Crítica | Astronauta – Entropia

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Ampliando ainda mais os horizontes do Astronauta após os eventos de Assimetria, o roteirista e desenhista Danilo Beyruth nos faz ver de forma ainda mais próxima e intrigante a relação entre o protagonista desse título e sua companheira de ocasião, a teimosa e inteligentíssima Isa, filha de uma versão do Astro em outra dimensão. Explorando conceitos bem complicados de ficção científica e valendo-se de sua soberba arte, o artista nos coloca agora em uma trama mais ou menos claustrofóbica, numa luta contra o tempo e pela vida dos perdidos no espaço.

Entropia já começa com cara de continuação. Para um leitor que está chegando agora ao título, fico imaginando como será receber todas essas informações de uma vez só. Não que seja impossível entender a história sem ter o suporte vindo das sagas anteriores, mas certamente é mais difícil. De todo modo, essa impressão de continuação finca os pés em um conceito que será explorado pelo autor em diversos blocos no decorrer da graphic novel: a dificuldade de comunicação e a importância que ela tem para as pessoas. No decorrer dessa jornada, Astro, Isa e alienígenas presos no “sargaço espacial” irão se deparar com essa questão e precisarão, em algum momento, dar um passo para melhorar este ponto de suas vidas.

O roteiro tem os principais elementos de um bom sci-fi, a começar pela exploração espacial junto a uma noção bem interessante de viagens e dimensões do espaço + consideração de algo que o leitor entende ser um problema longe de encontrar resolução: o dilema de Astro e Isa. Cada um deles pertence a uma dimensão, mas no momento em que esta trama se passa nenhum sabe como encontrar o caminho para os respectivos planetas. A partir desse momento de contato é que a história se desenvolve e passa a se diferenciar de Magnetar, Singularidade e Assimetria. Essa sensação é ressaltada quando a nave do Astronauta é atraída pelo estranho objeto num Ponto de Lagrange entre duas estrelas.

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Até o momento em que o texto começa a revelar a motivação do vilão, tudo corre muitíssimo bem e vale dizer que a arte se mantém em alta do começo ao fim da aventura, assim como a fabulosa aplicação de cores por Cris Peter. Grupos lutando ao longo de muito tempo e por um objetivo obscuro é o tipo de premissa que sempre me agradou em ficção científica e as lutas, a prisão de Astro e a junção de Isa com os “insetos” são muito bem trabalhadas pelo autor aqui… até o momento em que as justificativas em torno do Capitão androide vêm à tona. Mesmo com a boa participação de Shie’r, do clã Ley (uma releitura da Cabeleira Negra), sua relação com o Astro e a batalha final da história, a motivação e as estratégias utilizadas pelo vilão ainda cobram um grande preço por terem sido colocadas da forma como foram, e pelo menos para mim, diminuíram um pouco o peso da história.

Astronauta – Entropia é diferente de tudo o que o selo Graphic MSP publicou na mesma safra, tanto em termos de abordagem para o personagem (sinceramente, parece pertencer a um selo completamente diferente) quanto de temáticas trabalhadas ao longo de todo o enredo. Evidente que estes não são apontamentos negativos, são apenas alguns fatos sobre as tramas do Astronauta em geral, sempre mais sérias e complexas, mas no fim, acenando para alguns sentimentos que a gente conhece muito bem e que parecem seguir todos os seres inteligentes pelo espaço e dimensões afora.

Astronauta – Entropia (Brasil, dezembro de 2018)
Graphic MSP #21
Roteiro: Danilo Beyruth
Arte: Danilo Beyruth
Cores: Cris Peter
Editora: Panini Comics, Graphic MSP, Mauricio de Sousa Editora
Páginas: 98

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.