Crítica | Aventuras do 1º Doutor – 1ª Temporada

Localizadas entre os arcos The Reign of Terror e Planet of Giants, esta temporada inicial da série Aventuras do 1º Doutor (The First Doctor Adventures, 2017) coloca em cena o elenco de An Adventure in Space and Time trabalhando em mais uma excelente proposta da Big Finish: a recriação da atmosfera, elementos e linhas narrativas das histórias do 1º Doutor -- com os atores tendo a oportunidade de dar aos personagens algumas características que acharam necessárias, mas algo feito com muito respeito e atenção, pois nenhum deles aqui parece destoado, forçado ou anacrônico.

Localizadas entre os arcos The Reign of TerrorPlanet of Giants, esta temporada inicial da série Aventuras do 1º Doutor (The First Doctor Adventures, 2017) coloca em cena o elenco de An Adventure in Space and Time trabalhando em mais uma excelente proposta da Big Finish: a recriação da atmosfera, elementos e linhas narrativas das histórias do 1º Doutor — com os atores tendo a oportunidade de dar aos personagens algumas características que acharam necessárias, mas algo feito com muito respeito e atenção, pois nenhum deles aqui parece destoado, forçado ou anacrônico.

Esta primeira temporada da série possui dois arcos, cada um com quatro episódio de cerca de 30 minutos de duração. O primeiro e meu favorito, The Destination Wars, divide-se em Journey to the FutureThe Father of InventionThe Destination Wars e Prisoners of Time. Já o segundo, mais realista e um tantinho mais burocrático, The Great White Hurricane, divide-se em The Coming StormThe Frozen CityThe Killer in the Snow e River of Doom. O elenco principal entrega um ótimo trabalho com esses personagens clássicos e David Bradley puxa o carro com sua excelente caracterização do 1º Doutor, seguido pelos três companheiros de elenco, Claudia Grant (Susan, que continua sendo a mais chatinha do grupo, embora mais suportável que a personagem de Carole Ann Ford); Jamie Glover (Ian, mais teimoso que o normal, parecendo Steven em alguns momentos, o que é estranho) e Jemma Powell (Barbara, minha segunda favorita, depois de Bradley).

Quando levamos em consideração a proposta de “voltar ao estilo da Série Clássica” — algo que outras séries da BF já estavam fazendo antes com bastante sucesso, elencando outros Doutores ou sob outras abordagens, como no caso de Aventuras do 4º Doutor (2012), Primeiras Aventuras  (2014) e Aventuras do 3º Doutor (2015) –, também temos que considerar o tipo de roteiro existente naquele período da série (entre a  e a 2ª Temporada), com o perigo da vez sendo segmentado para atender a diferentes necessidades, já que todos os personagens acabavam tendo alguma relação direta com a ameaça (ou aliadas da ameaça), nem que fosse para gritar, correr e tropeçar, como no caso de Susan. Pois bem, esse aspecto permanece nos roteiros da atual série, e embora esteja consideravelmente retrabalhado e atualizado, o espectador vai se deparar com segmentos estendidos demais ou praticamente inúteis para a trama como um todo (uma parte dos dramas paralelos de The Great White Hurricane, por exemplo), o que acaba comprometendo a qualidade geral da história.

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No primeiro arco,The Destination Wars, o Doutor, Susan, Barbara e Ian chegam ao planeta Destination e encontram uma situação inicialmente simpática e um tantinho confusa, como sempre ocorre em aventuras onde o Doutor e seus companheiros precisam se atualizar rapidamente do que está acontecendo, processo que nos faz conhecer os personagens, o que está se passando de errado e, claro, rir um pouco das inadequações de cada um… ou ficar apreensivo pelo desaparecimento ou captura de um dos integrantes do time. Aqui conhecemos mais uma encarnação do Mestre, vivida por James Dreyfus — uma encarnação que parece ser anterior à de Roger Delgado, com uma abordagem realmente interessante, mesclando elementos de diplomacia com a maldade típica do personagem + a velha briga com o Doutor. Este é certamente o grande destaque do episódio, cuja problemática fica mais enrolada ao explorar o plano do vilão, fazendo-nos perguntar por que os conceitos mais intricados do arco não foram apresentados desde cedo, para que houvesse tempo suficiente para trabalhá-los.

Já no segundo arco (The Great White Hurricane), que gosto menos que o primeiro, o time da TARDIS chega à cidade de Nova York e acompanha os dois primeiros dias da Grande Nevasca de 1888 (que durou do dia 11 ao dia 14 de março). Quando Barbara se dá conta do que acontece nesses dias e diz a Ian o perigo que eles correm, eu fiquei animado. A possibilidade de uma exploração mais claustrofóbica poderia facilmente ter lugar aí, confinando os companions de um lado e o Doutor de outro, todos lutante pela sobrevivência em uma das mais severas alterações meteorológicas da História dos EUA. A trama central, porém, usa pouco esse recurso e o que escolhe como tema não me chamou muito a atenção, desde o sequestro imediato de Susan, no início, até a finalização com a união de membros de gangues inimigas trabalhando por um “bem comum“. É uma finalização bonita, claro, mas nem ela e nem a história como um todo trazem algo realmente memorável, embora seja uma boa aventura.

The First Doctor Adventures: The Destination Wars / The Great White Hurricane (Reino Unido, 25 de dezembro de 2017)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Matt Fitton / Guy Adams
Elenco: David Bradley, Claudia Grant, Jamie Glover, Jemma Powell, James Dreyfus, Raymond Coulthard, Deli Segal, Sian Reeves, Jackson Milner, Cory English, Carolina Valdes, Ronan Summers, Christopher Naylor
Duração: 4 episódios de 30 minutos cada.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.