Home TVEpisódio Crítica | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 4X07: Agressão

Crítica | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 4X07: Agressão

por Kevin Rick
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Agressão

  • Há spoilers. Leiam, aqui, a crítica dos episódios anteriores. Agressão  Agressão 

O episódio anterior foi marcado por reencontros fantásticos, desde o salvamento de Mikasa, a entrada das tropas de Paradis e a triunfante aparição final de Levi. Dessa forma, Agressão é uma extensão da invasão à Marley, trabalhando muito melhor o campo de batalha, fragmentando cenas de combate para cada personagem, enquanto mantém aquele elemento de expor repercussões morais e psicológicas aos “demônios” de Paradis de modo individual, assim como o terror dos atacados. É nesse equilíbrio de planos de ação múltiplos demonstrando consequências mentais para quase todos os personagens que o sétimo capítulo marca um dos melhores episódios da temporada, ligando o ótimo roteiro com uma animação superior, muito bem mascarada pela direção.

Por não estar lendo o mangá no ponto atual da narrativa, não sei dizer ao certo se o anime segue à risca as sequências de combate – me iluminem! –, mas o que me chamou atenção na direção, diferentemente do episódio anterior, é o trabalho de planos próximos e contidos nas lutas, que ocultam a falta de qualidade na movimentação animada, especialmente nas acrobacias, e as próprias lutas dos Titãs têm um CGI mais elevado qualitativamente, com um bom contraste com o 2D. Realmente é notável o melhoramento técnico, principalmente o ótimo trabalho de câmera, focado em closes e várias cenas de ação curtas espalhadas, camuflando a falta de fluidez.

E saindo do papo técnico, a estrutura fracionada do episódio funciona espetacularmente ao entregar uma trama minimalista e restrita no escopo épico, desenvolvendo a turbulência ideológica e moral dos Eldianos na transmissão do massacre. Dentre minhas cenas favoritas estão a sequência do Armin compreendendo a “visão” de Bertholdt, e a revelação que ele arquitetou a invasão – aliás, quem aí amou ver a Hange tapa-olho? –, e o momento que Jean fica em dúvida se errou propositalmente ou se o vapor desviou o tiro frente à Falco e Pieck, abrindo um leque de caminhos tortuosos e angustiantes para trabalhar personagens anteriormente mais piedosos como os dois. Desde a aparição de Eren e seu discurso genocida, estava intrigado pela dinâmica do grupo principal, e o fato deles comprarem a ideia por completo, a despeito de vacilarem emocionalmente, provém uma jornada incomum para os protagonistas até aqui, assumindo o fronte de invasores cruéis.

E também saindo dessa conversa de subjetivismo humano, discussão moral e perspectivas, há o elemento que domina a experiência do espectador – pelo menos para mim –, de divertimento puro e insanidade eufórica. Levi finalmente enfrentando o Titã Bestial (como não amar esse nanico sanguinário?); Eren desmembrando o Mandíbula, e utilizando-o para comer a Titã Martelo – também adoro a reação de tristeza de Mikasa e de terror dos marleyanos, nessa nova atmosfera de colocar o protagonista como um monstro terrorista; a aparição de Armin e do dirigível; e, por fim, o ressurgimento desconsolado de Reiner. Muita coisa acontece. Muita coisa impactante. E o ritmo para as inúmeras situações é construído de modo a nunca contrair o frenesi do campo de batalha.

A montagem geral de todo o episódio Agressão é brilhante, navegando em temas sociais e morais habituais da série, momentos de júbilo e choque, batalhas fenomenais e dramaticidade particular. Tudo isso enquanto sustenta uma decupagem coesa dentro da linguagem da série, e do próprio episódio em si, ininterruptamente frenético. Attack on Titan nos presenteou com um dos episódios mais satisfatórios e grandiosos até aqui, enquanto é muitíssimo pessoal e emocional. E, o melhor de tudo, a batalha apenas começou.

Attack on Titan – 4X07: Agressão (進撃の巨人, Shingeki no Kyojin – 強襲 Kyōshū, Japão, 25 de janeiro de 2021)
Criado por: Hajime Isayama
Direção: Jun Shishido
Roteiro: Hajime Isayama, Hiroshi Seko
Elenco:  Takehito Koyasu, Yoshimasa Hosoya, Ayane Sakura,  Natsuki Hanae, Toshiki Masuda, Manami Numakura, Yûmi Kawashima, Ayumu Murase, Masaya Matsukaze, Jirô Saitô, Tôru Nara, Yû Shimamura, Yûki Kaji, Kazuhiro Yamaji, Hiroshi Kamiya, Romi Pak, Kishô Taniyama, Hiro Shimono, Yû Kobayashi
Duração: 24 min.

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