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Crítica | As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne

por Ritter Fan
391 views (a partir de agosto de 2020)
the-adventures-of-tintin-the-secret-of-the-unicorn-PLANO CRITICO AS AVENTURAS DE TINTIM O SEGREDO DO LICORNE

estrelas 4

Esse é o Steven Spielberg que eu gosto. Ainda que eu aprecie seus filmes mais adultos, sentimentais, poucos “eventos cinematográficos” me fazem mais felizes do que a volta desse grande diretor ao estilo do começo de carreira, quando nos brindava com aventuras incríveis com extraterrestres, tubarões ou arqueólogos que usam chicote. As Aventuras de Tintim pode não ser um filme perfeito, mas é muito gostoso de se assistir, com alguns momentos verdadeiramente brilhantes.

Para os poucos que não sabem, Tintim é um personagem de quadrinhos criado em 1929 pelo famoso escritor e desenhista belga George Remi (1907-1983), que escrevia sob a alcunha de Hergé. Os 24 álbuns publicados venderam centenas de milhões de cópias no mundo todo, sendo que o personagem, claro, é especialmente conhecido na Europa. Apesar de nunca ter sido fã do personagem (gostava e gosto mais de Asterix), eu já li todos os livros do garoto jornalista Tintim que percorre o mundo em aventuras detetivescas acompanhado de seu cachorro branco Milu e do Capitão Haddock, um marinheiro barbudo e grosseiro que adora uma garrafa. Escrito em uma época em que o politicamente correto ainda não era tão presente (se é que era presente de alguma maneira), Tintim, apesar da idade tenra, andava de revólver em punho e seus pais nunca apareciam. Hoje, sua relação com o capitão Haddock – apenas amigos, devo deixar claro – escandalizaria os hipócritas vigilantes da correção politica, especialmente pelo fato do capitão ser um bêbado bem mais velho que só fala impropérios. Além disso, um dos álbuns em particular (Tintim no Congo) mostrava Tintim caçando animais que hoje estão em extinção e até tendo uma atitude racista. Não é que eu aprove isso mas, inevitavelmente, Hergé escrevia refletindo o tempo em que vivia pelo que alguma tolerância literária é necessária. Caso contrário, teremos que queimar os livros de Monteiro Lobato (aliás, já até tentaram bani-los das escolas).

Mas, voltando ao filme, apesar de Tintim já ter sido objeto de duas séries de televisão animadas e uma meia dúzia de longas metragens, essa foi a primeira vez que ele foi levado às telonas de forma grandiosa, com grande orçamento e pelas mãos de produtores de peso (Steven Spielberg e Peter Jackson). Como matéria-prima, os dois decidiram fazer uso de três histórias do personagem, Os Caranguejos das Pinças de Ouro, O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, O Terrível, e utilizar-se da tecnologia de captura de performance, em que atores de verdade atuam e, depois, os magos do computador colocam uma camada de computação gráfica em cima, algo que pode ser mal utilizado.

A boa notícia, porém, é que, nas mãos de Spielberg e de Jackson (esse último um especialista no bom uso dessa tecnologia, vide os personagens Gollum e King Kong), As Aventuras de Tintim era, até seu lançamento, o melhor desenho feito com essa tecnologia. É muito superior a qualquer obra anterior do gênero, mostrando, finalmente, que a captura de performance pode dar certo, ainda que eu tenha dúvidas sobre sua real utilidade em uma animação.

Assim, não só os visuais do filme são incríveis, com a fita apresenta um nível de detalhe que rivaliza qualquer obra em computação gráfica da Pixar, como também os personagens parecem efetivamente vivos e extremamente representativos dos amados personagens no desenho de Hergé. Nada de “olhos mortos” como em Beowulf, nada de movimentos sem movimento como em O Expresso Polar. Sai a desanimação e entra, finalmente, gente que sabe fazer uso da tecnologia.

Sobre a trama, ela conta a história de Tintim (Jamie Bell), um jovem jornalista que, depois de comprar um navio em escala para enfeitar seu apartamento, vê-se perseguido por várias pessoas interessadas em comprá-lo. Obviamente, o pequeno navio, chamado Licorne (ou Unicórnio para usar uma palavra mais conhecida), esconde um segredo valioso que Sakharine (Daniel Craig) quer de qualquer maneira. No desenrolar da narrativa, depois de esbarrar com os investigadores Dupont e Dupond (vividos Nick Frost e Simon Pegg, em escalação inspiradíssima), Tintim acaba fazendo amizade com o capitão beberrão Haddock (Andy Serkis), que o ajuda na aventura. Juntos, eles passam por sobrevoos em desertos, fugas de cidades, tiroteios em navios e duelo de guindastes, tudo isso e mais flashbacks para o tempo das caravelas.

A comparação que imediatamente vem à cabeça é com Indiana Jones. E, de fato, aqueles que levantaram essa bola têm razão. A sensação que o filme passa é daquelas aventuras leves encabeçadas pelo famoso arqueólogo. É, definitivamente, Steven Spielberg voltando aos seus tempos de aventuras descompromissadas, mas com extremo bom gosto, criatividade e qualidade técnica.

Aliás, a mágica de Spielberg se mostra claramente presente na magnífica cena da fuga de Bagghar, no Marrocos. Nessa longa cena quase que feita em uma só tomada, vemos a câmera passear por Tintim, Haddock, Milu, os perseguidores e um falcão (importante nessa parte do filme). É algo de tirar o fôlego. Mas o que faz essa cena ser realmente algo fora desse mundo é a história paralela que ela conta. Prestem atenção na questão da escassez de água forçada pelo rico mercador Omar Ben Salaad (Gad Elmaleh) para manter o controle sobre o povo e como Tintim lida com isso, ainda que sem total consciência do que está fazendo. Esse momento é Cinema em seu mais puro estado de encantamento, algo que poucos diretores conseguem fazer.

A sequência dos créditos de abertura é outro elemento que não se pode perder pela sua simplicidade e eficiência, além de já demonstrar o potencial da trilha sonora de John Williams que funciona muito bem ao longo do filme, sem interferir demasiadamente na história como em Cavalo de Guerra. Aliás, a sequência em seguida à abertura até a chegada dos irmãos Dupont e Dupond é recheada de easter eggs para os fãs do personagem. São tantos que nem dá para contar.

E o trabalho de voz dos atores? Diferente de outros filmes que usam atores conhecidos, as vozes em Tintim não distraem. É difícil apontar para a tela e dizer “ouve só, é o Daniel Craig”. E é assim que os trabalhos de voz têm que ser: discretos e que não chamem atenção para si mesmo além do que é necessário para a trama.

No entanto, o filme não é só triunfos. Talvez por ter se baseado em três livros de Tintim (ainda que O Tesouro de Rackham, o Terrível seja continuação de O Segredo do Licorne), o roteiro, escrito a seis mãos por Steven Moffat (Doctor Who), Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) e Joe Cornish (Ataque ao Prédio) não deixa de ser confuso e muito cheio de detalhes desnecessários para seu desenrolar. O diretor, por mais gabaritado que seja, acaba se perdendo no terço final por causa disso. Além desse aspecto, o desespero do roteiro para forçar uma continuação faz com que os minutos finais sejam desnecessários e forçados, literalmente marretados na estrutura narrativa sem propósito maior. Afinal, para que deixar tão claro assim que se quer uma continuação? Por acaso algum filme da franquia Indiana Jones precisou recorrer a isso para que a continuação se justificasse? É Spielberg deixando os maneirismos hollywoodianos infectarem sua obra.

Por último, fica uma pergunta e o pensamento: qual é a razão de se usar a tecnologia de captura de performance em desenhos animados? Entendo perfeitamente que ela seja usada em filmes que mesclam realidade com computação gráfica como na trilogia O Senhor das Anéis, King Kong ou Avatar. No entanto, em animação ela não se justifica plenamente, pelo menos não em minha cabeça. Afinal, se alguém procura fotorrealismo em um desenho, talvez seja mais interessante fazer um filme com atores reais logo de uma vez. Essa tecnologia, nesse caso, acaba criando um monstro híbrido que não tem outra razão de ser que não a vontade dos produtores e/ou diretor de simplesmente usar a tecnologia porque ela existe. Mas chega de reclamação, pois o filme é diversão garantida e esse fator não pesa em sua análise.

As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne é aventura pura com um Spielberg em sua plena forma clássica. Um mestre da Sétima Arte trazendo vida à obra de um mestre da Nona Arte. Não se pode querer muito mais do que isso, não é mesmo?

*Crítica originalmente publicada em 18 de dezembro de 2013. Atualizada e corrigida para republicação.

As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne (The Adventures of Tintin, EUA/Nova Zelândia – 2011)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Moffat, Edgar Wright, Joe Cornish (baseado em obra de Hergé)
Elenco: Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost, Simon Pegg, Daniel Mays, Gad Elmaleh, Toby Jones, Joe Starr, Enn Reitel
Duração: 107 min.

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16 comentários

planocritico 25 de agosto de 2018 - 14:19

Sou parecido com você nesse aspecto. Apesar de ter lido todos os álbuns do Tintim, eu nunca gostei de verdade das histórias, mas adorei o filme!

Abs,
Ritter.

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Cleison Miguel 24 de agosto de 2018 - 16:11

Nunca gostei dos desenhos (acho que passavam na cultura, mas podem me corrigir) e confesso, até pelo meu primeiro contato ser com essas animações, não me interessei também pelos livros. Dito isso, acho esse filme SENSACIONAL, além da qualidade técnica destacada o que mais me encantou foi mesmo a história… puro Indiana Jones (e isso nunca será uma crítica).
Pena que não fez sucesso de público para que tivéssemos continuações… enquanto isso tantos outros filmes sem qualquer conteúdo ou qualidade (transformers, cof cof), enchem os cinemas e são produzidos anualmente… uma pena mesmo.

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Crítica | As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne – Críticas 20 de agosto de 2018 - 15:18

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Victor 19 de agosto de 2018 - 13:17

Acho que esse foi o último filme verdadeiramente bom do Spielberg.

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planocritico 19 de agosto de 2018 - 13:20

Ponte dos Espiões é muito bom e The Post é bom, quase muito bom para mim.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 31 de julho de 2018 - 13:32

Vamos lá:

Tintim (versão mais velha): Aaron Paul
Capitão: Stephen Lang
Dupond e Dupont: Mark Strong e Stanley Tucci
Calculus: Steve Carell

Abs,
Ritter.

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planocritico 24 de julho de 2018 - 14:27

Bela escalação! Juro que não entendi a razão de se fazer o filme com captura de performance…

Eu adoro a cena da enchente. É Spielberg em sua melhor forma.

Abs,
Ritter.

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vc falou em pipoca? 24 de julho de 2018 - 20:48

Lendo as histórias do personagem vi que elas têm uma estrutura bem parecida com prenda-me se for capaz, acho que seria um bom estilo caso o Spielberg e o Jackson decidam fazer uma sequência em live action. Qual das minhas idéias de elenco foi a sua preferida?

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vc falou em pipoca? 21 de julho de 2018 - 16:33

Tô numa vibe muito tintin esses dias (obrigado luiz) e decidi voltar aqui pra falar sobre esse filme que meio que passou a ser uma das marcas do spielberg na década, principalmente se levar em conta seus filmes posteriores o bom gigante amigo e jogador nº 1 que usam a mesma técnica. Chega a ser surreal como ele ainda tem a capacidade de se reinventar e evoluir junto com o cinema, fazendo não só obras mais sentimentais e políticas como também filmes de pura diversão como é o caso desse. A cena da enchente foi realmente a transposição hq para filme pois assim como na obra de hérge, mostra o personagem principal praticamente imbatível enquanto tudo ao redor faz de tudo pra derrubá-lo, sério ele anda de moto por um prédio caindo aos pedaços e depois por um varal/fio elétrico (não com a moto inteira mas vcs entenderam).

Mas concordo com você sobre o uso do motion capture, visualmente eficiente mas desnecessário, pra economizar teria sido melhor um live action com o milu digital. Inclusive acho que seria uma ótima ideia a sequência ser feita dessa forma, com pequenas menções aos eventos desse filme, mas funcionando como história independente, minhas ideias de elenco:
Tintin
http://www3.pictures.zimbio.com/gi/Aaron+Paul+2018+Vanity+Fair+Oscar+Party+Hosted+WSuhGNR0gBpl.jpg https://static1.squarespace.com/static/53ef0880e4b0439bf8d24521/t/59a8da658419c24f97860c85/1504238200621/Mattychatburn-theLaterals-kiergilchrist-5.jpg?format=500w https://hairstyles.thehairstyler.com/hairstyle_views/front_view_images/6356/original/Elijah-Wood.jpg https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f0/Dylan_Minnette_in_2018.jpg/220px-Dylan_Minnette_in_2018.jpg
Capitão
http://www.contactmusic.com/pics/ln/20180215/160218_red_sparrow_dc_premiere/special-screening-of-red-sparrow_5995547.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/90/Stephen_Lang_by_Gage_Skidmore.jpg/266px-Stephen_Lang_by_Gage_Skidmore.jpg
https://st3.depositphotos.com/5326338/16928/i/1600/depositphotos_169288048-stock-photo-actor-josh-brolin.jpg https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c8/Hugh_Jackman_Berlin_2017.jpg lembrando que o dublador do capitão na série animada também dublou o wolverine nos cinemas.
Dupondt e Dupont, com boa maquiagem
http://iambored.pro/wp-content/uploads/2014/08/zachary-quinto-and-eli-roth-lookalike-iambored-pro.jpg
https://i.chzbgr.com/full/4753857024/hB266A39D/
https://i.pinimg.com/564x/17/71/97/17719728fd173df2723c1e3aa5e6802f–gary-oldman-breaking-bad.jpg
say our names tintin
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Professor calculus
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https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2f/Colin_Firth_2016_cropped.jpg/220px-Colin_Firth_2016_cropped.jpg
http://cdn01.cdn.justjared.com/wp-content/uploads/2018/01/steve-globes-1/steve-carrell-willem-dafoe-golden-globes-2018-02.jpg

A propósito, acho que também seria legal se pudessem colocar mais personagens femininas que de fato tenham importância na históra, sempre senti falta disso no desenho.

Responder
Joao Avelino 6 de maio de 2015 - 01:40

Ah. Outra coisa. Nota: 4,5/5
Bonus: Carinho extremo em trazer o máximo da dublagem da série animada.
Ônus: Não usar nunca o tema original da série. Uma música maravilhosa, o tema de aventura tem potencial para se tornar um dos mais icônicos do cinema.

Responder
planocritico 8 de maio de 2015 - 13:25

@joao_avelino:disqus, achei a trilha de John Williams bem bacana também.

Abs,
Ritter.

Responder
genio playboy 27 de julho de 2016 - 18:35

a dublagem no nosso idioma geralmente é um triunfo,mesmo que nos tempos recentes ela tem sido vilanizada, eu sempre assisto filmes ou desenhos em dois idiomas,no original e na dublada,o primeiro é pra apreciar a obra,o segundo é pra analizar a fundo a nossa dublagem

Responder
genio playboy 27 de julho de 2016 - 18:35

a dublagem no nosso idioma geralmente é um triunfo,mesmo que nos tempos recentes ela tem sido vilanizada, eu sempre assisto filmes ou desenhos em dois idiomas,no original e na dublada,o primeiro é pra apreciar a obra,o segundo é pra analizar a fundo a nossa dublagem

Responder
Joao Avelino 6 de maio de 2015 - 01:34

Ritter.
Ótima análise do filme. Só gostaria de entrar em um ponto, o uso de Captura de Movimento. Vi o uso da tecnologia como o ponto determinante para a humanização do filme. O caso de Beowulf e o Expresso Polar mostram a evolução da tecnologia.
Vejo este elemento como uma estratégia muito interessante quando se quer uma animação que tenha um realismo de movimentos em relação a humanos, com suas proporções pouco alteradas. Na pixar, uma das coisas que vejo que deixa a desejar são os humanos. Eles agem e se movimentam como bonecos. Por exemplo, desde o começo com o Sid em Toy Story, onde os traços mais caricatos servem para justificar os filmes. Mesmo filmes atuais como Frozen e Valente, os traços humanos são bastante alterados e caricatos. O movimento é bastante detalhado. Mas se for comparar com, por exemplo, feições que o Gollum faz em senhor dos anéis, a atuação de Serkis é um diferencial para o realismo das expressões. Pequenas nuances. Em tintim o nível de detalhamento é sensacional em relação a feições transmitidas pelo personagem, sendo que poucas vezes dá pra olhar e apontar movimentos estranhos, em um cenário que esperamos movimentos, poses, expressões humanas. 2 personagens que achei esquisitos foram o Haddock em algumas expressões, que ficam um pouco difusas, e do Omar.
Se tamanho realismo das expressões e da figura humana fosse tão vital, qual o motivo de não fazer um filme com os próprios atores?
Na minha opinião, um dos pontos mais altos deste filme foi a releitura visual dos personagens são facilmente reconhecíveis. Até personagens secundários como o Allan, ou o mordomo, o batedor de carteiras são obvios. A leveza das distorções em relação à figura humana foi perfeita. Os personagens são levemente alterados em certas particularidades, como narizes, cabelos e barbas. Imagino um Asterix adaptado com estas diretrizes. Por mais que os personages de Goscinny e Uderzo sejam muitos mais caricatos formalmente que os de Hergé. Seria sensacional ver a dupla gauleza em um longa que não seja, ou adaptação em desenho, ou filme com atores (adaptações fraquíssimas da história… Horríveis – sei lá, sou muito apegado à obra original, afinal são meus quadrinhos favoritos).
Sobre roteiro, foi boa a mescla, tirou elementos dispensáveis das 3 tramas e trouxe elementos bastante fortes das obras, para uma trama central. Mesmo assim, algumas coisas ficaram como barrigas na história. Algumas alucinações pouco encaixadas. Não sei. Algo incomodou. Em contraste, como você citou, houveram algumas tomadas sensacionais em sequência, e o exemplo da cena em Bagghar foi mesmo o melhor do filme. Desde o início da performance de canto até o final da cena, na beira do mar, foi tudo perfeitamente montado.
O final ficou aquela coisa em aberto, mas para mim ficou claro que a continuação não seria exatamente a partir do ponto do filme. Senti que houve uma suspensão, e algo que aconteceria no intervalo de tempo até a próxima estória. Comparar com a história do Indy pode não ser uma coisa muito justa, porque neste caso do Tintim já estava definido que haveria uma continuação (mal posso esperar).

Gostei muito da análise, e da série especial sobre os albums.
Até

Responder
planocritico 8 de maio de 2015 - 13:31

Obrigado, @joao_avelino:disqus.

Meu ponto sobre a continuação é que, mesmo o filme tendo sido pensado para ter uma continuação, não vejo necessidade de se colocar uma espécie de “apêndice” forçado unicamente com esse objetivo. Basta fazer a continuação. Se a história é boa, tudo se resolve sem conexões diretas.

Sobre o Indiana Jones, acho a melhor comparação, pois é o mesmo direitor voltando ao espírito dos filmes de Indy em uma ótima animação.

Finalmente, sobre a captura de movimento, estamos falando de uma animação. Não sei se quero esse realismo todo em uma animação. Se fosse um filme live action com o Milu digital, por exemplo, faria sentido. Mas, do jeito que ficou, achei um uso injustificado da tecnologia. Realismo não significa necessariamente mais humanidade. Veja o exemplo dos personagens de Miyazaki ou Carl de Up – Altas Aventuras. Eles precisam ser fotorrealistas para nos identificarmos com eles?

Muito obrigado por seu excelente comentário!

Abs,
Ritter.

Responder
vc falou em pipoca? 21 de julho de 2018 - 15:40

Considero atualmente up altas aventuras como o tintin/indiana jones da pixar.

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