Home Audiodramas Crítica | Aventuras do 8º Doutor – 1X04: Immortal Beloved

Crítica | Aventuras do 8º Doutor – 1X04: Immortal Beloved

por Luiz Santiago
109 views (a partir de agosto de 2020)

Em um planeta não nomeado (colônia da Terra), no século 34, o 8º Doutor e Lucie se veem abruptamente capturados por uma situação problemática protagonizada por deuses. Ou pelo menos é isso que esses tais “deuses” dão a entender, com seus nomes vindos de diversas mitologias e com a criação de um espaço geográfico que em tudo se assemelha à Grécia Antiga.

Escrito por Jonathan Clements e dirigido por Jason Haigh-Ellery, este quarto episódio da série Aventuras do 8º Doutor é praticamente uma crônica de final apressado, apesar de interessante, com o Doutor não conseguindo chegar onde prometera a Lucie, dilema que conhecemos já há muito tempo em Doctor Who. E um dilema que foi ressignificado na Nova Série. Essa relação problemática do Time Lord com a TARDIS, porém, tem um charme que justifica a presença do Doutor nos mais curiosos lugares, especialmente quando a linha de viagens e a relação dele com a companion da vez ainda está sendo construída.

Nesta colônia terráquea do futuro onde eles se materializam existe uma aparente dinâmica de poder que imediatamente deixa o espectador em atenção. Mas o que mais salta aos olhos é o anacronismo que ali reina. Um cenário helênico com tecnologias do século XX, sendo que essas tecnologias são nomeadas de maneira “mística”, como se fossem objetos mágicos concedidos pelos deuses. E claro, a presença desses deuses que o Doutor não demora muito tempo para descobrir quem na verdade são, chegando ao cerne de algo que parece muito simples, depois se complica um pouco e termina rápido demais para permitir que o espectador crie algum tipo de grande aproximação ou verdadeiro aproveitamento da trama.

Por um lado, entendo perfeitamente o caráter cronista do roteiro, que é até bem fechadinho, sem muita enrolação, o que é sempre um grande passo à frente quando se trata de romances, especialmente em ficção científica. Mas fica difícil abraçar de todo uma ideia tão egoísta e tão estranha centrada em apenas um casal. E como o texto não dá atenção para nada além do núcleo em que está o Doutor (e nem a engenharia de som pesa a mão para nos sinalizar muita coisa além desse núcleo) ficamos diante de algo conceitualmente grandioso mas que perde força por ter aplicação tão pontual. E é justamente por isso que o encerramento da aventura sofre, mesmo colocando um fim orgânico ao seu impasse de amor e imortalidade. E lá se vai o Doutor e Lucie, mais uma vez, discutindo pelo vórtex, criando laços, salvando vidas e clareando mentes.

Horror of Glam Rock (Reino Unido, abril de 2007)
Direção: Jason Haigh-Ellery
Roteiro: Jonathan Clements
Elenco: Paul McGann, Sheridan Smith, Ian McNeice, Elspet Gray, Jennifer Higham, Anthony Spargo, David Dobson, Jake McGann
Duração: 55 min.

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4 comentários

Rafael Lima 18 de julho de 2020 - 02:53

Toda a história que tem um romance como motor central precisa nos fazer acreditar na relação do casal, e infelizmente não é o que ocorre nessa história, deixando o resultado meio artificial mesmo. Mas a relação do Doutor com a Lucie é deliciosa, e já faz valer a história.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 18 de julho de 2020 - 03:33

Pois é, ainda mais uma relação de casal COMO ESTA que temos aqui.

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Pedro Sebastião Pereira Amaro 10 de julho de 2020 - 16:13

Esse áudio talvez funcionasse melhor na main range. É uma estoria muito rápida. Esse é um problema que Doctor Who sofre também em outras mídias, talvez não precisasse de uma hora a mais, mas no mínimo uns 20mins. A lucie está muito bem no áudio, ela me lembra muito a Donna, e o 8th já está experiente como Doctor e interpretando com maestria.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de julho de 2020 - 19:36

Pois é, e como o miolo dessas histórias sempre traz complicações diversas, deveria ter um pouco mais de tempo tanto para fazer um caminho até o clímax como sair desse pico e fechar a história. Na TV às vezes temos o mesmo problema…

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