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Crítica | As Tartarugas Ninja (1990)

por Filipe Monteiro
523 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Temas relacionados a artes marciais, ação e aventura sempre estiveram presente na cultura pop. O gênero passou a ganhar maior visibilidade e dimensão na década de 1980, mas foi no início dos anos noventa que uma verdadeira avalanche de produtos relacionados a tais temas dominou a indústria de consumo infanto-juvenil.

Quem viveu a infância na década de noventa bem sabe o quão popular era o grupo de quatro tartarugas treinadas e armadas que combatia habilidosamente o crime em Nova Iorque. Concebidos por Peter Laird e Kevin Eastman, As Tartarugas Ninja despontaram dos quadrinhos e logo invadiram a televisão, os videogames (com jogos muito bons, por sinal) e o cinema.

Três anos após o estrondoso sucesso adquirido com a série de desenho animado, foi lançado o primeiro longa das tartarugas. O filme é ambientado em uma atmosfera nova-iorquina do típico começo dos anos noventa, destacada ainda mais pela trilha sonora marcada por batidas eletrônicas e raps de MCs. Ao introduzir já no início a personagem April O’Neil como repórter de televisão, o filme sem delongas apresenta a suspeita situação que vem ganhando espaço em Nova Iorque. De simples furtos a grandes arrombamentos, a cidade passa a ser tomada por uma onda criminosa que envolve uma enorme gangue de adolescentes recrutados por um grupo criminoso ainda maior.

É justamente durante uma abordagem criminosa de um grupo de adolescentes, que April tem o primeiro contato as tartarugas. Ágeis em salvar a repórter, o quarteto consegue resolver o problema sem ser visto, mas Raphael acaba deixando para trás um de seus sais, recuperado pouco tempo depois em um novo encontro com April. Desta vez, a repórter é levada ao esgoto e conhece o esconderijo secreto das tartarugas ninja e do mentor, Mestre Splinter.

Com o orçamento de US$13,5 milhões, valor relativamente baixo se comparado à média da época, o longa foi o filme independente mais lucrativo até 1999, rendendo mais de US$130 milhões, além de ter tido a 9ª maior bilheteria mundial no seu ano de estreia.

Pegando carona no sucesso da série animada, sem deixar de lado, todavia, as marcas menos brandas dos quadrinhos, o filme é bem sucedido e se destaca no que é possível. A utilização de animatrônicos híbridos é bastante convincente visto que os movimentos dos atores, a dublagem e o desempenho dos rostos mecânicos são articulados em boa sincronia.

Sem ter o propósito criar uma trama complexa, o filme se desenvolve em um roteiro mais do que básico, linear e previsível. A grande sacada do filme, entretanto, está em utilizar o humor que veio se construindo a partir da popularidade da série televisiva combinado aos elementos principais da história original em quadrinhos. Deste modo, o que vemos em cena são personagens já conhecidos, como o Destruidor e o lutador Casey Jones, em um misto de comédia, boas cenas de luta e bastante ação. O filme ainda cumpre com as expectativas do público ao relatar, de maneira cômica, a causa da mutação das tartarugas e a relação paternal que mantêm com Mestre Splinter, que os nomeou em homenagem a artistas renascentistas.

Outro grande destaque de deve ser levado em conta é o diferencial que As Tartarugas Ninja apresentam em relação a outros grupos de heróis lutadores da época. Em franquias bastante populares, a exemplo dos Power Rangers, havia sempre um líder, cuja personalidade nisso se esgotava, e o resto do grupo, que em nada se diferenciava entre si.

Por se tratarem de quatro adolescentes, ao perfil das tartarugas são atribuídas características típicas desta fase. Dessa forma, Leonardo, o líder do grupo, apresenta os traços do jovem obediente, que tende a se julgar mais maduro que os outros. Raphael assume o lado da rebeldia e da indisciplina no grupo, enquanto Donatello, com uma personalidade mais tranquila e amigável, prefere deixar a violência de lado e utilizar a inteligência. Michelangelo, que rouba a cena no decorrer do filme, é o mais engraçado dos irmãos. Sempre com uma piada na ponta da língua, os anseios do ninja costumam alternar entre manejar seus nunchakus e devorar toda pizza que estiver ao seu alcance.

Mesmo com as adversidades de um elenco pouco expressivo, baixo orçamento e produção inferior aos padrões da época, Steve Barron conseguiu trabalhar bem com o que tinha em mãos. Sem dar passos maiores que as pernas, o diretor conseguiu assinar o mais bem sucedido longa das Tartarugas Ninja até então.

As Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles, EUA – 1990)
Direção: Steve Barron.
Roteiro: Bobby Herbeck e Todd W. Langen
Elenco: Judith Hoag, Elias Koteas, Josh Pais, David Forman, Brian Tochi, Leif Tilden, Michelan Sisti, Robbie Rist, Kevin Clash, James Saito, David McCharen.
Duração: 93 min.

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15 comentários

Zedd 4 de agosto de 2020 - 05:29

Assisti o filme ontem na PrimeVideo. Realmente muito divertido. É bizarro ver o Sam Rockwell novinho nesse filme hehe

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vc falou em pipoca? 1 de janeiro de 2019 - 22:14

O filme até hoje continua ótimo, uma boa diversão de matinê, diferente do reboot que nem pra passar o tempo serve. Espero que caso façam um novo retorno seja algo parecido com isso e que abrace o tom de paródia, como deadpool. E pelo amor, usem esse visual aqui:
https://d13ezvd6yrslxm.cloudfront.net/wp/wp-content/images/Teenage-Mutant-Ninja-Turtles-photoshop-header.jpg

A propósito, que hq’s das tartarugas vcs recomendam após eu ler a estreia deles até derrotarem o destruidor pela segunda vez?!

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Luiz Santiago 2 de janeiro de 2019 - 02:25

Putz, eu só li uns quadrinhos isolados deles, não tenho competência nenhuma para indicar melhores HQs desses ninjas. Confesso que não me interessa muito o Universo deles nos quadrinhos.

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vc falou em pipoca? 2 de janeiro de 2019 - 02:34

Eu sou quase viciado, mas não tenho paciência pra ver os desenhos e os últimos caps que eu li da primeira fase foram meio fracos, por isso anda difícil querer continuar nessa.

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Luiz Santiago 2 de janeiro de 2019 - 03:09

Eu tô só a Glória Pires quando se fala de Tartarugas Ninjas. Nem gosto tanto deles (delas?) assim. HAHAHHAHHAHAHAH

Tu tá lendo aquela série da IDW, de 2011? Dizem que essa é boa pra caramba… eu realmente não sei, porque não li, mas tem fama de ser boa.

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vc falou em pipoca? 2 de janeiro de 2019 - 03:26

Tô lendo a primeira fase lá do laird e do eastman, é bacana o desenvolvimento e as aventuras.

William O. Costa 21 de julho de 2018 - 11:49

Crítica ótima. Assisti pela primeira vez recentemente e tive as mesmas impressões. Embora contrário a maioria, gostei bastante da nova duologia de filmes das Tartarugas, mas admito que o roteiro desse filme é muito melhor.

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jcesarfe 9 de agosto de 2014 - 16:27

Sou meio comprometido para falar desse filme, foi o primeiro que vi nos cinemas (tinha 3 anos) e desde aquele dia me apaixonei pela 7ª arte, já o vi umas 100 vezes e em todas acho ele fantástico, até hoje é difícil crer como os caras faziam com que acreditássemos que aquelas tartarugas eram de verdade, (sensação essa que só foi superada pela Família Dinossauro).

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Filipe Monteiro 10 de agosto de 2014 - 04:37

Acho que não assisti a esse filme tantas vezes quanto você, mas sei bem como As Tartarugas Ninja remetem às boas memórias da infância. É impossível não ter um surto de nostalgia ao assisti-lo.

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Leandro Silva 10 de agosto de 2014 - 23:29

Também assisti pela primeira vez no cinema e depois uma ou duas vezes na tv, gostava muito da série animada e lembro que eu tinha uma edição em quadrinhos, era um encadernado que não me recordo a editora, só lembro que era bem violento. Essa mistura entre a atmosfera cômica do desenho com o clima tenso da HQ faz desse com certeza o melhor filme. Me lembro mais das continuações, passaram muito na sessão da tarde da globo, e infelizmente é isso que eles são, filmes de sessão da tarde. Tenho que assistir o primeiro de novo.

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Filipe Monteiro 11 de agosto de 2014 - 01:44

O primeiro filme foi muito feliz no equilíbrio entre o tom cômico do desenho e a densidade da HQ e você tem razão. As continuações foram ficando cada vez mais vazias e caindo no lugar comum das piadocas para agradar ao público infantil. As Tartarugas II ainda conseguem fazer isso de uma maneira razoável. Desastre completo mesmo é o terceiro filme.

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Awos95 8 de setembro de 2014 - 05:16

Eu Não lembro muito do desenho original, mas assisti muito os filmes ,ja que a globo vivia os repetindo ,e realmente fui conhecer os personagens com aquele desenho de 2003, que tinha uma pegada mais quadrinesca.
Mas eu queria saber se você chegou a ver o novo desenho da Nick? se sim oque achou?
Eu gostei bastante, tem um excelente equilíbrio entre o humor e a ação, as tartarugas tem desings e personalidades diferentes, muitas vezes o desenho tem aquele climinha gostoso de filmes de Kung Fu dos anos 80, alem de que consegue criar sua própria mitologia respeitando a original.
Me agrada muito que não pegaram o material é fizeram qualquer coisa simplesmente pq era pra criança, eles souberam fazer algo interessante que agrada tanto as nova gerações quanto aqueles que cresceram assistindo(ao contrario do filme de 2007 e do novo e-e )

Filipe Monteiro 9 de setembro de 2014 - 21:28

Que bom que compartilhamos da mesma opinião em relação ao desenho animado da Nick! Gosto muito da maneira que eles utilizaram para manter as características de cada uma das tartarugas, preservar a base da história de origem, para a partir daí compor algo realmente novo. Assistir aos filmes e desenhos antigos das Tartarugas é trazer a tona as memórias de uma época, mas querer que somente uma geração possa ter acesso a isso, além de ser de um conservadorismo sem tamanho é egoísmo demais. O mundo está aí para novas adaptações, esperemos, porém, que sejam boas! O desenho da Nickelodeon é um ótimo exemplo disso. 😀

jcesarfe 11 de agosto de 2014 - 14:27

As continuações são uma porcaria, a única coisa boa era os personagens.

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vc falou em pipoca? 1 de janeiro de 2019 - 22:14

queria que pudessem fazer de novo um reboot, só que usando animatrônicos outra vez

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