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Crítica | Banshee – 1ª Temporada

por Ritter Fan
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O neozelandês Antony Starr já tinha uma razoavelmente prolífica carreira no audiovisual – especialmente na televisão – quando embarcou em Banshee como protagonista, em um projeto original da Cinemax quando o canal, de propriedade da HBO, decidiu expandir sua oferta de material próprio. Jonathan Tropper e David Schickler, então com absolutamente nada em seu currículos, passaram a desenvolver a série originalmente com Alan Ball, co-produtor de A Sete Palmos e True Blood, que, não demorou, foi adquirida pelo canal que encomendou 10 episódios para a temporada inaugural ainda em 2011.

A premissa básica é razoavelmente simples: depois de cumprir 15 anos de prisão, um criminoso (Starr) é libertado e logo vai atrás de sua paixão e parceira de roubo Anastasiya “Ana” Rabitova (Ivana Miličević) que escondeu-se na cidadezinha de Banshee, na Pennsylvania sob a identidade de Carrie Hopewell, casada com o promotor público local e já com dois filhos. O que vai complicando a história é que ele não só é caçado pelo mafioso ucraniano Igor “Mr. Rabbit” Rabitov (Ben Cross), pai de Ana, que o culpa por traí-lo e por também afastá-lo de sua filha, como também, ao chegar na cidade, as circunstâncias o levam a assumir a identidade do novo xerife, Lucas Hood, algo em que é ajudado por seu outro parceiro de roubo e hacker virtuoso Job (Hoon Lee) e também fazendo parceria com o dono de bar, ex-boxeador e ex-condenado Sugar Bates (Frankie Faison), levando-o, claro, a estabelecer inimizada automática com o mafioso local, Kai Proctor (Ulrich Thomsen).

Fica evidente que a breve sinopse acima gera a tempestade perfeita para muita pancadaria e tiro. A “bomba”, pelo menos nesta temporada inaugural, é substituída pelo sexo. Em comum aos 10 episódios é a dobradinha “pancadaria e sexo” ou, mais precisamente, quem Starr vai espancar (ou quem espancará Starr) e com quem ele transará, ainda que, ironicamente, a melhor briga da temporada fique por conta de Ana, quando ela sai no braço com o capanga do pai no sótão onde Hood mora. Tudo gira em torno dessa estrutura bem simples, criando a categoria “pancadaria e transa da semana”, o que, mesmo com uma temporada curta, cansa bastante. Sim, as coreografias são viscerais e realistas, lembrando muito a violência e o esforço físico – e as consequências físicas – de Demolidor, por exemplo, mas, diferente da finada série fruto da parceria Marvel/Netflix sobre o Homem Sem Medo, os roteiros não têm apenas um norte e atiram para todo os lados, com Hood agindo como xerife ultra-violento que simplesmente ignora as leis, para desespero de seus delegados, mas também como fugitivo e, de quebra, sem deixar de continuar sua carreira de ladrão, o que não faz o menor sentido considerando o quanto isso chama a atenção para ele próprio, arriscando demasiadamente tudo o que ele faz para ziguezaguear Mr. Rabbit, Kai e a necessidade de manter secretas sua identidade e a de Ana.

O elenco é, em linhas gerais, o que se espera de uma série como essa. Starr é o durão genérico, Miličević é a durona genérica, Faison é o ex-bandido simpático padrão e Thomsen e Cross são os malvadões que existem em praticamente todo filme e série da História do Audiovisual, com Thomsen saindo-se melhor por seu personagem, de raízes Amish, ter uma camada extra de profundidade aqui e ali. Mas quem realmente se destaca em meio a iguais é Hoo Lee, que tem um papel divertido, altamente debochado e que diverte muito quando tem oportunidade de aparecer, o que não acontece muito aqui nesse começo, infelizmente. No entanto, há que ficar bem claro que todos estão eficientes para a proposta simples da série, pois não é necessário um grande ator para entregar os tipos de personagens recortados em cartolina que os roteiros exigem, bastando, em grande parte, boas coreografias de luta, trabalho de maquiagem de alto nível para lidar com os ferimentos e, lógico, corpos ardentes rolando na cama ou em qualquer superfície – horizontal ou vertical – em que eles possam se unir.

Em sua primeira temporada, Banshee tem o ônus natural de armar a trama e, para isso, faz uso de um sem-número de conveniências que acabam sendo divertidas pelo absurdo da coisa, valendo-se mesmo é da completa falta de freios para lidar com pancadaria e sexo. Não é algo que parece sustentável por muito mais tempo, mas, como são apenas quatro temporadas, com 38 episódios no total, creio que um mínimo de cuidado com os roteiros permitirá diversão descompromissada e descerebrada até o final.

Banshee – 1ª Temporada (EUA, 11 de janeiro a 15 de março de 2013)
Criação: Jonathan Tropper, David Schickler
Direção: Greg Yaitanes, SJ Clarkson, OC Madsen, Dean White, Miguel Sapochnik
Roteiro: Jonathan Tropper, David Schickler
Elenco: Antony Starr, Ivana Miličević, Ulrich Thomsen, Frankie Faison, Hoon Lee, Rus Blackwell, Matt Servitto, Demetrius Grosse, Trieste Kelly Dunn, Ryann Shane, Daniel Ross Owens, Lili Simmons, Ben Cross, Anthony Ruivivar
Duração: 600 min. aprox. (10 episódios)

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