Crítica | Doctor Who: As Aventuras do 4º Doutor – 5ª Temporada

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A 5ª Temporada da série Fourth Doctor Adventures estreou em janeiro de 2016, na Big Finish, trazendo o Doutor ao lado de Romana II. A temporada contou com 8 episódios (dois deles duplos, em pequenos em arcos) e juntou Tom Baker e Lalla Ward, mais uma vez interpretando juntos os seus papéis da Série Clássica. Abaixo, seguem as breves críticas para os episódios desta temporada. Divirtam-se!

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Wave of Destruction

5X01

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Romana II, K9 II
Espaço: Londres
Tempo: Junho de 1964

Essa temporada inteira se passa entre The Horns of NimonThe Leisure Hive, uma era de variados usos de gêneros narrativos na série, além de reencontro com vilões conhecidos e importantes adições ao cânone do show. Nesta Wave of Destruction, o Doutor e Romana chegam mais ou menos sem querer a uma estação de transmissão de rádio, pois existe algo bloqueando os sinais e fazendo K9 ter problemas. O cão-robô tinha acabado de voltar com a TARDIS de uma missão para despistar o Black Guardian, que estava na cola do Time Lord e da Time Lady desde a Saga da Chave do Tempo.

A química entre Tom Baker e Lalla Ward é tremenda. Como essa encarnação da Romana é mais falante, expansiva, intrometida e parceira, diferente da mais garbosa e desconfiada romana que vimos na 2ª Temporada da presente série, a ação parece ganhar ainda mais espaço, mais significado para os dois. O vilão aqui são os Vardans, que utilizam ondas de rádio para se propagarem por Londres, na década de 1960. É importante lembrar que este arco se passa antes da criação da UNIT, então um problema mais contemporâneo como este obviamente contaria com a presença “isolada” do Doutor, embora as coisas já estivessem se ajustando para a criação da Unidade.

O Doutor carrega uma linha de humor diante de todas as abordagens, enquanto Romana tem momentos específicos dentro desse gênero, com destaque para a cena no Shopping e quando ela precisa ler uma série de bobagens de um DJ em rádio nacional. Por mais que os Vardans aqui tenham um nível zero de misericórdia e realmente queiram colocar seu plano de invasão em pauta, eles simplesmente não representam uma ameaça potente, que assusta ou possui grandes implicações. Apesar dos problemas envolvendo justamente os planos e ações dos vilões, Wave of Destruction é um bom começo de temporada.

Wave of Destruction (Reino Unido, 12 de janeiro de 2016)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Justin Richards
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, John Leeson, Karl Theobald, Phil Mulryne, Alix Wilton Regan, John Banks

The Labyrinth of Buda Castle

5X02

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Romana II
Espaço: Budapeste, Hungria
Tempo: 1980

Vampiros. Eu sempre tenho um pé atrás quando essas criaturas aparecem em Doctor Who, algo aumentado com o trauma causado pelo patético arco State of Decay. Aqui, pelo menos, a história flui de maneira interessante, mantendo algum mistério em torno da chegada do Doutor e Romana em Budapeste e trazendo aos poucos informações sobre os vampiros (ou algo assim) na cidade. O ambiente não é uma novidade para o Time Lord, que conhece alguns “esconderijos” e sabe para onde guiar uma caçada aos monstros milenares em uma das cidades mais antigas da Europa Moderna.

Sinceramente, ainda prefiro a presença de vampiros em histórias como Project: Twilight, mas mesmo nesse caso, o resultado final é semelhante a desta aventura de Budapeste. Ela só me parece mais intensa na versão do 6º Doutor do que nesta pontual trama com o 4º Doutor e Romana II.

Até o final do primeiro episódio existe uma linha bem interessante para seguir e considerar. O vampiro tem aquela simpatia macabra incrível e a participação dos dois Time Lords nesse universo é uma mistura de comicidade, fúria e investigação, o que sempre tem impacto positivo no público. Mas no segundo episódio, quando uma certa fixação por uma personagem aparece, o charme e a ameaça do vilão não funcionam por completo e o roteiro acaba caindo um pouco de qualidade. Ainda sobram a luta contra a criatura, mas a postura do tipo “conquistador louco do mundo” e o que ela faz com o personagem não é algo que podemos classificar como notável. De qualquer forma, mesmo “perdendo”, o final é bom. Mais um dia na vida do Doutor e Romana.

The Labyrinth of Buda Castle (Reino Unido, 18 de fevereiro de 2016)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Eddie Robson
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Kate Bracken, Mark Bonnar, Peter Barrett, John Dorney, Anjella Mackintosh

The Paradox Planet / Legacy of Death

5X03 e 4

estrelas 3,5

The Paradox Planet, Legacy of Death plano critico

Equipe: 4º Doutor, Romana II, K9 II
Espaço: Planeta Aoris
Tempo: Indeterminado

O paradoxo temporal que toma conta dessa história é estabelecido de maneira bastante rápida já nos primeiros 15 minutos desse arco de dois episódios. A trama se ergue com a separação do Doutor e Romana — o princípio de divergências temporais é explicado no enredo, mas é capaz de deixar muita gente confusa — e coloca os dois em tempos diferentes do Planeta Aoris; um, tentando impedir a guerra; outro, tentando vencer a guerra de outro modo.

A persona de um cientista “louco” e a militarização de um planeta são colocadas em pauta e ganham na voz do Doutor e de Romana críticas bastante contundentes, especialmente porque as aparentes resoluções para os problemas locais não eram as melhores possíveis, pelo contrário, faziam mais mal do que bem aos nativos e jamais impediria que a guerra ou a vingança histórica se tornassem parte da História local e impulsionasse ações parecidas para a nova geração.

A mixagem de som desses dois episódios é simplesmente incrível. O cenário de batalhas e os momentos de grande desespero dos gallifreyanos são justificados em torno da loucura que acontece no local. O roteiro falha na interação entre esses dois tempos, a partir do meio da saga, mas mesmo assim, o resultado de uma aventura de guerra em dois tempos diferentes e ações paradoxais que influem os estágios dessa grande luta acabam ganhando maior exposição e conquistam o espectador, que tende a perdoar os erros de construção dos personagens.

The Paradox Planet / Legacy of Death (Reino Unido, 16 de março e 13 de bril de 2016)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Jonathan Morris
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, John Leeson, Simon Rouse, Tom Chadbon, Paul Panting, Emma Campbell-Jones, Laura Rees, Bryan Pilkington, Jane Slavin, John Banks

Gallery of Ghouls

5X05

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Equipe: 4º Doutor, Romana II
Espaço: Brighton, Inglaterra
Tempo: 1883

Nesta aventura, a TARDIS se materializa em Brighton, com o Doutor e Romana procurando um tempo para descansar. Não demora muito para eles se encontrarem envolvidos com as esculturas de “Madame Tissot”. No processo, entra o Sr. Goole, também dono de uma galeria de esculturas de cera (as pessoas ainda não sabem que ele é alien) e antagonista de respeito nesse cenário, utilizando todos os meios possíveis, seculares ou não, para se ver livre do Doutor e sua “bela e odiável companheira” e prosseguir com o seu plano.

A aventura é bastante rápida e traz um dos caminhos narrativos que eu mais gosto para as parcerias do Doutor com companheiras e companheiros bastante ativos e com muita coisa para oferecer (Leela e as Romanas, nesta era, por exemplo). Por isso é bom ver que essas variações orgânicas de problemas atrás de problemas e que fazem sentido no todo da narrativa, para que o Doutor e a futura Presidente de Gallifrey salvem o dia. E claro, isso também implica métodos diferentes de abordagem: o caos cínico por parte do Doutor e a objetividade irônica por parte de Romana. Com brincadeiras históricas sobre grandes personalidades, sobre artistas malucos e sobre “sobreviver a qualquer custo“, esta aventura de ação e suspense nos mostra mais uma vez que “tirar férias” não é algo que o Universo está disposto a deixar o Doutor fazer frequentemente.

Gallery of Ghouls (Reino Unido, 10 de maio de 2016)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Alan Barnes
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Celia Imrie, Nickolas Grace, Stephen Critchlow

The Trouble with Drax

5X06

The Trouble with Drax plano critico

Equipe: 4º Doutor, Romana II, K9 II
Espaço: Planeta Altrazar
Tempo: Indeterminado

Drax é um daqueles Senhores do Tempo que a gente ama odiar ou ama amar, dependendo do ponto de vista sob o qual julgamos suas ações. Nesta história ao lado do Doutor, Romana, e nada menos que 11 encarnações de Drax, temos uma dessas visões conflituosas que, ao menos na primeira parte da saga, cooperam para o bem. Entra em cena a cidade de Altrazar, uma legendária cidade perdida no tempo onde era possível esconder tranquilamente um aparelho chamado Limitador do Efeito Blinovitch, ou seja, algo que reduzia consideravelmente os efeitos colaterais de várias encarnações de um mesmo Time Lord estarem juntas ao mesmo tempo. Por mais que a gente goste desse tipo de história, sabemos que o Doutor está sempre receoso e evita ao máximo encontrar-se consigo mesmo, por motivos que, ao menos em algumas aspectos, entendemos ao longo desses dois episódios.

Um dos pontos fracos aqui é que o Doutor e Romana ainda parecem demasiadamente presos à fuga do Guardião Negro, o que atrapalha a introdução da história na parte dos tripulantes da TARDIS. E sim, a entrada de Drax na história também demora para funcionar — notem que são 11 encarnações em temporalidades diferentes, numa saga de cunho investigativo… estava na cara que teríamos problemas! — mas o humor do roteiro e as personalidades diversas vão despertar diferentes sentimentos no espectador, compensando bem algumas falhas. O bloco com Romana e K9 não é nada interessante no começo, mas tem uma grande importância no final, o que também nos ajuda a entender escolhas anteriores, mesmo que o peso negativo ainda permaneça.

Quando falamos de uma história com comerciantes do mercado negro, roubo e Time Lords sacanas, sempre esperamos um padrão cômico envolvido, e algo um pouco semelhante a histórias clássicas de investigação, perseguição e fuga de criminosos. O personagem central aqui é tudo isso ao mesmo tempo. Suas ações divertem boa parte do tempo, mas trazem uma bagagem pesada de irritação. No cômputo geral, a trama sobrevive acima da média, mais pelo humor do que pelo desenvolvimento da intriga ou dos personagens. Mesmo assim, The Trouble with Drax é uma história interessante, inclusive com boas informações sobre como Time Lords são capazes de se reconhecerem, mesmo tendo se regenerado. Como diz Romana: “o rosto não importa“.

The Trouble with Drax (Reino Unido, 14 de junho de 2016)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: John Dorney
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, John Leeson, Ray Brooks, John Challis, Hugh Fraser, Jane Slavin, Miranda Raison, John Banks

The Pursuit of History / Casualties of Time

5X07 e 8

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Equipe: 4º Doutor, Romana II, K9 II
Espaço: Yorkshire, Inglaterra / Space Platform / Oceanic States / Asiatic States / Escócia
Tempo: 1859 / Indeterminado / 2059 / 2071 / Século IV a.C.

Aqui encerramos a 5ª Temporada das aventuras do 4º Doutor, com um arco de dois episódios que coloca Cuthbert, os Laan (dos episódios The Sands of LifeWar Against the Laan) e os Guardiões Negro e Branco na mesma trilha. Trata-se de uma interessante modelação de situações por parte do Doutor, iniciada pouco tempo depois de Cuthbert, CEO do Conglomerado, se preparar para sequestrar um trem bastante especial. No futuro distante, seu assistente, o Sr. Dorrick, é acordado ao som dos alarmes no Quantum Gateway. Então o Doutor, Romana e K9 detectam estranhas distorções no Vórtex Temporal, vindas de uma criatura chamada… adivinhem… Laan!

Como toda boa história de viagem no tempo e tentativas de se obter lucro através do sofrimento e morte de outras criaturas, espécies ou grupos, o roteiro aborda criticamente o sofrimento, o não-entendimento do que está acontecendo ou até mesmo redenção de alguns personagens ao longo da trama. Nem sempre isso funciona de maneira imediata ou mesmo para todos os personagens do texto, especialmente nos primeiros encontros do Doutor com Cuthbert, mas como eles já se conheciam, os erros são parcialmente reparados pelo humor.

O segundo episódio tem um tom mais urgente e só peca mesmo no afunilamento das participações dos Guardiões. No entanto, é um capítulo extremamente divertido, com uma armadilha para o Doutor e seus amigos que desde muito cedo anunciava um desastre. Ver uma narrativa tão engajante, por várias tempos e espaços e com diversos personagens, nos dá aquela sensação cinematográfica que algumas grandes histórias da Big Finish evocam perfeitamente. Como disse antes, cada um dos episódios tem erros, mas a luta do Doutor contra uma corporação e um mega empresário achando que qualquer coisa é possível para fazer com que ele e os outros de sua bolha econômica enriqueçam despreocupadamente, às custas da miséria de outras espécies, é o tipo de aventura de ação à qual não conseguimos ficar indiferentes. Especialmente porque existem milhares de comportamentos assim em nosso mundo.

The Pursuit of History / Casualties of Time (Reino Unido, 13 de julho e 10 de agosto de 2016)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, John Leeson, David Warner, Toby Hadoke, David Troughton, John Dorney, Lisa Bowerman, Jez Fielder, Jane Slavin

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.