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Crítica | Asterix, o Gaulês (1967)

por Ritter Fan
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A primeira vez oficial que Asterix e Obelix apareceram no audiovisual foi no estranho, esquecido e por muito tempo perdido filme live-action misturado com animação Dois Romanos na Gália, lançado na televisão francesa no começo de 1967. Dizem que a mera existência desse telefilme se deu em razão da descoberta, por René Goscinny e Albert Uderzo, que Georges Dargaud, da editora Dargaud, estava produzindo uma animação de Asterix e os demais irredútiveis gauleses sem a participação de seus criadores. Goscinny e Uderzo ficaram furiosos e correram para colocar um “filme na lata” antes de Dargaud, ao ponto de terem até mesmo usado Roger Carel e Jacques Morel para fazer as vozes da dupla principal, os mesmos atores que estavam contratados para emprestar suas vozes para a animação de Dargaud.

Mesmo assim, a produção de Asterix, o Gaulês, adaptação do homônimo primeiro álbum da ilustre série em quadrinhos, continuou a todo o vapor e, ao final de 1967, mesmo com a intenção original de lançar a obra diretamente na televisão, ela ganhou tração e uma mudança estratégia de última hora para dar-lhe toda a pompa e circunstância de um lançamento cinematográfico. Dargaud, com esse movimento obviamente malandro, querendo lucrar com as propriedades de Goscinny e Uderzo sem sequer dar voz aos criadores, de certa forma precipitou o efetivo começo das adaptações audiovisuais da franquia com os vários longas animados e live-action que se seguiram e que continuam até hoje sendo produzidos.

A curta animação de 68 minutos é, muito claramente, feita com orçamento modesto, o que gerou um filme acanhado em termos de qualidade de animação, ainda que tenha havido o cuidado de se trabalhar rostos – principalmente os dos romanos, em tese “todos iguais” – de maneira cuidadosa e detalhada. Os gauleses, especialmente Asterix, Obelix e Panoramix, este último sequestrado pelos romanos que querem que ele revela a fórmula da mítica poção mágica que dá força aos gauleses depois que o romano Calígula Minus é forçado a disfarçar-se de gaulês para infiltrar-se na aldeia, acompanham os traços de Uderzo, mas sem o mesmo finesse. Como a produção é de 1967, o que se vê são as versões “modernas” dos personagens e não as originais do álbum inaugural de 1959, ou, pelo menos, algo que fica no meio termo.

A movimentação dos personagens é um pouco atravancada e os cenários estáticos ao fundo deixam bem evidente a economia feita na obra e a intenção original de lançá-la mesmo na TV, classicamente – mas não mais! – recipiente de produções de qualidade inferior. Seja como for, o roteiro escrito por Willy Lateste, Jos Marissen e László Molnár acompanha fielmente os quadrinhos de Goscinny e Uderzo, com algumas cenas extras inseridas não exatamente para dar estofo à narrativa, mas sim para ampliar o tempo de duração da obra. Da mesma maneira, algumas cenas do álbum são ampliadas para alongar o tempo, sem função narrativa alguma que não seja chegar a uma duração que não deixasse o resultado final ser classificado de curta-metragem. O problema disso é que o filme perde um pouco o ritmo depois que o romano infiltrado descobre o segredo da super-força gaulesa, com sequências que revelam muito claramente seu propósito procrastinador.

Asterix, o Gaulês, em sua primeira versão completa animada, é divertido, mas falta o charme, o ritmo e a inteligência de Goscinny e Uderzo por trás. Parece mais uma casca vistosa para um produto simplificado, feito às pressas para agradar um público ansioso por ver Asterix e Obelix adaptado de alguma forma no audiovisual. Mas, no final das contas, o longa abriu o caminho necessário para que essa magnífica criação ganhasse de vez uma outra via para chegar ao mundo todo e ampliar ainda mais a fama dos irredutíveis e adoráveis gauleses.

Asterix, o Gaulês (Asterix, le Gaulois – França, 1967)
Direção: Ray Goossens
Roteiro: Willy Lateste, Jos Marissen, László Molnár (baseado em obra de René Goscinny e Albert Uderzo)
Elenco: Roger Carel, Jacques Morel, Pierre Tornade, Jacques Jouanneau, Lucien Raimbourg, Pierre Trabaud, Bernard Lavalette, Robert Vattier, Michel Puterflam, Maurice Chevit, Georges Carmier
Duração: 68 min.

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