya Houston, estreantes na série, tem como maior defeito a criação de uma trama extremamente aguada e boba para justificar o uso do loop temporal. E não falo aqui do objetivo em si do loop – fazer com que Laurel e principalmente Oliver consigam redenção em relação a Quentin e, no processo, em relação ao Monitor – é ruim, longe disso. O problema está em toda a rotina de acordar, ir até uma festa beneficente e tentar impedir um situação com reféns na boa e velha delegacia de polícia de Star City. Teria sido incrível se o texto tivesse trabalhado uma premissa um pouco melhor, um pouco mais profunda para capturar imediatamente a atenção do espectador para além da “repetição do dia até a morte de Quentin” que, como já disse, por si só, é algo que sempre é divertido, mesmo em filmes de baixo orçamento e com protagonista fraquíssimo como ARQ (não coincidentemente com Robbie Amell, primo de Stephen). As citações às obras mais famosas que usam o artifício me pareceram exageradas e falta do que falar para além de agradar aos fãs e ter certeza de que todo mundo está entendendo a premissa, mas a simples ausência de constantes bobagens saindo da boca do elenco já trouxe algo que falta e muito a essa temporada: um senso de que seres humanos – e não babuínos com máquinas de escrever – estão trabalhando nos textos.

O retorno de Blackthorne como prefeito da cidade e vivinho da silva é o segundo grande chamariz do episódio e o ator não desaponta com seu carisma imediato e sua capacidade de expressar mais do que duas emoções, algo que sempre o separou de seus colegas de trabalho. Claro que a trama água com açúcar foi imaginada de forma a derreter corações, mas essa forma de fisgar o espectador acaba funcionando bem porque as repetições dos mesmo eventos ganham em economia graças aos cortes precisos comandados por Ramsey, algo comum nos filmes do gênero, mas que não é algo simples de se fazer quando o tempo é curto como o padrão de 42 minutos dos episódios de Arrow. Mesmo exagerando no tempo de texto expositivo ao final entre Lyla e Oliver para explicar o que já era óbvio (como sempre), o diretor soube poupar a paciência do espectador que quer mais do que apenas a mesma coisa sempre.

Reset é um alívio, especialmente depois do tenebroso Prochnost. Fico pensando se Stephen Amell, atrás das câmeras, seria tão bom quanto seus outros dois colegas, mas, por outro lado, fico com medo de imaginar que ele seja tão bom diretor quanto é ator…

Arrow – 8X06: Reset (EUA, 26 de novembro de 2019)
Showrunners: Marc Guggenheim, Beth Schwartz
Direção: David Ramsey
Roteiro: Onalee Hunter Hughes, Maya Houston
Elenco: Stephen Amell, David Ramsey, Katherine McNamara, Ben Lewis, Joseph David-Jones, LaMonica Garrett, Katie Cassidy, Charlie Barnett, Andrea Sixtos, Audrey Marie Anderson, Rila Fukushima, Kelly Hu, Willa Holland, Lexa Doig, Jamie Andrew Cutler, Echo Kellum, Rick Gonzalez, Juliana Harkavy, Colton Haynes, David Nykl
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.