Home TVTemporadas Crítica | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 2ª Temporada

Crítica | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 2ª Temporada

por Kevin Rick
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Shingeki no Kyojin retorna em sua segunda temporada exatamente de onde parou, com os personagens ainda atordoados com a batalha contra Annie, e já de início o anime nos entrega mais dúvidas, pois agora temos Titãs nas muralhas. É preciso notar como essa escolha de Hajime Isayama por continuamente entregar perguntas, e, raramente, quando oferece respostas, elas vêm acompanhadas de outras indagações, é uma opção que a longo prazo pode fazer com que espectadores questionem se realmente há um plano maior para a obra, ou se o mangaká está apenas criando segredos para manter o tom misterioso, sem um real objetivo para a narrativa. Acredito que é com isso em mente que a história dessa temporada se passa em um curto período de tempo, e também com um menor número de episódios, mantendo um ritmo mais frenético que a temporada anterior.

A diferente cadência dá impressão que a trama misteriosa da série está sendo resolvida, e o fato de múltiplos twists continuamente surgirem, adicionam o ar de resolução da obra. Entretanto, parando para notar as informações dadas ao longo dos 12 episódios, nota-se que a trama principal, em seu grande esquema, conduz mais questões que o ano anterior. Este artifício de ceder conhecimento, mas retendo os elementos principais, mantém o mistério imersivo da série, sem necessariamente nos fazer duvidar do objetivo narrativo.

Dito isso, podemos falar sobre o principal foco dessa segunda temporada, o desenvolvimento dos personagens secundários. Considerando a larga quantidade de figuras criadas por Isayama, construir bons arcos narrativos para todos é uma tarefa árdua. Sendo assim, todos os personagens melhores desenvolvidos na primeira temporada ficam no background, especialmente na metade inicial de episódios. Isso inclui Mikasa, Armin, Jean, e até mesmo Eren, que apenas é inserido na trama a partir do quinto episódio. Isso engrandece a construção de mundo do anime, pois todos os personagens recebem seus momentos individuais dialogando com elementos temáticos da série. Dessa forma, o espectador não sente-se roubado do contínuo desenvolvimento dos protagonistas, mas apenas observa as crueldades deste mundo através de outras perspectivas.

Inicialmente, o horror dos Titãs é trazido para dentro das muralhas, elevando a tensão dos oponentes nesse estado de surpresa e temor pelos inocentes, alguns deles amigos e familiares. A série transpõe esses terrores com Sasha e Connie, que rapidamente movem-se para suas localidades natais. Todavia, a jornada aterrorizante dos dois entregam conotações que conversam de diferentes formas com o enredo. O arco de Connie é mais simples, expondo o terror do desconhecido já que sua família desapareceu, resultando no final brutal de sua procura. O de Sasha é mais complexo, pois além do medo de perda, têm-se o desenvolvimento do inimigo interior, exposto no flashback preconceituoso de seu passado, e na realidade posta à sua frente quando os membros do vilarejo abandonaram uma mulher enferma. Isayama novamente exibe que os protagonistas enfrentam inimigos em duas frontes.

A nova leva de episódios também desenvolve outros três personagens, Reiner, Bertholdt e Ymir. Descobrimos que todos são Titãs, e que vieram de fora das muralhas. É um tanto conveniente que todos os humanos-titãs façam parte do mesmo círculo de amizade, mas isso eleva o sentimento de traição, especialmente na descoberta de Reiner e Bertholdt, em umas das melhores construções de plot-twist do gênero. A insana sequência de ação que segue, com pequenos momentos de respiro, evidencia toda a qualidade da animação em combate, assim como a elaboração dos arcos individuais acrescenta substância e emoção ao clímax. Nas pequenas cenas de diálogo, o roteiro da série continua expondo a temática empática, com os traidores apresentando sua arrependida perspectiva dos atos cruéis. Afinal, o inimigo é apenas um oponente com um diferente ponto de vista.

Se posso criticar negativamente algo nessa temporada é que o diálogo se torna bastante expositivo, até mesmo para os padrões de anime, mas nada que danifique a experiência. Shingeki no Kyojin retorna aumentando o compasso, diversificando os enigmas e aprofundando personagens pouco construídos, enquanto alimenta a narrativa recheada de temas sociais. Mais um belíssimo ano desta obra-prima moderna de anime.

Attack on Titan – 2ª Temporada (進撃の巨人, Shingeki no Kyojin, Japão, 2017)
Criado por: Hajime Isayama
Direção: Tetsurō Araki, Masashi Koizuka, Hiroyuki Tanaka, Yoshihide Ibata
Roteiro: Yasuko Kobayashi, Hiroshi Seko, Hajime Isayama
Elenco: Masumoto Takuya, Hashizume Tomohisa, Marina Inoue, Yûki Kaji, Yui Ishikawa, Hiro Shimono, Kishô Taniyama, Daisuke Ono, Hiroshi Kamiya, Yû Kobayashi, Romi Pak, Yoshimasa Hosoya, Shiori Mikami, Yû Shimamura
Duração: 287 min. (12 episódios)

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