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Crítica | Asterix Conquista a América

por Ritter Fan
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Asterix Conquista a América não só é a única animação da franquia a ser lançada nos anos 90 (que, por outro lado, veria o primeiro live-action, em 1999), como também é a primeira a ser produzida fora da França, mais precisamente na Alemanha, apesar de ser, tecnicamente, uma co-produção entre os dois países e mais a Espanha. Inspirado pelo álbum A Grande Travessia, publicado em 1975, a história leva Asterix, Obelix, Ideiafix e Panoramix para a América muito antes de qualquer outro europeu colocar os pés por lá.

Na adaptação, Asterix (Roger Carel) e Obelix (Pierre Tornade) acabam chegando no Novo Mundo não em razão de uma tempestade enquanto pescavam, como no álbum, mas sim tentando resgatar o druida Panoramix (Henri Labussière) e, de quebra, Ideiafix de mais um plano romano para impedir que ele faça a poção mágica que impede a dominação completa da Gália, desta vez com a ideia de arremessá-lo pela “beirada do mundo” já que, como todo mundo está cansado de saber, a Terra é plana. Isso faz com que os quatro personagens tenham que caçar glu-glus no lugar de javalis e lidar com os nativos que, como os romanos, sequestram Panoramix e também Asterix.

As mudanças na história feitas para a animação funcionam não só por fazer com que Panoramix também participe ativamente da aventura (infelizmente, porém, os vikings não aparecem), como também por dedicar tempo às incertezas vividas pelos demais aldeões lá na Gália, já que o druida sumira deixando pouquíssima poção e o próprio Júlio César passa a liderar seu exército para destruir o último rincão de resistência na região. Claro que o resultado, na prática, é que o roteiro que Thomas Platt e Gerhard Hahn (este, também o diretor, mas que ganha crédito nessa categoria sob pseudônimo: Rhett Rooster) dedica pouquíssimo tempo à permanência dos gauleses no futuro Estados Unidos, esvaziando as várias brincadeiras, ironias e piadas do inesquecível álbum e acrescentando um interesse amoroso para Obelix na forma de uma nativa voluptuosa ridiculamente vestida como líder de torcida.

Claro que continua sendo divertido ver Obelix atrás do perus, balançando árvores de onde caem “aves vermelhas com penas” e estabelecendo a paz entre seus amigos e a tribo que os captura, mas o espaço para tudo isso é muito apertado, o que poderia ter sido evitado se o início do longa fosse mais dinâmico e econômico em sua “preparação” para os eventos transoceânicos. Felizmente, porém, o perigo cada vez maior para Abracurcix (François Chaix) e os demais gauleses ilhados no vilarejo da Armórica é bem construído, ainda que a direção de Hahn trabalhe muito mais situações que acontecem off camera do que efetivamente batalhadas sem Asterix e Obelix, provavelmente para tentar estabelecer suspense, algo que ele não consegue muito bem, mas que, por outro lado, cria uma elipse interessante que traz um pouco de choque ao espectador que é brindado com a imagem deles todos presos em uma enorme carroça romana. É muito raro – mesmo nos álbuns – ver os gauleses derrotados, ainda que por breves minutos, e Asterix Conquista a América faz isso com razoável eficiência.

O estilo da animação mantém muita proximidade com o do álbum correspondente, o que é, vale lembrar, um bom padrão em todos os longas da série. Mas, diferente do que aconteceu em Asterix e a Grande Luta, o design não cobrou seu preço e os traços e a própria técnica de animação em si são respeitáveis, com movimentos fluidos e bonitos, algo que é amplificado pelo uso constante de lindíssimas pinturas de fundo tanto na Gália quanto especialmente na América, algo que Hahn tira proveito por meio de tomadas de plano geral que apenas engrandecem o resultado final.

Mesmo com produção fora da França, o longa consegue resgatar a qualidade das animações de Asterix e Obelix, afastando o gosto ruim deixado pelo anterior de cinco anos antes, o que preparou o caminho para a superprodução live-action que viria cinco anos depois. Pode não haver muita América para Asterix conquistar em Asterix Conquista a América, mas a adaptação sem dúvida tem seus méritos notadamente por colocar os gauleses em situação fragilizada nas mão dos romanos.

Asterix Conquista a América (Asterix in Amerika/Astérix et les Indiens – Alemanha/França/Espanha, 1994)
Direção: Gerhard Hahn
Roteiro: Thomas Platt, Gerhard Hahn (como Rhett Rooster) (baseado em história de Albert Uderzo e Pierre Tchernia e em criação de René Goscinny e Albert Uderzo)
Elenco: Roger Carel, Pierre Tornade, Henri Labussière, François Chaix, Michel Tugot-Doris, Jean Dautremay, Robert Party, Jean-Luc Galmiche, Olivier Jankovic, Nathalie Spitzer, Yves Pignot, Claude Chantal, Joël Zaffarano, Sylvain Lemarie
Duração: 85 min.

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