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Crítica | Ataque dos Morcegos

por Leonardo Campos
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Sabe aquele filme independente cheio de toques conceituais, mas que é irregular enquanto entretenimento? Pronto. Se você conhecesse, entenderá a minha reflexão tipo 0800 para reclamar do potencial perdido em Ataque dos Morcegos, um terror com mais ambição e menos noção de estruturação narrativa. Me perguntei ao longo de todo o filme: onde estão os morcegos? A onipresença é um elemento poderoso, mas somente quando bem trabalhado. Isso ocorre em Cascavel, por exemplo, produção onde a serpente aparece apenas nos primeiros momentos, mas está conectada ao filme todo. Aqui, acompanhamos uma narrativa com estilo muito parecido ao adotado por Sam Raimi em Evil Dead – A Morte do Demônio, mas faltam muitos elementos para a comparação ser de fato justa e adequada. O jeito é adotar o grau comparativo de inferioridade, tanto para o clássico dos anos 1980 quanto para a produção da Netflix mencionada antes.

Sigamos, no entanto, com o que o filme consegue entregar, pois para quem já teve acesso aos meus textos, geralmente trabalho com o que a produção oferta, menos com o que ela poderia ser. É elucubração demais. Dirigida e escrita por Ti West, a produção lançada em 2005 nos apresenta o mote básico do filme slasher: quatro amigos, Trevor (Karl Jacob), Alisson (Vanessa Horneff), Brian (Sean Reid) e Elliot (Will Horneff), todos a caminho de um casamento, mas que durante a travessia por uma estrada deserta e sombria, colidem com um estranho morcego que bate direto em seu para-brisa. O animal não possui o tamanho de um dinossauro para conseguir brecar o automóvel, mas o susto do impacto desgoverna o grupo que acaba abandonado na estrada depois que o carro dá uma pane. O jeito é seguir até a casa mais próxima em busca de ajuda. Eles chegam até um casal de idosos que pode ser a promessa de socorro que necessitam. Não dá certo.

A polícia é acionada, mas também não vai adiante, pois como já sabemos, prefeitos, policiais e outras autoridades geralmente trabalham muito mal em seus cargos e demonstram a fragilidade do poder institucionalizado em situações assim. Tanto o casal quanto o único policial que atende ao chamado dos jovens são mortos por uma ameaça invisível, relacionada com os numerosos morcegos do local. Pelo que podemos interpretar, o ataque destas criaturas transforma as suas vítimas em zumbis abomináveis, desafio extra para o grupo que já precisava enfrentar o medo diante da sombria estrada, a sensação de insegurança, a presença de morcegos em demasia e agora, uma força sobrenatural inexplicada. O que fazer? Tentar viver, basicamente. Até um motorista na estrada é chamado para dar apoio, mas acaba sendo eliminado pelos morcegos que atacam sem qualquer dose de piedade. Eles são sanguinários e violentos, monstros em potencial.

Quando a saga dos amigos é aparentemente finalizada, um anfitrião interpretado por Tom Noonan aparece numa maquiagem ao estilo Nosferatu e diz que não gostou do final apresentado e propõe um desfecho adicional. É quando a história ganha novos rumos com uma retomada em seus trechos finais. Metalinguístico, este final é ousado, diferenciado, mas até a sua aparição, não aguentamos mais tanto marasmo e a vontade que temos é a de ter o desfecho ali mesmo, sem outras alternativas de alguém interessado em flertar com a linguagem cinematográfica de maneira ousada. A maioria das pessoas que devem ter chegado ao filme provavelmente estavam curiosa sobre o ataque dos morcegos e a provável relação da narrativa com elementos do subgênero horror ecológico, mas somos enganados pelas falsas promessas deste filme que ousa a nos desafiar, mas que em sua corajosa atitude, não consegue dar conta da demanda.

Brahm Revel é o responsável pelos efeitos especiais. Na entrega de seus animatrônicos, consegue convencer com seus morcegos que também acredito, foram utilizados ao lado de criaturas reais, captadas com distanciamento. Na direção de fotografia, Eric Robbins cumpre o seu papel de iluminar os personagens parcamente, mas a quantidade de luz necessária para destacar-se da sua constante profundidade de campo sempre em trevas. Jeff Grace, na administração da trilha sonora, é o melhor segmento técnico do filme, com cordas que vão em várias direções, nos remetendo aos mais diversos tipos de narrativas de horror. David Bell, ao assinar o design de produção com orçamento abaixo da média, consegue criar um espaço convincente, sujo, como nas histórias góticas, onde o medo ia além do psicológico, mas era representado fisicamente, na arquitetura dos detalhes. Ademais, nada de cientistas insanos, tampouco desastres ambientais. Aqui, a presença dos morcegos ocupa a função de reforçar o imaginário popular sobre estas criaturas da noite.

Ataque dos Morcegos (The Roost/Estados Unidos, 2005)
Direção: Ti West
Roteiro: Ti West
Elenco: Tom Noonan, Karl Jacob, Vanessa Horneff, Sean Reid, Will Horneff
Duração: 80 min.

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