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Crítica | Assassinato com Papagaios-do-mar, de Donna Andrews

por Luiz Santiago
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Segundo livro da série Mistérios de Meg Langslow, Assassinato com Papagaios-do-mar dá sequência quase imediata aos eventos de Assassinato com Pavões, com Meg e seu namorado Michael viajando para uma pequena ilha na costa do Maine, com o objetivo de terem um momento só para eles. Lá no primeiro livro, Donna Andrews brincou com a enorme dificuldade desse casal ficar junto, desde o momento em que se conheceram (com todos os boatos sobre Michael ser gay) até as constantes interrupções que a dupla encontrava toda vez que precisava conversar sério ou dar uns beijos.

Essa viagem do casal, portanto, é planejada por Meg como um merecido escape romântico, mas absolutamente nada funciona como ela esperava. Primeiro, porque a casa da tia, que era para estar desocupada, estava recebendo visita de toda a família próxima de Meg. Depois, a proximidade de um furacão impede que o casal saia para andar tranquilamente pela ilha. E por fim, insistindo em desafiar o mal tempo, Meg e Michael procuram fazer um “reconhecimento local” e são recebidos a tiros pelo estranho e malquisto pintor da ilha. O mesmo pintor que horas depois é encontrado morto.

O fato de já conhecermos os personagens aqui e estarmos acompanhando um pouco mais de suas personalidades e excentricidades torna esse livro ainda mais engraçado que o primeiro, e dessa vez com um mistério um pouco mais polido. O princípio da vítima é o mesmo que o do livro anterior (aquele indivíduo que o leitor desgosta de imediato) mas o tratamento que Donna Andrews dá a esse personagem enquanto vivo ou morto é o grande diferencial. Em Murder With Puffins o processo de investigação parece mais focado — e também pudera: não estamos falando de três casamentos e centenas de personagens desfilando de um lugar para o outro, não é mesmo? — e tanto o crime quanto as coisas que sua investigação traz à tona parecem muito mais interessantes do que a aguardada resposta do final, de modo que o leitor aproveita com gosto todo o desenvolvimento.

Aqui sabemos um pouco mais sobre o passado da mãe de Meg, e esse processo de descobertas é cheio de pistas falsas e interessantes diálogos dúbios que nos fazem mudar o tempo inteiro de opinião sobre este ou aquele personagem; ou considerar uma nova motivação para que alguém pudesse cometer o assassinato do livro. O isolamento dos personagens e a recepção dos moradores aos turistas também é algo que passa por mudanças em nossa concepção, sempre circundando a impressão geral de O Homem de Palha — e a situação fica mais interessante porque estamos falando de um espaço geográfico habitado por um bom número de idosos. Há uma constante impressão de ameaça, de algo medonho acontecendo em Monhegan e o fato de muita gente ser suspeito deixa praticamente todo diálogo e toda ação parecendo uma pista para ser seguida.

Eu já tinha me afeiçoado muito ao pai de Meg no volume anterior, mas nesse livro ele se tornou o meu personagem favorito. A maneira quase infantil como ele olha para o assassinato e como fica empolgado em fazer parte de um processo investigativo é algo maravilhoso. Um daqueles velhinhos que a gente quer ficar perto o tempo inteiro. Aliás, essa ideia de “não querer largar” parece ser a verdadeira alma dessa série literária. A gente devora os livros e já quer pular imediatamente para o próximo. É um verdadeiro vício.

Mistérios de Meg Langslow – Livro 2: Assassinato com Papagaios-do-mar (Meg Langslow Mysteries: Murder With Puffins) — EUA, 2000
Autora: Donna Andrews
322 páginas

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