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Crítica | Asterix e a Grande Luta

por Ritter Fan
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O sexto longa animado de Asterix e Obelix, terceiro – e último – somente nos anos 80, retorna para a fórmula estabelecida em Asterix e a Surpresa de César ao usar não um, mas dois álbuns como fontes primárias para a adaptação a quatro mãos de Yannik Voight e Adolf Kabatek, ambos roteiristas estreantes que, depois, jamais voltariam ao ofício, em substituição a Pierre Tchernia, amigo de René Goscinny e Albert Uderzo que se manteve muito próximo à franquia cinematográfica das magníficas criações dos dois franceses desde o esquecido Dois Romanos na Gália. Infelizmente, porém, o resultado foi um retrocesso completo, de certa forma retornando à qualidade do mediano Asterix, o Gaulês, único produzido sem a bênção de Goscinny e Uderzo.

O que torna Asterix e a Grande Luta ainda mais frustrante é que ele reúne as histórias de O Combate dos Chefes, de 1964 e O Adivinho, de 1972, o primeiro um dos melhores álbuns da série (e meu favorito) e o segundo um ótimo álbum, ainda que não no panteão dos melhores, com o roteiro apenas extraindo premissas deles, sem desenvolver a contento nenhuma das duas histórias ou mesmo estabelecendo uma fusão lógica de ideias como foi o caso da reunião de  Asterix Legionário e Asterix Gladiador em Asterix e a Surpresa de César. Com isso, o que o roteiro faz é criar duas narrativas quase independentes que caminham em paralelo, mas pouco conversam, de um lado apagando o que faz de O Combate dos Chefes ser o que é e, de outro, reduzindo o misterioso Adivinho apenas a um alívio cômico sem graça.

Resumindo o que os roteiristas tentaram fazer, basta dizer que o Panoramix (Henri Labussière) desmemoriado em razão de ter levado um menir na cabeça cortesia de Obelix (Pierre Tornade) e que, portanto, não mais consegue fazer a importantíssima poção mágica é colocado de lado em termos narrativos quando Prolix (Julien Guiomar), um autodeclarado adivinho (completamente charlatão) chega à aldeia para beneficiar-se da credulidade dos gauleses, com Asterix (Roger Carel) logo desconfiando de suas pretensões. Os romanos, liderados pelo Centurião Bossanova (Roger Lumont), aproveitam-se da situação, então, para dominarem o último pedaço da Gália que faltava ao Império Romano.

Como mencionei, as histórias não se comunicam completamente, porém, tornando-as vinhetas que até conseguem mostrar um pouco de seu potencial, mas acabam uma se chocando na outra, quase que uma querendo chamar mais atenção do que a outra. Há até um flerte com estrutura musical como aconteceu de maneira inusitada, mas muito interessante em Asterix e Cleópatra, mas a direção de Philippe Grimond é pouco imaginativa e, pior, o estopim para o único videoclipe do longa fere de morte uma das premissas básicas de Chatotorix, que é ser um terrível bardo, emprestando-lhe uma voz decente e uma música razoável, como se os roteiristas nunca tivessem lido uma história sequer dos gauleses.

E a qualidade da animação em si não tem melhor sorte, com traços deselegantes e desorganizados que, mesmo mantendo as aparências dos clássicos personagens, não conseguem criar uma impressão de fluidez entre os planos e isso sem contar que o pano de fundo é pobre e simplista, com qualidade muito mais para a televisão da época do que para os cinemas. Em outras palavras, o longa foi a tempestade perfeita entre roteiro fraco, direção burocrática e animação cansada que, muito diferente de continuar a estirada de qualidade dos longas da franquia, faz Asterix e a Grande Luta dar diversos passos atrás, retrocedendo mais de duas décadas para os primórdios das adaptações audiovisuais de Asterix e Obelix.

Asterix e a Grande Luta (Astérix et le Coup du Menhir – França, Alemanha Ocidental, 1989)
Direção: Philippe Grimond
Roteiro: Yannik Voight, Adolf Kabatek (baseado em obra de René Goscinny e Albert Uderzo)
Elenco: Roger Carel, Pierre Tornade, Julien Guiomar, Marie-Anne Chazel, Henri Labussière, Patrick Prejean, Roger Lumont, Edgar Givry, Jacques Cramier, Henri Poirier, Gerard Croce, Jean-Claude Robbe
Duração: 81 min.

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