Home TVTemporadas Crítica | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 2ª Temporada

Crítica | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 2ª Temporada

por Kevin Rick
4.645 (a partir de agosto de 2020)

Shingeki no Kyojin (Ataque dos Titãs) retorna em sua segunda temporada exatamente de onde parou, com os personagens ainda atordoados com a batalha contra Annie, e já de início o anime nos entrega mais dúvidas, pois agora temos Titãs nas muralhas. É preciso notar como essa escolha de Hajime Isayama por continuamente entregar perguntas, e, raramente, quando oferece respostas, elas vêm acompanhadas de outras indagações, é uma opção que a longo prazo pode fazer com que espectadores questionem se realmente há um plano maior para a obra, ou se o mangaká está apenas criando segredos para manter o tom misterioso, sem um real objetivo para a narrativa. Acredito que é com isso em mente que a história dessa temporada se passa em um curto período de tempo, e também com um menor número de episódios, mantendo um ritmo mais frenético que a temporada anterior.

A diferente cadência dá impressão que a trama misteriosa da série está sendo resolvida, e o fato de múltiplos twists continuamente surgirem, adicionam o ar de resolução da obra. Entretanto, parando para notar as informações dadas ao longo dos 12 episódios, nota-se que a trama principal, em seu grande esquema, conduz mais questões que o ano anterior. Este artifício de ceder conhecimento, mas retendo os elementos principais, mantém o mistério imersivo da série, sem necessariamente nos fazer duvidar do objetivo narrativo.

Dito isso, podemos falar sobre o principal foco dessa segunda temporada, o desenvolvimento dos personagens secundários. Considerando a larga quantidade de figuras criadas por Isayama, construir bons arcos narrativos para todos é uma tarefa árdua. Sendo assim, todos os personagens melhores desenvolvidos na primeira temporada ficam no background, especialmente na metade inicial de episódios. Isso inclui Mikasa, Armin, Jean, e até mesmo Eren, que apenas é inserido na trama a partir do quinto episódio. Isso engrandece a construção de mundo do anime, pois todos os personagens recebem seus momentos individuais dialogando com elementos temáticos da série. Dessa forma, o espectador não sente-se roubado do contínuo desenvolvimento dos protagonistas, mas apenas observa as crueldades deste mundo através de outras perspectivas.

Inicialmente, o horror dos Titãs é trazido para dentro das muralhas, elevando a tensão dos oponentes nesse estado de surpresa e temor pelos inocentes, alguns deles amigos e familiares. A série transpõe esses terrores com Sasha e Connie, que rapidamente movem-se para suas localidades natais. Todavia, a jornada aterrorizante dos dois entregam conotações que conversam de diferentes formas com o enredo. O arco de Connie é mais simples, expondo o terror do desconhecido já que sua família desapareceu, resultando no final brutal de sua procura. O de Sasha é mais complexo, pois além do medo de perda, têm-se o desenvolvimento do inimigo interior, exposto no flashback preconceituoso de seu passado, e na realidade posta à sua frente quando os membros do vilarejo abandonaram uma mulher enferma. Isayama novamente exibe que os protagonistas enfrentam inimigos em duas frontes.

A nova leva de episódios também desenvolve outros três personagens, Reiner, Bertholdt e Ymir. Descobrimos que todos são Titãs, e que vieram de fora das muralhas. É um tanto conveniente que todos os humanos-titãs façam parte do mesmo círculo de amizade, mas isso eleva o sentimento de traição, especialmente na descoberta de Reiner e Bertholdt, em umas das melhores construções de plot-twist do gênero. A insana sequência de ação que segue, com pequenos momentos de respiro, evidencia toda a qualidade da animação em combate, assim como a elaboração dos arcos individuais acrescenta substância e emoção ao clímax. Nas pequenas cenas de diálogo, o roteiro da série continua expondo a temática empática, com os traidores apresentando sua arrependida perspectiva dos atos cruéis. Afinal, o inimigo é apenas um oponente com um diferente ponto de vista. 

Se posso criticar negativamente algo nessa temporada é que o diálogo se torna bastante expositivo, até mesmo para os padrões de anime, mas nada que danifique a experiência. Ataque dos Titãs retorna aumentando o compasso, diversificando os enigmas e aprofundando personagens pouco construídos, enquanto alimenta a narrativa recheada de temas sociais. Mais um belíssimo ano desta obra-prima moderna de anime.

Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 2ª Temporada (進撃の巨人, Shingeki no Kyojin, Japão, 2017)
Criado por: Hajime Isayama
Direção: Tetsurō Araki, Masashi Koizuka, Hiroyuki Tanaka, Yoshihide Ibata
Roteiro: Yasuko Kobayashi, Hiroshi Seko, Hajime Isayama
Elenco: Masumoto Takuya, Hashizume Tomohisa, Marina Inoue, Yûki Kaji, Yui Ishikawa, Hiro Shimono, Kishô Taniyama, Daisuke Ono, Hiroshi Kamiya, Yû Kobayashi, Romi Pak, Yoshimasa Hosoya, Shiori Mikami, Yû Shimamura
Duração: 287 min. (12 episódios)

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais