Home TVEpisódio Crítica | Bates Motel 4X01: A Danger to Himself and Others

Crítica | Bates Motel 4X01: A Danger to Himself and Others

por Luiz Santiago
86 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel, aqui.

Sabendo que Bates Motel foi pensada como uma série de 5 anos, uma das grandes expectativas a cada temporada é a pergunta para a resposta: o quanto Norman já está louco até aqui e quanto — ou como — ele pode enlouquecer ainda mais? Durante as temporadas 1, 2 e 3 esta pergunta foi sendo respondida aos poucos, à medida que contextos igualmente interessantes — pelo menos a maioria — eram erguidos. Mas agora, faltando 19 episódios para o encerramento da série (mais 9 desta e 10 da próxima), os showrunners não perderam tempo e começaram este quarto ano com um capítulo seminal para o crescimento e enlouquecimento de Norman Bates. A Danger to Himself and Others é um excelente episódio.

O ponto de partida é a torrente de eventos que ficaram em aberto ao final da temporada passada. Norman está desaparecido. Alex Romero está ‘dando um jeito’ no corpo de Bob Paris. Emma está prestes a entrar na sala de operações. Norma percebe que o mundo não gira necessariamente a seu redor, algo que ela percebeu de modo bem cruel na 3ª Temporada, mas parece que ainda não está acostumada. E para piorar, a personagem está sob pressão, situação que nunca soube administrar muito bem e que tem forte impacto em Norman.

O roteiro de A Danger to Himself and Others, escrito a seis mãos, estabelece essa pressão para Norma e cria o cenário perfeito para o surgimento de um novo Norman, um rapaz completamente diferente daquele que vimos mudar levemente na 1ª Temporada e que já na 2ª Temporada deu sinais fortes de sua psicopatia e tendência de imitar ou culpar a mãe. Agora, seus problemas psicológicos juntam-se a fatores que foram anteriormente construídos, como desenvolvimento da libido, estabelecimento bipolar da relação de amor e ódio com a mãe, momentos de grande descontrole, fuga da realidade e ciclo comportamental que, queria ele ou não, se inicia e acaba com a mãe.

Mesmo o bloco mais fraco do episódio, aquele que aborda Dylan, Will, Emma e a mãe de Emma faz uso de uma dinâmica inteligente de narração, ou seja, coisas mostradas aparentemente como curiosidades, mas que na verdade possuem um papel bastante importante para o desenvolvimento do episódio, começando pela chegada de Dylan ao hospital até a chegada da mãe de Emma ao hotel e sua interação com Norman no desfecho, uma sequência que traz mais uma excelente atuação Freddie Highmore como espelho caricato de sua mãe e um assassinato que talvez já nos acene para o futuro de Norma.

Dirigido pelo ótimo Tucker Gates, este episódio abre a 4ª Temporada de Bates Motel com indicações comportamentais assustadoras e uma tardia entrada de ajuda médica para Norman. Nós já sabemos o que ele fez no passado e certamente imaginamos o que pode vir daí. Tudo no episódio anuncia ainda maior densidade e introspecção nesta temporada: fotografia de pouca luz e tons frios (exceção às sequências no corredor do hospital, mas a paleta de estágio doentio ali acaba tendo o mesmo efeito sobre o espectador); trilha sonora extremamente melancólica e objetivo principal: mostrar quem é este novo Norman. E… oh, meus caros, ele não é alguém com quem você vai querer marcar para tomar um café. Essa penúltima temporada promete. Bem vindos, todos, à loucura!

Bates Motel 4X01: A Danger to Himself and Others (EUA, 2016)
Direção: Tucker Gates
Roteiro: Carlton Cuse, Kerry Ehrin, Anthony Cipriano
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Louis Ferreira, Elizabeth Greer, Damon Gupton, Andrew Howard, Karin Konoval, Karina Logue, Kevin Rahm, Fiona Vroom, Kwesi Ameyaw
Duração: 42 min.

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15 comentários

Daniel Barros 16 de outubro de 2017 - 13:09

Felicidade em sentir novamente a tensão da primeira temporada!! Que episódio sensacional!
Achei que a segunda temporada perdeu o foco com muitas histórias paralelas. Já na terceira esse ponto negativo começou a mudar e a 4ª veio chutando a porta!
Como sempre, excelente atuações (com exceção do ator que substitui o Pai de Emma, que só me lembra dos filmes classe B com Jason Statham).

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Luiz Santiago 16 de outubro de 2017 - 13:27

Pois é, @disqus_dcZDZO9Mmq:disqus, essa temporada as coisas voltam para os trilhos (ou, na minha visão, fluem bem mais suavemente) e aqui você já vai começar a perceber uns caminhos diferentes que a série vai tomar… As primeiras dicas estão por aqui.

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Bruno 25 de agosto de 2016 - 23:37

Ah, como é bom um review apenas de um episódio! hehe
Enfim, cheguei na quarta temporada! Começou bem tranquilo, trabalhando devagar os personagens e situações, mas aí me vem esse final, e pqp! Foda! Norman cada vez mais surtado.

Responder
Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 00:16

Segure-se, porque a coisa vai ser tensa, meu amigo!

Responder
Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 00:16

Segure-se, porque a coisa vai ser tensa, meu amigo!

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Bruno 27 de agosto de 2016 - 00:20

Percebi!!

Responder
Bruno 27 de agosto de 2016 - 00:20

Percebi!!

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Bruno 25 de agosto de 2016 - 23:37

Ah, como é bom um review apenas de um episódio! hehe
Enfim, cheguei na quarta temporada! Começou bem tranquilo, trabalhando devagar os personagens e situações, mas aí me vem esse final, e pqp! Foda! Norman cada vez mais surtado.

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Oliveira 20 de março de 2016 - 21:34

Depois de uma 3 temporada repleta de historias paralelas sem finalidade nenhuma, finalmente essa 4 temporada parece ter acertado o tom que todos nos esperávamos, agora focada em Norma e Norman, a série segue os traços deixados pelo filme psicose de uma maneira brilhante que mesmo o telespectador sabendo o resultado final disso, ainda consegue prender a atenção, mal posso esperar pelos demais episódios.

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Oliveira 20 de março de 2016 - 21:34

Depois de uma 3 temporada repleta de historias paralelas sem finalidade nenhuma, finalmente essa 4 temporada parece ter acertado o tom que todos nos esperávamos, agora focada em Norma e Norman, a série segue os traços deixados pelo filme psicose de uma maneira brilhante que mesmo o telespectador sabendo o resultado final disso, ainda consegue prender a atenção, mal posso esperar pelos demais episódios.

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Luiz Santiago 21 de março de 2016 - 00:52

Não vejo que as temporadas anteriores tiveram tramas “sem finalidade alguma”. Embora eu nem goste de todas elas, vejo as 3 primeiras como uma preparação de cenários e possibilidades… o mundo que Norman se “desenvolveria” e viveria já como “aquele Norman”, muito em breve…

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Luiz Santiago 21 de março de 2016 - 00:52

Não vejo que as temporadas anteriores tiveram tramas “sem finalidade alguma”. Embora eu nem goste de todas elas, vejo as 3 primeiras como uma preparação de cenários e possibilidades… o mundo que Norman se “desenvolveria” e viveria já como “aquele Norman”, muito em breve…

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Tiago Lima 12 de março de 2016 - 22:53

Depois de acompanhar a questionável temporada de American Horror Story: Hotel, Bates Motel vem como um sopro de alívio a esses olhos já cansados. Que episódio!

Acho muito interessante como tudo é bem feito: O roteiro que gradualmente foi nos mostrando a psicose de Norman Bates. A direção ( achei o uso dos travellings muito elegantes). A fotográfia. Os jogos de luz e contra-luz. A trilha, que é fantástica! E as atuações.

Freddy Highmore se tornou um ator tão competende. Suas nuancias de atuações são incríveis! Visivelmente conseguimos perceber quando ele é o Nornam e quando ele assume sua persona psicotica inspirado na mãe. É um leve trejeito com a mão, um sorriso com o canto da boa. O tom de voz mais suave. Até o cruzar de pernas, chega a ser tão natural, que acreditamos que é de fato uma mulher naquele corpo.

E creio que é esse um dos facinios de Bates Motel, de acompanharmos como Norman se tornou e criatura vilanesca de Psicose. O que vai acontecer, todo mundo já sabe ( pelo menos quem viu o filme) agora ver COMO aconteceu é simplesmente nós, como espectadores, exercendo nosso voyerismo pelo buraco na fechadura que dá ao banheiro. Tranquem as portas!

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Luiz Santiago 13 de março de 2016 - 13:27

Cara, eu fico pasmo como os showrunners dessa série conseguiram fazer um excelente suspense e um excelente drama com essa série. Como você disse, A gente sabe o que vai acontecer, mas esse COMO está tornando tudo tão fenomenal, tão incrível…

As atuações, são o ponto alto, junto com a inteligência do roteiro… É tão bom escrever sobre uma série boa! 😀

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Luiz Santiago 13 de março de 2016 - 13:27

Cara, eu fico pasmo como os showrunners dessa série conseguiram fazer um excelente suspense e um excelente drama com essa série. Como você disse, A gente sabe o que vai acontecer, mas esse COMO está tornando tudo tão fenomenal, tão incrível…

As atuações, são o ponto alto, junto com a inteligência do roteiro… É tão bom escrever sobre uma série boa! 😀

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