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Crítica | As Sombras do Mal: As Fitas de Blackwood – Vol.1, de Guillermo del Toro e Chuck Hogan

por Luiz Santiago
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Quando eu iniciei a leitura de As Sombras do Mal, primeiro volume da série As Fitas de Blackwood, eu sabia, em partes, o que iria encontrar no livro. Tendo Guillermo del Toro como um dos autores, é claro que a fantasia e o horror iriam compor a história de modo essencial, expondo, no tempo presente, o encontro da agente do FBI Odessa Hardwicke com o enigmático Hugo Blackwoood, um antigo barista britânico do século XVI que anda pelas ruas de Nova Jersey em 2019, atendendo a chamados por cartas depositadas em uma igualmente enigmática caixa de correspondência.

Em parte, As Sombras do Mal é um suspense que cerca uma história policial. Mesmo a gente sabendo que há uma força maligna em cena, as histórias de matadores impulsivos dão suporte ao que acontece com Odessa e seu parceiro de trabalho, abrindo uma investigação disciplinar no FBI e colocando a personagem em serviços de escritório, o que a leva a conhecer Earl Solomon, um agente aposentado que está hospitalizado e que parece conhecer algo a sombra e o cheiro que Odessa “imaginava” ter visto e sentido na cena do crime que a colocou sob investigação.

Existem aqui duas linhas linhas de flashback. Uma delas é para a Inglaterra do século XVI, onde vemos o passado de Blackwood e sua relação com John Dee, matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo e conselheiro particular da rainha Elizabeth I, tendo passado muitos anos se dedicando à alquimia, adivinhação e teorias ligadas ao mundo sobrenatural. É uma parte interessante do livro, pelo caráter de “origem do mal”, explicando como as criaturas malignas que causam ondas de violência vieram para este plano de existência. A outra linha de flashback é de anos anteriores da História americana, retratando as ações de matadores impulsivos, reforçando a presença do Ser maligno nos Estados Unidos e sua revelação na vida de Odessa (não por acaso… pois não há acaso) em 2019.

Parte do olhar para o passado na vida de Solomon, todavia, me pareceu desnecessário. Se o livro tivesse um outro rumo dramático, as questões raciais e até uma parte do processo de investigação de “possessões” ou os encontros entre o agente do FBI e Blackwood estariam melhor encaminhados, mas considerando aquilo que os autores focam depois, muitas dessas cenas tornam-se apenas um alongamento desnecessário de uma parte da história para a qual o leitor já tinha bastante informação no bloco do presente.

A preparação para o clímax do livro traz também algumas mudanças de rumo no núcleo da história, intensificando os ataques da criatura maligna e aliviando os tormentos legais em relação a Odessa. A ligação conturbada dela com Blackwood ganha corpo nessa parte do livro e a perseguição ao Ser se torna também uma fuga, afetando Odessa e o já moribundo Solomon. O nível de ação nesses momentos finais é bem grande e tudo me pareceu corrido demais.

Durante todo o livro os autores souberam equilibrar linhas do tempo diferentes, ações malignas e policiais + dramas de vida de cada um dos personagens centrais de As Sombras do Mal. Daí, quando chegamos na reta final, temos um amontado rápido de situações que não só acontecem para fazer ponte entre tramas diferentes, mas para resolver situações apresentadas ao longo de todo o volume, ou seja, muita coisa de muita importância acontecendo em pouco espaço de tempo. De positivo, temos o fato de os autores não deixarem de dar um encerramento parcial para tudo o que levantaram na história, e ainda conseguiram nos deixar mais intrigados pelas profecias da cartomante que Odessa e Blackwood consultaram. Não há dúvidas de que muita coisa ainda está para acontecer. Odessa não encontrará paz nem tão cedo.

As Sombras do Mal: As Fitas de Blackwood – Vol.1 (The Hollow Ones: Blackwood Tapes Book 1) — EUA, 2020
Autores: Guillermo del Toro e Chuck Hogan
Editora original: Hachette Book Group
No Brasil: Editora Intrínseca (22 de janeiro de 2021)
Tradução: Stephanie Fernandes
340 páginas

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