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Crítica | Aventuras do 3º Doutor – 3ª Temporada

por Luiz Santiago
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Nesta sua Terceira Temporada, a série Aventuras do 3º Doutor, da Big Finish Productions, conseguiu voltar ao bom ritmo que apresentou em seu ano inaugural, com histórias de peso, muito bem pensadas isoladamente e com nuances que certamente apontam para uma influência de ambos os eventos na vida de Jo Grant, da UNIT e do Doutor, cada um em diferentes níveis.

Como já é um padrão para a série, temos aqui duas aventuras independentes, com um vilão, time de apoio e espaço-tempo distintos. A primeira delas, The Conquest of Far, foi escrita por Nicholas Briggs (que também dirigiu os dois episódios) e é uma potente história com os Daleks. Seguindo-se imediatamente aos acontecimentos de Planet of the Daleks (Jo diz claramente que eles acabaram de sair de Spiridon) a história começa com um tom de urgência, mostrando, no futuro distante, a Aliança da Terra em uma empreitada desesperada para barrar os Daleks no planeta Far. O Doutor chega ao lugar imaginando que verá algo relacionado ao Hyper Gateway, cujo objetivo era tornar mais conveniente as viagens pelo grande Império da Terra. Todavia, no tempo em que chegam, uma coisa bem diferente está acontecendo no local.

O que impressiona nessa aventura é a abordagem para os que estão sofrendo cotidianamente por viverem em um lugar dominado pelos Daleks. Nos lembra muito uma mistura de duas grandes tramas do 1º DoutorThe Dalek Invasion of EarthThe Daleks’ Master Plan, mas com uma narrativa bem mais madura e que não trai os avanços da série ou a Era do 3º Doutor. Meu bloco favorito aqui é o de Jo com Delralis, um personagem que serve para mostrar que o domínio dos Daleks pode ser cruel em níveis que a gente nem consegue perceber à primeira vista. Meu problema com o roteiro é um certo ar anticlimático no final, e imagino que isso tenha a ver com uma conjunção de fatores, como o tamanho do arco (narrativas épicas tendem a ter maiores problemas no encerramento) e uma sequência de cenas e diálogos redundantes que o autor colocou, talvez para reforçar o elemento emotivo da história, se esquecendo que o espectador já tinha entendido e sofrido por essas mesmas coisas antes.

Já o segundo arco, Storm of the Horofax (escrito por Andrew Smith) é em absolutamente tudo a cara da Era do 3º Doutor. Em relação aos episódios da TV, a trama se localiza entre The Time MonsterThe Three Doctors, e retrata o chacoalhão que a UNIT, o Doutor e a Terra sofreram nesse período (Prisoners of the Lake, uma aventura anterior a essa, no Universo Expandido, reforça tal abordagem pela Big Finish), colocando em cena uma vilã bastante incomum, com um dom de “prever” o futuro — bem, o que ela faz é outra coisa, mas vou usar o termo genérico para não estragar a surpresa — e que dá muita dor de cabeça para o Doutor.

A invasão alienígena aqui é encaminhada de forma brilhante. Eu gosto muito de enredos que sabem esconder até certo ponto as segundas intenções dos vilões, dando ao espectador uma ideia de crescente perigo, o que pode ser um problema se o encerramento da história não compensar essa expectativa, mas não é o caso aqui, pois o roteiro de Andrew Smith, ao menos nesse aspecto, consegue algo notável. Meu problema com o texto, nesse caso, é o tratamento dado a Jo ao longo da história. Não é um problema constante, mas quando aparece, joga um pouco de água fria em um intenso momento e isso consiste em o autor usar o resfriado da personagem como um gatilho dramático que termina não cumprindo o seu propósito (funciona bem uma vez, mas é esquecido em seguida e retomado convenientemente… logo, é a insistência que torna a coisa problemática) e o fato de Jo muitas vezes ser uma repetidora boba do quão o Doutor é maravilhoso e que ele vai derrotar a vilã.

O final da saga, porém, tem um ar solene e muito respeitoso para com os personagens. O autor faz valer a espera para o final, explica bem as questões que envolvem o poder da vilã e detalha o processo de vitória do Doutor, que não é nada fácil. Como eu disse antes, finalizar aventuras épicas é sempre mais difícil e aqui temos um exemplo de como encerrar uma delas, que começa com a descoberta de uma nave no Mar do Norte e termina com congelamento do tempo na Terra, linhas alternativas e teorias sobre a nossa existência e o tempo de nossa existência. Daria um ótimo filme de Doctor Who!

The Third Doctor Adventures – Vol.3: The Conquest of Far + Storm of the Horofax (Reino Unido, 17 de novembro de 2017)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs (The Conquest of Far) e Andrew Smith (Storm of the Horofax)
Elenco: Tim Treloar, Katy Manning, George Watkins, John Banks, Amy Newton, Nicholas Briggs, Robin Weaver, Iain Batchelor, Robert Hands, Richard Derrington, Ian Conningham, Jake Dudman
Duração: 158 min.

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