Home Audiodramas Crítica | As Histórias Perdidas – 1X06: Point of Entry

Crítica | As Histórias Perdidas – 1X06: Point of Entry

por Luiz Santiago
133 views (a partir de agosto de 2020)

Equipe: 6º Doutor, Peri
Espaço: Londres
Tempo: 1590

Já se tornou um bom clichê nas tramas de “bastidores da literatura” representar histórias macabras e um tanto absurdas envolvendo a produção de uma obra famosa, mostrando as perturbações do escritor, as influências que nunca imaginaríamos e até mesmo simbolismos ocultos ou ressignificação do projeto a partir de olhares sobre aquilo que o inspirou. Em Doctor Who nós já tivemos essa linha de escrita em episódios como The Unquiet Dead e The Haunting of Villa Diodati, além de aparecer em um dos meus contos favoritos do Universo Expandido do showOs Verdadeiros e Indiscutíveis Fatos a Respeito do Crânio do Carneiro.

Após uma simpática briguinha entre o 6º Doutor e Peri, a TARDIS se materializa em Londres, no ano de 1590, e estamos diante da criação de The Tragical History of the Life and Death of Doctor Faustus, uma das mais antigas dramatizações da lenda desse famoso personagem. A peça, que conhecemos aqui no Brasil como A Trágica História do Doutor Fausto, foi escrita por Christopher Marlowe e serviu de base para uma porção de outras produções a respeito do amaldiçoado Doutor, cristalizando uma lenda de maneira assustadora. E aqui entendemos o por quê.

A primeira parte do arco é simplesmente incrível. A criação da atmosfera de medo e alguns detalhes na engenharia de som fazem com que o público imagine a presença de algo muito ruim no ar, com as moscas voado por toda a parte e com personagens macabros que pouco a pouco mostram quem realmente são, momento em que o texto resolve complicar desnecessariamente a origem do mal e a coisa ganha nós que não se desatam bem na reta final da obra.

O cuidado histórico no roteiro de Barbara Clegg e Marc Platt é um dos pontos positivos da história. A indicação da homossexualidade de Marlowe, as muitas indicações possíveis de sua morte incerta, o ingrediente demoníaco da saga e a própria escrita da peça ganham cenas realmente chamativas, com Colin Baker e Nicola Bryant protagonizando momentos impagáveis, tanto na comédia quanto no drama que beira o terror. No vasto jogo de interesses que normalmente aparecem em histórias assim, ambos representam momentos de grande valia cercando o papel da igreja ou de agentes políticos e artísticos naquele momento da história inglesa.

Como disse mais acima, é uma aventura macabra, com um excelente início e um final que, talvez para engrandecer ou dar uma raiz mais “ancestral” ao vilão, inventa moda e se atrapalha bastante para finalizar a trama, que mesmo assim, ainda se mantém solidamente acima da média. Um olhar inesquecível sobre a criação de uma das peças mais importantes da dramaturgia Universal.

The Lost Stories 1X06: Point of Entry (Reino Unido, abril de 2010)
Direção: John Ainsworth
Roteiro: Barbara Clegg, Marc Platt
Elenco: Colin Baker, Nicola Bryant, Matt Addis, Luis Soto, Sean Connolly, Tam Williams, Gemma Wardle, Ian Brooker
Duração: 100 min.

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5 comentários

Redbeard 19 de agosto de 2020 - 10:19

Uma das melhores duplas da série. Fico feliz que a BF tenha conseguido explorar mais o 6th Doctor que teve tão pouco tempo de tela e que acabou com uma reputação injusta.

Interessante ver o 6th Doutor lidando com a criação de uma obra escrita, já que ele conheceu um certo escritor famoso…

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Luiz Santiago 19 de agosto de 2020 - 14:00

Pois é. Aliás, ele teve fantásticas experiências históricas na Big Finish, especialmente ao lado de Evelyn. É disparado o meu Doutor favorito dos áudios. E nessa história, há um fator macabro que deixa ele ainda mais bacana.

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Luiz Santiago 19 de agosto de 2020 - 14:00

Pois é. Aliás, ele teve fantásticas experiências históricas na Big Finish, especialmente ao lado de Evelyn. É disparado o meu Doutor favorito dos áudios. E nessa história, há um fator macabro que deixa ele ainda mais bacana.

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Rafael Lima 18 de julho de 2020 - 04:02

Adoro esse estilo de história onde vemos os “bastidores fantásticos” da criação de uma obra artística, algo que “Doctor Who” sempre fez muito bem. Pelo jeito, a trama se enrola ao tentar dar um background desnecessário ao vilão, mas pelo que você escreve, até esse final chegar, já nos divertimos bastante.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 18 de julho de 2020 - 17:29

O cenário aqui é sensacional. E como a peça e o contexto dela são macabros, fico até pensando como seria isso adaptado para a TV. Assustador!

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