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Crítica | Asterix e os Vikings

por Ritter Fan
157 views (a partir de agosto de 2020)

Cinco anos depois da boa animação Asterix Conquista a América, os irredutíveis gauleses tiveram enorme sucesso em suas duas primeiras adaptações com atores reais, a apenas mediana Asterix e Obelix Contra César e a excelente Asterix e Obelix: Operação Cleópatra, dois caríssimos blockbusters de co-produção francesa que amealharam gordas bilheterias. Com isso, o intervalo entre a animação anterior e Asterix e os Vikings, a seguinte, foi de nada menos do que 12 anos, com a co-produção franco-dinamarquesa levando para as telonas uma versão cinematográfica muito simpática do álbum Asterix e os Normandos, um dos mais fracos (ou menos excelentes) ainda escritos por René Goscinny.

Última longa animado em 2D de Asterix e Obelix (até a data de publicação da presente crítica, claro), Asterix e os Vikings conta com um trabalho bastante sofisticado do departamento de design e de animação, com personagens que parecem tirados diretamente dos desenhos de Albert Uderzo e um trabalho fluido em termos de movimentos dos personagens, especialmente nas sequências de ação, com panos de fundo cuidadosos e detalhados, seja na arborizada Gália onde fica a única aldeia gaulesa não dominada por Júlio César, seja nas instâncias geladas da Normandia (não confundir com a região ao norte da França) onde vive a tribo Viking de Olaf Abominaf (Marc Alfos) que, depois de interpretar erroneamente aconselhamento do sábio Criptograf (Pierre Palmade) decide que precisa entender o que é o medo, de forma que ele possa voar.

E o medo, no longa, é representado por Calhambix (Lorànt Deutsch), sobrinho de Abracurcix (Vincent Grass) que, convenientemente, é mandado por seu pai até a aldeia que tanto conhecemos para aprender a ser um guerreiro com Asterix (Roger Carel emprestando sua voz ao personagem pela penúltima vez) e Obelix (Jacques Frantz). Covarde da raiz do cabelo até os pés, o jovem “descolado” vindo de Lutécia (Paris), não demora, é sequestrado pelos Vikings, com Asterix e Obelix tendo que resgatá-lo na longínqua e gelada Noruega (ou na região em que hoje é a Noruega, pelo menos). Em outras palavras, é a estrutura clássica das histórias de Goscinny e Uderzo à frente de seus gauleses que funciona bem na animação pelo que podemos chamar de choque cultural entre as duas tribos bem diferentes em hábitos e em geografia, além do uso variado de anacronismos que o roteiro de Jean-Luc Goossens insere muito bem, inclusive uma excelente montagem de treinamento ao som de um cover de Eye of the Tiger (qualquer semelhança com a franquia Rocky definitivamente não é uma coincidência).

A satirização da imagem violenta que todos temos dos Vikings é outro triunfo do longa, com a premissa – aprender sobre o medo, sentimento que eles simplesmente não entendem – retirada do álbum clássico de 1966 funcionando muito bem para trabalhar toda a aparente violência dos guerreiros nórdicos, mas que é temperada, por exemplo, pela forma submissa como o chefe se comporta diante de sua esposa ou como trata sua corajosa e amorosa filha Abba (Sara Forestier) que, como Mulan, disfarça-se de homem para viajar até a Gália. Enquanto o foco fica nas culturas diferentes e nos anacronismos, a fita vai muito bem, só tropeçando mesmo nas sequências de ação que são pouco inspiradas e demasiadamente longas, por vezes até deixando Asterix e Obelix em segundo plano.

Mas Asterix e os Vikings tem a vantagem de enrolar muito pouco, com a direção de Stefan Fjeldmark e Jesper Møller fazendo o que pode para manter o ritmo acelerado, sem preocupar-se com a duração final do longa que é substancialmente curto, com apenas 78 minutos, mas que mais do que dá conta do recado. Certamente não é a melhor animação de Asterix e Obelix, mas, depois de mais de uma década sem um desenho cinematográfico, é alvissareiro notar que os gauleses ainda têm muito fôlego para suas aventuras históricas pelo mundo.

Asterix e os Vikings (Astérix et les Vikings – França/Dinamarca, 2006)
Direção: Stefan Fjeldmark, Jesper Møller
Roteiro: Jean-Luc Goossens, Stefan Fjeldmark, Philip LaZebnik (baseado em obra de René Goscinny e Albert Uderzo)
Elenco: Roger Carel, Jacques Frantz, Lorànt Deutsch, Sara Forestier, Pierre Palmade, Pierre Tchernia, Bernard Alane, Marc Alfos, Jules Azem, Patrick Borg, Philippe Catoire, Bruno Dubernat, Luc Florian, Stéphane Fourreau, Marion Game, Vincent Grass, Med Hondo, Bernard Métreaux, Victor Naudet, Pascal Renwick, Estelle Simon, Gérard Surugue
Duração: 78 min.

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1 comentário

Doc Zumbério 1 de abril de 2021 - 20:29

Um Belíssimo filme que infelizmente teve um dublagem brasileira horrível porque inventaram de colocar os caras do programa Pânico(Não sei se já ouviu falar)pra dublar os personagens desse filme.

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