Crítica | Aventuras do 4º Doutor – 6X05: The Haunting of Malkin Place

Equipe: 4º Doutor, Romana II
Espaço: Baker Street 107 / Malkin Place / Flandres
Tempo: 7 de Junho de 1917 e Outono de 1922

Começamos aqui com uma discussão entre o Doutor e Romana sobre a existência (ou não) de fantasmas. Fica claro para o espectador que esta será a linha dramática que o roteiro explorará, e a preparação até o ponto em que isso de fato passa acontecer é muito boa. Romana está lendo Henry James e o Doutor elogia o esforço da companheira para se inteirar da cultura terrestre. Ela, por sua vez, está interessada em discutir a existência ou não de aparições “anormais”, sempre procurando uma explicação científica para tudo, ao passo que o Doutor, só pra contrariar, propõe uma outra forma de pensamento.

Tom Baker e Lalla Ward garantem sorrisos imediatos do público, tornando a entrada nesse novo cenário fácil e engajante. A isso, soma-se o misterioso e macabro momento inicial na casa do soldado que retornou da 1ª Guerra Mundial e sofre de estresse pós-traumático. Vozes de crianças, mudanças de temperatura, sujeira de lama no chão da casa, ou seja, uma coleção de indícios de que o lugar estava sendo assombrado nos são fornecidos, e é justamente para este lugar que o Doutor, Romana e dois indivíduos que conhecem num trem (um espiritualista e seu assistente) dirigem-se em meio à suspeita névoa.

A comicidade que temos na relação entre o 4º Doutor e Romana mistura-se aqui ao pesado drama de recuperação psicológica e de perturbação física daquele espaço, gerando uma sensação curiosa em relação ao enredo. A Sra. Mountford também é parte desse mistério e tudo sobre ela é bem explorado pelo texto, desde as suas aparições silenciosas, que acabam assustando todo mundo, até o seu constante e declarado medo de qualquer coisa que tenha a ver com “procurar falar com fantasmas“, sem contar a revelação que ela nos entrega no final, fechando a história com chave de ouro.

A trama fica um pouquinho confusa no caminho utilizado pelo Doutor para resolver o caso, tendo que viajar no tempo sem utilizar a TARDIS. Aliás, eu tenho problemas com certos exageros de obstáculos colocados por alguns roteiros, como é parcialmente o caso aqui. E por mais que Phil Mulryne tente justificar a escolha, realmente não me pareceu o melhor caminho. Não posso dizer que fiquei feliz com a decisão final para o soldado em choque, mas a amargura proposta é perfeitamente compreensiva, afinal estamos falando do resultado de uma guerra, e nela (uma tragédia em si mesma), diversos horrores acontecem. Como alento simpático no desfecho, encontramos a elogiável escolha do Doutor em não querer confrontar o espiritualista depois de tudo o que aconteceu, a fim de não constrangê-lo. Um verdadeiro cavalheiro, não é mesmo? Mal sabe ele que o grande mistério da aventura passou batido por ele e por Romana… Tomara que essa janela aberta dê a oportunidade de retorno dessa personagem em outras histórias!

Fourth Doctor Adventures – 6X05: The Haunting of Malkin Place
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Phil Mulryne
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Simon Jones, Denise Black, Gunnar Cauthery, Fiona Sheehan, Rikki Lawton, Phil Mulryne, Benedict Briggs
Duração: 67 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.