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Crítica | Aventuras do 1º Doutor – 1ª Temporada

por Luiz Santiago
156 views (a partir de agosto de 2020)

Localizadas entre os arcos The Reign of TerrorPlanet of Giants, esta temporada inicial da série Aventuras do 1º Doutor (The First Doctor Adventures, 2017) coloca em cena o elenco de An Adventure in Space and Time trabalhando em mais uma excelente proposta da Big Finish: a recriação da atmosfera, elementos e linhas narrativas das histórias do 1º Doutor — com os atores tendo a oportunidade de dar aos personagens algumas características que acharam necessárias, mas algo feito com muito respeito e atenção, pois nenhum deles aqui parece destoado, forçado ou anacrônico.

Esta primeira temporada da série possui dois arcos, cada um com quatro episódio de cerca de 30 minutos de duração. O primeiro e meu favorito, The Destination Wars, divide-se em Journey to the FutureThe Father of InventionThe Destination Wars e Prisoners of Time. Já o segundo, mais realista e um tantinho mais burocrático, The Great White Hurricane, divide-se em The Coming StormThe Frozen CityThe Killer in the Snow e River of Doom. O elenco principal entrega um ótimo trabalho com esses personagens clássicos e David Bradley puxa o carro com sua excelente caracterização do 1º Doutor, seguido pelos três companheiros de elenco, Claudia Grant (Susan, que continua sendo a mais chatinha do grupo, embora mais suportável que a personagem de Carole Ann Ford); Jamie Glover (Ian, mais teimoso que o normal, parecendo Steven em alguns momentos, o que é estranho) e Jemma Powell (Barbara, minha segunda favorita, depois de Bradley).

Quando levamos em consideração a proposta de “voltar ao estilo da Série Clássica” — algo que outras séries da BF já estavam fazendo antes com bastante sucesso, elencando outros Doutores ou sob outras abordagens, como no caso de Aventuras do 4º Doutor (2012), Primeiras Aventuras  (2014) e Aventuras do 3º Doutor (2015) –, também temos que considerar o tipo de roteiro existente naquele período da série (entre a  e a 2ª Temporada), com o perigo da vez sendo segmentado para atender a diferentes necessidades, já que todos os personagens acabavam tendo alguma relação direta com a ameaça (ou aliadas da ameaça), nem que fosse para gritar, correr e tropeçar, como no caso de Susan. Pois bem, esse aspecto permanece nos roteiros da atual série, e embora esteja consideravelmente retrabalhado e atualizado, o espectador vai se deparar com segmentos estendidos demais ou praticamente inúteis para a trama como um todo (uma parte dos dramas paralelos de The Great White Hurricane, por exemplo), o que acaba comprometendo a qualidade geral da história.

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No primeiro arco,The Destination Wars, o Doutor, Susan, Barbara e Ian chegam ao planeta Destination e encontram uma situação inicialmente simpática e um tantinho confusa, como sempre ocorre em aventuras onde o Doutor e seus companheiros precisam se atualizar rapidamente do que está acontecendo, processo que nos faz conhecer os personagens, o que está se passando de errado e, claro, rir um pouco das inadequações de cada um… ou ficar apreensivo pelo desaparecimento ou captura de um dos integrantes do time. Aqui conhecemos mais uma encarnação do Mestre, vivida por James Dreyfus — uma encarnação que parece ser anterior à de Roger Delgado, com uma abordagem realmente interessante, mesclando elementos de diplomacia com a maldade típica do personagem + a velha briga com o Doutor. Este é certamente o grande destaque do episódio, cuja problemática fica mais enrolada ao explorar o plano do vilão, fazendo-nos perguntar por que os conceitos mais intricados do arco não foram apresentados desde cedo, para que houvesse tempo suficiente para trabalhá-los.

Já no segundo arco (The Great White Hurricane), que gosto menos que o primeiro, o time da TARDIS chega à cidade de Nova York e acompanha os dois primeiros dias da Grande Nevasca de 1888 (que durou do dia 11 ao dia 14 de março). Quando Barbara se dá conta do que acontece nesses dias e diz a Ian o perigo que eles correm, eu fiquei animado. A possibilidade de uma exploração mais claustrofóbica poderia facilmente ter lugar aí, confinando os companions de um lado e o Doutor de outro, todos lutante pela sobrevivência em uma das mais severas alterações meteorológicas da História dos EUA. A trama central, porém, usa pouco esse recurso e o que escolhe como tema não me chamou muito a atenção, desde o sequestro imediato de Susan, no início, até a finalização com a união de membros de gangues inimigas trabalhando por um “bem comum“. É uma finalização bonita, claro, mas nem ela e nem a história como um todo trazem algo realmente memorável, embora seja uma boa aventura.

The First Doctor Adventures: The Destination Wars / The Great White Hurricane (Reino Unido, 25 de dezembro de 2017)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Matt Fitton / Guy Adams
Elenco: David Bradley, Claudia Grant, Jamie Glover, Jemma Powell, James Dreyfus, Raymond Coulthard, Deli Segal, Sian Reeves, Jackson Milner, Cory English, Carolina Valdes, Ronan Summers, Christopher Naylor
Duração: 4 episódios de 30 minutos cada.

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18 comentários

Rafael Lima 11 de maio de 2020 - 13:57

Nossa, devo confessar que é um pouco estranho ver o 1º Doutor enfrentando o Mestre. Hehehehe.

Legal eles reaproveitarem o elenco de “The adventures and space and time”, especialmente o David Bradley, que encarnou tão bem tanto o Hartnell no telefilme quanto o 1º Doutor no fim da era Moffat.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 11 de maio de 2020 - 15:02

Eu também achei estranho no começo. Mas foi uma boa história. Gostei do que ouvi. Parece que muita gente tem hate por esse Master…

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Mancadas do Aranha 10 de maio de 2020 - 10:50

Se não me engano é confirmado que o James Dreyfus é o Primeiro Mestre. Queriam o Primeiro Mestre com o Primeiro Doutor.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de maio de 2020 - 12:53

Não cheguei a ver essa confirmação da BBC não!

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Mancadas do Aranha 10 de maio de 2020 - 20:39

Sim, eu não tenho certeza. Apenas acho que vi

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de maio de 2020 - 21:11

Vou ler!

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Rafael Lima 11 de maio de 2020 - 13:57

Acho que o Dreyfuss seria a encarnação mais antiga do Mestre, mas não sei se ele seria a primeira encarnação do Mestre, de fato. Basta lembrar que embora o Delgado tenha sido o Mestre original, aquela encarnação já era a 12ª dentro do ciclo de regenerações do vilão. Se a encarnação do Dreyfuss é anterior ao Delgado, então seria a 11ª encarnação do Mestre.

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Mancadas do Aranha 12 de maio de 2020 - 20:16

No link que postei é confirmado pela Big Finish que ele é a Primeira Encarnação do Mestre.

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Rafael Lima 13 de maio de 2020 - 01:23

Entendi que eles falavam primeira encarnação no sentido de ser a primeira encarnação do personagem a aparecer do ponto de vista cronológico, e não literalmente a primeira encarnação do Mestre (embora é perfeitamente cabivel interpretar a declaração de modo literal). Neste caso, a Big Finish teria dez Mestres inéditos pra enfrentar o Doutor (já que o Delgado foi a 12ª encarnação).

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Mancadas do Aranha 14 de maio de 2020 - 19:15

Pode até ter sido nesse sentido, mas, acho que, se fosse, eles colocariam algo como “um dos primeiros Mestres” ou algo assim. Eles colocaram exatamente “first incarnation of the Master”

Mancadas do Aranha 10 de maio de 2020 - 10:44

David Bradley é excelente mesmo como o Primeiro Doutor. Eu ouvi esses áudios na época do lançamento, mas ainda não ouvi os volumes seguintes. Vou reouvir esses pra ouvir os outros.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de maio de 2020 - 12:52

Estou sempre alternando séries para não enjoar de ficar focado numa coisa só. Fiz uma listinha que vai me tomar pelo menos esse ano todo ouvindo, o que é bom e garante críticas semanais por aqui. Essa série e as Early Adventures mostram como dois atores diferentes abordam o 1º Doutor. Hoje, gosto bem mais do David Bradley, que é mesmo excelente, do que do Peter Purves.

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Mancadas do Aranha 10 de maio de 2020 - 20:39

Eu ouvi o áudio Daughter of Gods, onde tem o Primeiro Doutor do Peter Purves, e prefiro o Bradley também. Agora o Segundo Doutor do Frazer Hines é ótimo (que também tá no Daughter of Gods)

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de maio de 2020 - 21:11

Nossa, Frazer Hines é soberbo no papel do 2º Doutor!

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Odimara 8 de maio de 2020 - 17:58

Ótima crítica. Que legal que aproveitaram o David. Ele foi fantástico como o primeiro doutor no especial da décima temporada da nova era. De longe o melhor ator, porque assistir the five doctors e não gostei do ator que interpretou o primeiro doutor naquele especial. Não conseguiu captar brilhantemente como o David Bradley fez.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 8 de maio de 2020 - 18:33

E ele aqui segue sendo brilhante no papel. É impressionante como ele conseguiu encarnar de verdade o 1º Doutor!

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Mancadas do Aranha 10 de maio de 2020 - 10:50

David Bradley foi excelente naquele especial. Só não curti o roteiro do Moffat colocando o Doutor como machista e coisa do tipo. Não condiz com o personagem, nem faz muito sentido. Mas eu entendi a intenção do Moffat, só não gostei.

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